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Acções do BPI disparam 9%, uma das maiores subidas desde a OPA do CaixaBank

As acções do banco disparam mais de 9%, com a proposta de acabar com a limitação aos direitos de voto a alimentar expectativas de que o banco venha a participar em operações de consolidação.

Miguel Baltazar/Negócios
Rui Barroso ruibarroso@negocios.pt 05 de Fevereiro de 2016 às 12:27
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O mercado está a premiar a proposta da administração do BPI de acabar com a limitação aos direitos de voto. As acções do banco liderado por Fernando Ulrich disparam 9,30% para 1,022 euros. É a terceira maior subida desde que, a 17 de Fevereiro do ano passado, o CaixaBank anunciou uma oferta pública de aquisição pelo banco português, operação que viria a cair por terra.

Na base do falhanço dessa OPA esteve o chumbo à desblindagem dos estatutos na assembleia-geral de accionistas de 17 de Junho de 2015. Uma das condições do CaixaBank para avançar com a OPA era que fosse decidido o fim da limitação aos direitos de voto (segundo os estatutos do banco, os direitos de voto estão limitados a 20%), o que não ocorreu.

Agora, o conselho de administração do banco volta a trazer a questão do fim da limitação aos direitos de voto para os accionistas deliberarem. A gestão do BPI entende que o "banco tem de dispor de todos os instrumentos necessários para lidar" com os desafios das alterações ocorridas no sistema financeiro nacional.

Proposta positiva para as acções

Os analistas do CaixaBI consideraram, numa nota a investidores, que "esta proposta seria potencialmente positiva para acções do banco face ao carácter especulativo introduzido no 'investment case' do banco". Explicam que "com esta proposta, o conselho de administração tenderia a criar maiores condições para a participação do BPI em futuros movimentos de alteração do enquadramento competitivo (nomeadamente operações de concentração) que venham a ocorrer no sistema bancário nacional".

Também os analistas do Haitong entendem que "se, contrariamente ao que ocorreu em Junho de 2015, um número suficiente de accionistas apoiar o Caixabank e remover o limite aos direitos de voto isso poderá ser um catalisador positivo para a acção". Caso a proposta venha a ser aprovada, o Haitong considera que "poderá reabrir a possibilidade do Caixabank fazer uma nova oferta pelo BPI" e poderá facilitar a cisão dos activos africanos, proposta rejeitada por Isabel dos Santos.

Acções valem menos 23% que na OPA

Em Fevereiro do ano passado, o Caixabank propôs uma contrapartida de 1,329 euros por acção na OPA ao BPI. No entanto, desde o chumbo ao fim da limitação dos direitos de voto na AG de 17 de Junho, que condenou a oferta as acções foram perdendo valor. Desde aquela data os títulos do BPI cedem 22,5%. E mesmo com a subida na sessão desta sexta-feira, valem menos 23% que o valor proposto pelo Caixabank, que detém 44,1% do banco.

Apesar da proposta do conselho de administração do BPI estar a ser bem recebida pelo mercado, a expectativa é de que haja poucas hipóteses de vir a ser concretizada. "A aprovação da mesma parece-nos improvável nesta fase. De facto, tendo em consideração a provável oposição (tal como referida pela comunicação social) da Santoro Finance (participação de 18.6%) e do Grupo Violas (2.6%) e notando que a alteração em causa requer a aprovação de um mínimo de 75% por cento dos votos expressos, o sucesso da mesma aparenta ter uma probabilidade reduzida a esta data", considera o CaixaBI.

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