Bolsa Alemã Wirecard afunda 23% com novas suspeitas de fraude

Alemã Wirecard afunda 23% com novas suspeitas de fraude

A fintech está a ser arrasada na bolsa de Frankfurt, depois de o FT ter divulgado novas provas das práticas contabilísticas fraudulentas da empresa.
Alemã Wirecard afunda 23% com novas suspeitas de fraude
Reuters
Rita Faria 15 de outubro de 2019 às 11:31

A fintech alemã Wirecard já esteve a perder quase um quarto do seu valor em bolsa esta terça-feira, 15 de outubro, depois de o Financial Times ter revelado novos documentos que levantam suspeitas de práticas contabilísticas fraudulentas por parte da empresa.

Os títulos da Wirecard perdem 17,68% para 115,25 euros, depois de terem chegado a afundar um máximo de 23% esta manhã, para os 107,80 euros, o valor mais baixo desde abril.

Em reação à divulgação dos documentos, a Wirecard disse tratar-se de uma notícia "falsa" e "totalmente sem sentido", tal como aconteceu desde que, no início do ano, a publicação britânica começou a expor este escândalo sobre as práticas fraudulentas da empresa de pagamentos, especialmente no que respeita à sua subsidiária na região Ásia-Pacífico.

O esquema exposto pelo FT já levou as autoridades de Singapura a constituírem arguidos seis funcionários da Wirecard naquela região, que continuam a ser investigados por suspeitas de falsificação da contabilidade da empresa.

A Wirecard tem negado repetidamente as acusações e, em fevereiro, chegou mesmo a processar o Financial Times pela publicação das conclusões de uma investigação da firma de advocacia Rajah & Tann, que levantaram suspeitas de fraude e lavagem de dinheiro e motivaram buscas por parte das autoridades de Singapura às instalações da empresa.

 

O artigo publicado na altura expunha o esquema que foi utilizado por um executivo sénior da empresa, Edo Kurniawan, responsável pela contabilidade do grupo na região Ásia-Pacífico, de forma a criar números que convencessem os reguladores da autoridade monetária de Hong Kong a emitirem a licença que permitiria à Wirecard distribuir cartões bancários pré-pagos no território chinês. O grupo procurava assumir as operações de pagamento do Citigroup, cobrindo 20.000 retalhistas em 11 países, da Índia à Nova Zelândia.

As aprovações regulatórias em todos os territórios eram cruciais, mesmo que isso significasse inventar números para serem usados no pedido de licença de Hong Kong. Segundo o artigo do FT, Kurniawan desenvolveu então uma prática conhecida como "viagem de ida e volta": uma quantia de dinheiro saía do banco que a Wirecard detém na Alemanha, aparecia no balanço de uma subsidiária inativa em Hong Kong, daí saía para surgir nos registos de um "cliente" externo, e for fim regressava à Wirecard na Índia, onde aparecia aos olhos dos auditores locais como uma receita comercial legítima.

O que poderia parecer um esquema isolado de Kurniawan revelou-se, porém, um método padrão da empresa nas suas operações asiáticas, como foi demonstrado num relatório preliminar sobre a investigação de uma das empresas de advocacia mais importantes da Ásia.

A primeira investigação do FT, publicada a 30 de janeiro, contava como Edo Kurniawan usou contratos falsos para inflacionar as receitas da Wirecard. Um documento citado pela publicação descreve, por exemplo, contratos com um valor de 13 milhões de euros, datados de 2017 e 2018, entre quatro subsidiárias da Wirecard e a Flexi Flex, uma empresa de tubagens e sistemas hidráulicos com escritórios em Singapura e na Malásia.

O FT também viu faturas com o logótipo da Flexi Flex e um acordo de vendas que indica que a empresa forneceu 3 milhões de euros em software à Aprisma, uma subsidiária indonésia da Wirecard. Contudo, um diretor da Flexi Flex disse ao FT que nunca ouviu falar da Wirecard, e que a sua empresa não vende software, não tem clientes indonésios e nem sequer recorre a uma empresa de pagamentos.




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