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BCP afunda 15% e regista a maior queda desde 2002. BPI quase 9% e Banif perto de 6%

O sistema financeiro nacional acentuou a tendência de queda já verificada na sessão de terça-feira. O receio de que surjam "novos" BES está a contribuir para as desvalorizações do sistema financeiro, numa altura em que os investidores parecem estar a fugir de activos considerados mais arriscados. BCP regista maior queda desde Outubro de 2002.

Sara Matos/Negócios
David Santiago dsantiago@negocios.pt 06 de Agosto de 2014 às 17:29
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O BCP liderou as perdas registadas na sessão desta quarta-feira pelo sector financeiro português. O banco liderado por Nuno Amado caiu 15,07% para 8,8 cêntimos, tendo negociado em mínimos de 25 de Maio deste ano quando chegou a negociar nos 8,72 cêntimos por acção. A descida do BCP foi a maior desde o dia 23 de Outubro de 2002, sessão em que desvalorizou 15,71% para negociar 49,36 cêntimos.

 

Ao longo do dia foram transaccionadas 786 milhões de acções do banco, o que compara com a média diária dos últimos seis meses de 305 milhões.

 

Também o BPI e o Banif acumularam fortes perdas ao longo da sessão. O BPI perdeu 8,83% para 1,25 euros, sendo este um mínimo de 3 de Janeiro deste ano. Trata-se da maior queda numa sessão desde 14 de Dezembro de 2011, dia em que caiu 8,96%. Com as quedas recentes, o banco liderado por Fernando Ulrich, reduz para 2,8% o ganho desde o início do ano. Trocaram de mãos, durante a sessão, cerca de 5 milhões de títulos, o que compara com aproximadamente 2,6 milhões que é a média diária, nos últimos seis meses, de acções negociadas. 

 

Já o Banif desceu 5,88% para 0,8 cêntimos, aquela que é a maior descida desde 10 de Julho deste ano quando caiu 7,24%. O banco conduzido por Jorge Tomé, numa sessão em que os títulos foram sempre negociados em terreno negativo, acabou por registar mínimos de 29 de Novembro de 2013 ao negociar nos 0,78 cêntimos por acção.

 

O Banif acentua a desvalorização bolsista, desde o início do ano, para os 23,81% num dia em que foram negociadas 214 milhões de acções, face à média diária do último meio ano que é de 203 milhões.

 

A justificar a queda da banca está, sobretudo, os efeitos provocados pelo resgate ao BES, que não se fizeram sentir somente em Portugal. Na Europa a sessão também foi de queda, com o sistema financeiro, em particular, a penalizar as principais praças europeias, com especial destaque para os países periféricos. O Stoxx para a banca caiu 1,34% para 187,87 pontos.

 

A solução encontrada para resolver a crise do BES é o factor que mais está a contribuir para o sentimento de desconfiança generalizada dos investidores no sistema financeiro europeu.

 

O facto de os accionistas do BES terem passado a deter apenas o banco mau significa que, apesar de ainda poderem vir a recuperar parte das perdas, depois da liquidação do banco, os detentores de acções dos bancos perderam, por enquanto, tudo.

 

A pressionar o sector financeiro esteve também a subida das taxas de juro, no mercado secundário, dos países periféricos, enquanto os juros associados às "bunds" (obrigações alemãs) desceram, o que espelha os receios dos investidores que se tentam proteger de activos considerados menos seguros. 

 

(Notícia actualizada às 18h25m com mais informação)

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