Bolsa As viagens de Wall Street na montanha-russa do sentimento bolsista

As viagens de Wall Street na montanha-russa do sentimento bolsista

Há dias em que as bolsas norte-americanas dão uma volta na montanha-russa, passando de ganhos a perdas, ou vice-versa, num ápice. Outros há em que isso acontece… repetidamente. Na sessão de hoje, os principais índices nem chegaram a pôr os dois pés no chão. Sempre que a tendência parecia querer estabilizar, depois da procura frenética por um rumo, as máquinas recomeçavam a andar e só havia tempo de apertar de novo os cintos.
As viagens de Wall Street na montanha-russa do sentimento bolsista
Reuters
Carla Pedro 04 de abril de 2018 às 21:08

Mais uma volta, mais uma viagem. E foi assim que hoje se viveu o dia bolsista em Wall Street. Foi uma autêntica sessão de sobe-e-desce a que decorreu esta quarta-feira do outro lado do Atlântico, ao sabor das tensões comerciais entre os EUA e Pequim.

 

Logo na abertura, tudo em baixo. As bolsas norte-americanas reagiam assim à retaliação de Pequim às novas taxas aduaneiras visadas pelos EUA.

 

Com efeito, apenas tinham passado 11 horas depois de a Administração Trump ter apresentado a lista de cerca de 1.300 produtos chineses [como tecnologia industrial, produtos médicos e ligados aos transportes] que serão taxados com tarifas de 25% à entrada nos EUA, e já Pequim estava a responder com a sua própria lista [como soja, milho, aviões, automóveis, carne de bovino e produtos químicos] – e a incidir sobre o mesmo valor: 50 mil milhões de dólares.

Ao longo do dia, os índices norte-americanos foram evoluindo à boleia dos receios ou da confiança dos consumidores, mas acabaram por fechar no verde, com os ânimos a serem largamente temperados pelas declarações do secretário do Comércio dos EUA, Wilbur Ross, que referiu que a Administração Trump está disposta a negociar com a China para tentar resolver estas fricções.

 

Ross disse em entrevista à CNBC que a resposta da China não deverá perturbar a economia dos EUA – Trump chegou mesmo a dizer que o défice norte-americano já bateu no fundo e que pior não pode ficar –, já que era uma reacção esperada. E acrescentou que os Estados Unidos não estão a entrar na III Guerra Mundial, deixando a porta aberta a uma solução negociada entre Washington e Pequim.

 

Este tom conciliador acabou por ser o que ditou o sentimento final em Wall Street, com os índices animados pela perspectiva de uma resolução para esta guerra comercial. Além disso, está prestes a arrancar a temporada de divulgação dos resultados do primeiro trimestre, que se esperam robustos, o que também ajudou a um maior optimismo.

 

De qualquer das formas, amanhã tudo pode mudar. Ontem, um analista dizia à Bloomberg que se espera que esta semana seja assim: com mudanças de humor na última hora.

 

Por agora, com o horário regular encerrado, o caminho tem uma seta a apontar para cima.

 

O Dow Jones encerrou a valorizar 0,96% para 24.264,30 pontos, e o Standard & Poor’s 500 avançou 1,16% para 2.644,69 pontos.

 

Por seu lado, o Nasdaq Composite fechou a ganhar 1,45%, para 7.042,11 pontos, num dia em que o sector tecnológico descansou da marcação cerrada que Trump tem feito à Amazon, acusando-a de custar muito dinheiro aos serviços postais dos EUA e de fugir aos impostos.

O sector tecnológico registou assim um bom desempenho, manchado apenas pelos dissabores do Facebook, que terminou o dia em território negativo depois de ter sido anunciado que o seu co-fundador e CEO, Mark Zuckerberg, irá testemunhar perante o Congresso norte-americano no próximo dia 11 de Abril relativamente ao uso indevido dos dados de 87 milhões de utilizadores da rede social.

 

Do lado das perdas, a construtora aeronáutica Boeing foi a cotada que mais travou os ganhos do Dow Jones, devido à sua exposição à China – já que o seu 727 deverá ser abrangido pela lista de Pequim. No entanto, fechou bem acima dos mínimos da sessão, com uma queda de 1% para 327,44 dólares, depois de ter chegado a negociar nos 311,88 dólares.


(notícia actualizada às 21:49)




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