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Analistas acreditam que resultados dos testes de stress provam que a banca está bem capitalizada

O BCP, o único banco português a falhar os testes de stress, deverá registar um desempenho positivo em bolsa, uma vez que o mercado estava a descontar a necessidade de um aumento de capital, um cenário que não se materializou.

Sara Matos/Negócios
Rita Faria afaria@negocios.pt 27 de Outubro de 2014 às 10:30
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Os analistas acreditam que os resultados dos testes de stress à banca, realizados pelo Banco Central Europeu, mostram que o sector financeiro está "bem capitalizado". Das 130 instituições analisadas, 25 chumbaram, elevando para 25 mil milhões de euros as necessidades totais de capital. No entanto, 12 já reforçaram o capital, pelo que não terão de tomar novas medidas para reforçar a solidez.

 

"Os resultados dos testes de stress mostram que o sector da banca está bem capitalizado, mesmo tendo em conta os fortes impactos para a economia no cenário adverso", defende o BESI, numa nota de análise, publicada esta segunda-feira, 27 de Outubro.

 

A unidade de investimento do Novo Banco destaca que, na Europa, foram os bancos italianos que ficaram pior na fotografia, com nove das 15 instituições em análise a falharem os testes do banco central, incluindo o Monte dei Pasci di Siena. Os analistas acreditam que "dado o elevado número de falhas em Itália, é provável que haja uma nova ronda de consolidação entre os bancos do país".

 

Olhando para a Península Ibérica, os analistas do BPI destacam que "dois bancos ficaram abaixo das taxas mínimas mas nenhum terá que aumentar capital ou vender activos".

 

"Embora seja verdade que esses nomes estão na extremidade inferior do ranking, BCP, Liberbank e Popular devem registar um desempenho superior aos seus pares, porque acreditamos que o mercado já tinha descontado, pelo menos em certa medida, a possibilidade de esses bancos serem obrigados a aumentar capital ou vender activos como resultado deste exercício", lê-se na nota de análise do BPI, assinada pelo analista Carlos Peixoto.

 

Apesar do chumbo, analistas mantêm recomendação de compra para as acções do BCP

 

A unidade de investimento do BPI acredita que, ao preço de fecho da sessão da passada sexta-feira, o mercado estava a descontar a possibilidade de o banco liderado por Nuno Amado ser obrigado a fazer um aumento de capital de 900 milhões de euros, em resultado dos testes de stress, "um cenário negativo que não se materializou", destaca a nota de análise.

 

O BCP foi o único banco português que chumbou nos testes de stress do BCE à banca – estavam em análise o BCP, o BPI e a Caixa Geral de Depósitos. No entanto, o banco liderado por Nuno Amado já vendeu a sua exposição ao défice tarifário da EDP para fazer face às necessidades de capital que teria de enfrentar caso houvesse uma crise económica grave. Com esta iniciativa extraordinária, o BCP já não terá de adoptar outras medidas para compensar o facto de ter chumbado no cenário adverso dos testes de stress.

 

"Ao mesmo tempo, acreditamos que o mercado deve ganhar um conforto adicional em relação aos níveis de cobertura do banco", acrescentam os analistas, que mantêm a recomendação de compra para as acções do BCP, deixando o preço-alvo inalterado em 16 cêntimos. Tendo em consideração a cotação actual (9,4 cêntimos), o target tem implícito um potencial de valorização de 70%.

 

Também os analistas do CaixaBI mantiveram a recomendação de compra para as acções do BCP e o preço-alvo de 13 cêntimos, porque "não obstante o resultado apresentado no cenário adverso", os analistas esperam resultados positivos no curto prazo.

 

"Como os resultados do terceiro trimestre demonstraram, entendemos que o banco continuará a materializar a dinâmica positiva dos últimos trimestres, voltando assim a resultados positivos no curto prazo", lê-se na nota de análise do CaixaBI. "O banco passou uma mensagem forte ao mercado ao expressar confiança no plano estratégico definido bem como o facto de estar confiante de que as medidas já decididas em 2014 (e que não foram consideradas no exercício por razões metodológicas dado que a data de referência foi o final de 2013) permitem superar, na sua totalidade, as necessidades de capital decorrentes do cenário adverso, não equacionando ser necessário, qualquer aumento de capital ou a venda forçada de participações estratégicas".

 

Já os analistas do BESI mostram-se menos optimistas em relação aos resultados dos testes de stress realizados ao BCP e consideram que, apesar de não serem necessárias novas medidas para reforçar a solidez, os "holofotes estão postos sobre a força de capital do banco, que é menor do que os seus pares ibéricos".

 

Caixa BI mantém recomendação de "manter" e preço-alvo de 1,50 euros para o BPI

 

Na nota de análise divulgada esta segunda-feira, o CaixaBI manteve a recomendação de "manter" para as acções do BPI, com um target de 1,50 euros, depois de o banco ter apresentado prejuízos de 114 milhões de euros nos primeiros nove meses deste ano e de ter passado nos testes de stress do BCE.

 

"Os resultados do Banco BPI no terceiro trimestre confirmaram (e superaram) as tendências de evolução positiva ao nível da margem financeira e de receitas, mantendo assim uma trajectória de recuperação sustentada", lê-se na nota de research. "A conjugação da dinâmica positiva ao nível das receitas do BPI com uma previsível descida do custo do risco de crédito no exercício de 2015, levarão o banco a melhorar a sua rentabilidade nos próximos trimestres".

 

Os analistas do CaixaBI acrescentam que a posição de capital e liquidez muito favorável deverão sustentar um aumento gradual da actividade comercial nos próximos trimestres, potenciando o regresso a resultados positivos na unidade doméstica. 

 

Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de "research" emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de "research" na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro.

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