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Barclays recomenda comprar ações dos EUA e evitar de emergentes

A cautela reflete a perspectiva económica em deterioração dos países em desenvolvimento. Muitos economistas projetam um crescimento zero para este ano, e grandes economias como Índia, África do Sul, México, Brasil e Rússia devem entrar em recessão.

Reuters
Bloomberg 10 de Junho de 2020 às 11:15
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As ações dos mercados emergentes podem estar a revelar uma recuperação, mas os investidores abastados deveriam evitar os muitos riscos que ainda existem nos países em desenvolvimento, segundo o Barclays. Assim, o banco recomenda aos seus clientes com alto património líquido em mercados emergentes para investirem em ações dos EUA, apesar do vertiginoso rally do S&P 500.

 

Países como a Índia, Brasil e Rússia tornaram-se o epicentro da pandemia de coronavírus, com as economias paralisadas e os governos com dificuldades para fornecerem os estímulos adequados. Os seus orçamentos restritos empalidecem em comparação com o apoio praticamente "ilimitado" oferecido pela Reserva Federa norte-americana e governo dos EUA, comentou Salman Haider, do Barclays Private Bank.

 

"Comparadas com os EUA, as economias de mercados emergentes parecem mais vulneráveis", referiu Haider, responsável pelo departamento dos mercados de crescimento global. "Os seus bancos centrais têm menos margem de manobra, os seus governos podem não ser capazes de fornecer suporte ilimitado e os mercados acionistas, devido ao ‘mix’ de setores, podem ser mais desafiados por uma desaceleração económica".

 

A incapacidade dos mercados emergentes de saírem da crise pode colocá-los em desvantagem de crescimento em relação aos EUA, cujo pacote de apoio orçamental responde por pelo menos 12% do PIB. Essa desvantagem também pode interromper a recuperação inicial de ações de países em desenvolvimento, que tiveram um desempenho inferior em relação às bolsas dos EUA desde o início da guerra comercial em 2018.

 

Mesmo depois da valorização de 33% desde o fim de março, quando a onda de pânico diminuiu, as ações dos mercados emergentes ainda cedem 10% no acumulado do ano, ao passo que o S&P 500 regista uma subida de 45% em relação aos valores mínimos atingidos em 2020. Neste momento, as ações dos emergentes são negociadas com um desconto de 36% em relação às ações dos EUA, em comparação com 25% há três meses. Os operadores do mercado de futuros cortaram as posições compradoras líquidas para o nível mais baixo desde janeiro de 2016, de acordo com dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities.

 

A cautela reflete a perspectiva económica em deterioração dos países em desenvolvimento. Muitos economistas projetam um crescimento zero para este ano, e grandes economias como Índia, África do Sul, México, Brasil e Rússia devem entrar em recessão.

 

Haider investirá cerca de 30% de uma carteira de multiativos em ações dos EUA porque, a médio prazo, oferecem "o perfil mais atrativo de risco-recompensa".

 

O estratega do Barclays mostra-se pessimista em relação à dívida dos mercados emergentes, também devido às dificuldades de refinanciamento e a défices insustentáveis, apesar das "yields" relativamente altas, e tem apenas uma "exposição seletiva" a títulos de mercados emergentes nesse estágio.

 

Embora um "default" ou reestruturação iminente não pareçam prováveis na maioria dos países, os títulos de dívida do Sri Lanka, Honduras, Angola e Turquia estão expostos a uma maior volatilidade, considera Haider.

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