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BCP afunda 6% na bolsa de Lisboa com notícias sobre venda de posição no banco polaco

O BCP detém actualmente 66% do banco polaco e poderá reduzir a sua posição para os 50%, segundo a imprensa daquele país. Nuno Amado garantiu recentemente que "a Polónia é estratégica" para o BCP. As acções estão a deslizar em bolsa.

Miguel Baltazar/Negócios
André Cabrita-Mendes andremendes@negocios.pt 20 de Novembro de 2014 às 12:37
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As acções do BCP estão a afundar na bolsa de Lisboa com a possibilidade do banco desfazer-se de parte da sua operação na Polónia. A cotação da instituição presidida por Nuno Amado está a afundar 6,06% para 7,48 cêntimos na sessão desta quinta-feira, 20 de Novembro.

 

Esta queda acontece no dia em que a imprensa polaca avança que o BCP pode reduzir a sua posição no Bank Millennium. Segundo o jornal Puls Biznesu, a instituição portuguesa pode vir a vender em bolsa uma posição até 16%, operação que poderá vir a render 360 milhões de euros para os cofres do BCP.

 

Ao mesmo tempo, o Bank Millenium sofreu a maior queda em quatro meses na bolsa de Varsóvia: caiu 6,7% para 7,66 zlotys. Apesar da queda de hoje, o Millenium é a cotada com a segunda maior valorização na praça polaca este ano, acumulando um ganho de 7,4%.

 

O BCP detém actualmente 66% do banco polaco e mesmo com a venda desta fatia iria ficar numa posição de controlo. A operação polaca aumentou em 5,8% os seus lucros para os 41,4 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano. Já as receitas cresceram 25,6% para 117,8 milhões de euros.

 

Segundo analistas consultados pela Bloomberg, os lucros do banco polaco deverão subir 22% para os 652 milhões de zlotys este ano (154,6 milhões de euros).

 

A venda da operação polaca, ou parte dela, foi completamente rejeitada pelo presidente do BCP recentemente. "A Polónia é estratégica e não está nos nossos planos a venda dessa operação", disse Nuno Amado a 28 de Outubro durante a apresentação dos resultado semestrais.

 

"Não se equaciona quer um aumento de capital quer uma venda forçada de participações estratégicas", garantiu.

 

"A actual avaliação do Millenium é quase 80% mais elevada que a avaliação do activo no balanço do BCP, o que poderá permitir ao banco português encaixar um lucro substancial em qualquer venda e manter o controlo do banco polaco", disse à Bloomberg o analista Pawel Jozub da UniCredit.

 

Por outro lado, a venda desta fatia só faria sentido se o Banco Central Europeu não estivesse à vontade com o plano de capitalização do BCP depois dos testes de stress. "Não esperamos que o BCP tenha de reforçar os seus rácios de capital, mas uma venda do Millennium, total ou parcial, é uma carta na manga para o BCP no futuro em caso de dificultades", segundo uma nota do BESI.

 

É de recordar que o BCP chumbou no cenário mais adverso nos testes de stress do Banco Central Europeu (BCE). Contudo, a autoridade monetária teve em conta o balanço dos bancos europeus no final do ano passado, altura em que o BCP ainda não tinha reforçado o seu rácio de capital, o que veio a acontecer em Julho.

 

Para tentar não chumbar no cenário mais adverso desta avaliação, o BCP queria que o BCE considerasse a hipótese de venda da operação na Polónia no cenário mais adverso, de acordo com a TSF.  Mas, conforme avançou a estação de rádio a 26 de Outubro, o BCE não aceitou esta solução. Nos seus testes, a venda do Millennium seria suficiente para aumentar o rácio de capital dos 3,5% para os 5,5% - o mínimo no cenário mais adverso -, podendo assim evitar o chumbo.

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