Bolsa Allergan, a farmacêutica que todos querem comprar por causa dos impostos

Allergan, a farmacêutica que todos querem comprar por causa dos impostos

A Allergan, que terminou a fusão com a Pfizer esta semana após uma alteração da aplicação de impostos nos EUA, tinha já estado envolvida em outros negócios motivados por vantagens fiscais.
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Vera Ramalhete 09 de abril de 2016 às 11:00

A Pfizer e a Allergan cancelaram um negócio no valor de 160 mil milhões de dólares (140,8 mil milhões de euros), o maior do ano passado e o segundo maior da história. A fusão iria permitir à Pfizer poupar alguns milhares de milhões de dólares em impostos. Quando o governo norte-americano introduziu alterações na lei, que iriam dificultar esse ganho fiscal, as farmacêuticas cancelaram aquela que seria a maior operação de fusões e aquisições de sempre com objectivos fiscais. Mas, esta não é a primeira vez que a Allergan está envolvida neste tipo de fusões.

A Allergan é o resultado de uma fusão com a Actavis, anunciada em 2014. A aquisição, no valor de 72,7 mil milhões de dólares, foi o maior negócio de "tax inversion" realizado pelo menos desde 2011, de acordo com os dados da Dealogic. Este é um tipo de negócio conduzido tipicamente por multinacionais norte-americanas, que adquirem empresas mais pequenas sediadas num país com um regime fiscal mais favorável. A empresa muda depois a sua morada oficial, ainda que, em muitos casos, as operações continuem no país. E, assim, paga menos impostos.

O grande interesse da Pfizer na Allergan era a sua sede na Irlanda. Por isso, uma mudança na forma como são calculados os impostos nos EUA aplicados a empresas com operações no estrangeiro levou as farmacêuticas a terminar por "mútuo acordo" a fusão. Uma decisão justificada com as "acções anunciadas pelo departamento do Tesouro norte-americano, no dia 4 de Abril, que as empresas concluíram que se qualificava na categoria de 'mudança de políticas fiscais adversa' do acordo de fusão", permitindo recuar um negócio que iria permitir à Pfizer poupar cerca de 35 mil milhões de dólares em imposto, de acordo com a Bloomberg.

Acções afundam

Com o fim do negócio, as acções da Allergan afundaram. Caíram 14,71% na terça-feira, quando foi anunciada a alteração, tendo terminado a semana com uma perda de 11,04% para 238,48 dólares. A Pfizer pelo contrário subiu 8,16% para 32,49 dólares por acção, na semana.

Uma fusão com vantagens fiscais "tem de ser apenas a cereja no topo do bolo de uma tese de investimento", diz Robin Milway."As empresas têm primeiro de procurar os métodos tradicionais de criação de valor", destaca o director de "research" em acções da EFG.  

Outras fusões

Também no negócio da compra da Allergan pela Actavis, os ganhos fiscais justificaram o aumento da proposta para conseguir ultrapassar a oferta da Valeant – a farmacêutica que está a colapsar na bolsa, penalizada pelos escândalos de manipulação das contas em que está envolvida, que levaram os investidores a por em causa este modelo de crescimento baseado na aquisição de outras empresas.  

Antes disso, a Actavis tinha também adquirido a Warner Chilcott, por 9,3 mil milhões de dólares, em 2013 – concluindo a sétima maior fusão com objectivos fiscais desde 2011, segundo os dados da Dealogic. Desta forma, mudou-se da Suíça para a Irlanda. Mas, a empresa era originalmente norte-americana. Foi através da compra da Actavis que a Watson (a empresa original) chegou à Europa. 




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