Bolsa BCP no melhor ano de sempre, BES desde 2006 e Banif nos mínimos: assim foi 2013 na banca

BCP no melhor ano de sempre, BES desde 2006 e Banif nos mínimos: assim foi 2013 na banca

Foi com contrastes que se viveu 2013 na banca nacional. Uns com o melhor ano desde há muito tempo, outros no pior momento da sua história. Em comum têm a austeridade, o corte de pessoal e a redução de balcões.
BCP no melhor ano de sempre, BES desde 2006 e Banif nos mínimos: assim foi 2013 na banca
Diogo Cavaleiro 31 de dezembro de 2013 às 16:05

O ano dos planos de reestruturação, dos despedimentos e da redução de balcões. Foi assim 2013 na história dos principais bancos nacionais. Uma história que não acompanhou a vida em bolsa. 2013 foi o ano da recuperação de valor. O melhor ano de sempre para o BCP, o melhor dos últimos sete anos para o BES. O BPI manteve-se em ascensão, depois de duplicar de valor no ano anterior. O Banif foi a excepção.

 

BCP e o melhor ano de sempre

 

Num ano em que abandonou a Grécia, o banco liderado por Nuno Amado deu as boas-vindas a um período nunca antes visto. O BCP acabou 2012 a cotar-se nos 7,5 cêntimos. Pouco depois do início do ano, era notícia que havia alcançado os 10 cêntimos. Cerca de 12 meses depois, a “barreira” a ser superada está apontada para os 20 cêntimos. São valores que não eram vistos desde Agosto de 2011. 2013, além do máximo de mais de dois anos, trouxe uma novidade para o banco: o BCP agora negoceia com quatro casas decimais.

 

O BCP somou 121,87% neste 2013 para os 0,1664 euros, grande parte devido aos últimos três meses, apresentando o segundo melhor comportamento do PSI-20, apenas atrás da Mota-Engil. A instituição financeira não tinha um ano positivo em bolsa desde 2009, ano em que ganhou menos de 4%.

 

BPI e o segundo ano consecutivo de ganhos

 

Para o banco de Amado, este foi o ano em que acordou um plano de reestruturação com a Comissão Europeia devido à ajuda estatal que recebeu. Não foi o único. O BPI também teve de o fazer. Só que a entidade dirigida por Fernando Ulrich já começou a devolver o apoio público que recebeu. E também já apresenta lucros. Ainda assim, em bolsa, foi superado pelo BCP.

 

Depois de, no ano passado, o BPI ter duplicado de valor, o desempenho não foi repetido este ano, ainda que o banco tenha acumulado uma subida de 28,95% para os 1,216 euros. São dois anos consecutivos de recuperação, algo que não acontecia desde 2005 e 2006.

 

BES e o alegado golpe de Estado

 

O único dos grandes bancos a dispensar a ajuda do Estado para se capitalizar surpreendeu com prejuízos. Por isso, o Banco Espírito Santo também teve de impor austeridade. Um esforço para enfrentar um ano difícil dentro de portas. Foi conhecido o “golpe de Estado”, posteriormente negado, mas que desencadeou o processo de sucessão de Ricardo Salgado da presidência executiva do banco, com José Maria Ricciardi como um dos possíveis candidatos.

 

A instabilidade não impediu, contudo, que o BES, em bolsa, vivesse um período que não registava desde 2006. Nesse ano, subiu 28% e, desde aí, nunca mais se conseguiu valorizar com maior expressão. 2012 foi um ano de ganhos, mas de 9,9%. No ano que agora termina, a valorização foi mais positiva: 16,09% para 1,039 euros.

 

O BES foi o banco que mais se aproximou do desempenho do índice de referência da Bolsa de Lisboa. O PSI-20 somou 15,98% em 2013.

 

ESFG e os mínimos

 

O Espírito Santo Financial Group não acompanhou o banco que controla, o BES, e desvalorizou-se. A quebra foi ligeira de 7,99% mas o saldo permanece negativo, neste ano em que deixou de integrar o PSI-20 em Março para depois voltar a fazê-lo em Junho.

 

Foi o ano em que a empresa financeira desceu abaixo dos 5 euros para registar um novo mínimo histórico. Isto quando anunciou que é sua intenção cotar a participação que detém na Espírito Santo Saúde em bolsa no próximo ano.

 

Banif e a negociação em 1 cêntimo

 

O Banif é o maior protagonista do PSI-20 e da banca, olhando pela perspectiva negativa. Jorge Tomé comandou uma cotada que teve de realizar um aumento de capital em várias fases, numa altura em que ainda cumpre a obrigatoriedade de cortar de pessoal e fechar balcões.

 

Um dos passos do plano de aumento de capital está por concluir – encontrar investidores internacionais que aí injectem dinheiro. Uma das fases do aumento de capital fez com que, em bolsa, as acções do banco passassem a valer menos. Foi uma quebra anual de 92,81% para 0,0105 euros. Tal como o BCP, o Banif está cotado em quatro casas decimais. A negociação tem sido feita em torno da casa de 1 cêntimo, mas já chegou a ser inferior a esse valor.




pub

Marketing Automation certified by E-GOI