Bolsa Banif cai perto de 19% em sessão de novo mínimo histórico

Banif cai perto de 19% em sessão de novo mínimo histórico

Pelo segundo dia consecutivo o banco liderado por Jorge Tomé negociou em mínimos históricos. Isto numa altura em que os investidores continuam apreensivos relativamente à capacidade do banco para devolver a ajuda recebida do Estado.
Banif cai perto de 19% em sessão de novo mínimo histórico
Miguel Baltazar

O Banif desvalorizou 18,75% para fechar a sessão nos 0,0013 euros, o que representa o valor de fecho mais baixo de sempre do banco madeirense. Isto numa sessão em que os títulos do Banif tocaram nos 0,0012 euros, o valor mais baixo de sempre atingido pela instituição. Esta quarta-feira, 9 de Dezembro, foi mesmo o segundo dia consecutivo em que a instituição financeira transaccionou em mínimos históricos.

Foi também a quinta sessão seguida a transaccionar em terreno negativo, num dia em que os títulos do Banif não saíram do vermelho, alternando entre perdas superiores a 26% e uma queda mínima de 1,54%.

 

Uma vez mais, à imagem do sucedido no dia de ontem, também nesta quarta-feira os títulos do banco registaram uma forte liquidez. Trocaram de mãos ao longo do dia quase 845 milhões de títulos, valor que compara com a média diária dos últimos seis meses que é inferior a 140 milhões. Desde o início deste ano, o banco liderado por Jorge Tomé já perdeu 77,14% do seu valor em bolsa, para uma capitalização bolsista de 150,3 milhões de euros.

 

Reina entre os investidores uma forte preocupação em relação àquele que será o futuro da instituição. Em concreto, os investidores demonstram preocupação face à real capacidade do Banif para reembolsar ao Estado a ajuda de que foi alvo.

 

A instituição tem vindo a ser penalizada pelos receios em relação à sua capacidade para reembolsar a ajuda estatal que recebeu, depois da própria Comissão Europeia ter adiantado que tem as "maiores dúvidas" sobre a capacidade do Banif de assegurar "o reembolso do auxílio estatal, tal como apresentado no plano de reestruturação (…), em virtude dos repetidos atrasos na recompra dos ‘CoCos’".

Pedro Ricardo Santos considera mesmo que "são cada vez mais os investidores que duvidam da capacidade do banco devolver ao Estado o montante por este injectado". O gestor da XTB Portugal defende que tem "sido evidente a incapacidade da actual equipa de gestão de estancar a saída de capitais dos banco, bem como a perda de rentabilidade do negócio principal".

 

Precisamente para ajudar a lidar com estes problemas, o Banif terá contratado a "boutique" financeira espanhola N+1 para ajudar a definir o futuro do banco, noticia o Diário Económico, que revela ainda que a contratação teve lugar recentemente e insere-se nos esforços do banco para encontrar uma solução privada, que assegure o reembolso dos 825 milhões de euros em dívida ao Estado.

Ainda no início desta semana, o presidente do Conselho de Administração do banco defendeu que "proteger o Banif é proteger o dinheiro dos contribuintes que nele foi aplicado". Luís Amado recorda que o Estado é o maior accionista do Banif, após a capitalização decidida pelo Banco de Portugal e pelo Governo em 2012.

No entanto, p
ara o gestor da XTB Portugal, o discurso de Luís Amado "parece não estar a suscitar os efeitos desejados", pelo que Pedro Ricardo Santos considera que tendo o Banif é "pouco atractivo para os gigantes do sector", isto tendo em conta a "irrelevância da posição do banco no mercado português".

"O Banif continua a ser fonte de elevadas preocupações. A dificuldade em achar um verdadeiro interessado na instituição

está a fazer arrastar um processo, que quanto mais tempo demora mais penalizante é para o banco", conclui Pedro Ricardo Santos.




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