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BCP perde um quarto do valor na pior semana em cinco anos

Foi uma semana negra para o BCP. As acções atingiram o valor mais baixo de sempre, com a capitalização bolsista do maior banco privado português a baixar 472 milhões de euros. Hoje recuaram mais de 10% e no acumulado do ano já caem mais de 50%.

Bruno Simão
Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 03 de Junho de 2016 às 16:52
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As acções do Banco Comercial Português fecharam a recuar 10,07% para 0,024 euros, o que corresponde a um novo mínimo histórico.

 

Foi o culminar de uma semana negra em bolsa para o maior banco privado português, que foi penalizado por uma série de notícias negativas e recomendações de bancos de investimento desfavoráveis.

 

Esta foi a sétima sessão de queda para as acções do BCP, sendo que tendo em conta apenas esta semana, os títulos desvalorizaram 25%. Uma queda que corresponde a uma perda de capitalização bolsista de 472 milhões de euros. Dá uma média de 12,6 milhões de euros por hora, ou 210 mil euros por minuto.

 

A queda nas últimas cinco sessões foi a maior desde a semana terminada a 4 de Novembro, quando o banco também depreciou 25% em cinco sessões, depois de ter anunciado prejuízos devido à exposição à dívida grega.

 

O maior banco privado português tem agora uma capitalização bolsista de 1.416 milhões de euros, apenas a nona mais elevada do PSI-20 e que é inferior ao BPI, um banco com uma dimensão bem inferior à do BCP.

 

A queda do BCP aconteceu também num contexto de algum regresso da turbulência à banca europeia, sobretudo no Sul, depois de o espanhol Popular ter anunciado um aumento de capital para fazer face à depreciação dos activos imobiliários e aumento do crédito mal parado. Os receios que o BCP tenha que realizar um aumento de capital, sobretudo se entrar na corrida ao Novo Banco, também justificam a fuga dos investidores do BCP. 

 

Saída do MSCI Global deu o mote. Acções recuam 50% em 2016

 

A queda mais forte aconteceu na quarta-feira, dia em que as acções afundaram mais de 10% e igualaram o mínimo histórico de 2012. Foi precisamente nesse dia que as acções foram excluídas do índice MSCI Global, o que levou muitos investidores a venderem acções para reflectir esta alteração.

 

Na véspera foram negociadas mais de 2 mil milhões de acções do BCP e desde então a liquidez tem sido superior ao habitual, sempre acima dos 500 milhões de títulos por dia.

A forte queda de quarta-feira levou a CMVM a proibir a venda a descoberto das acções na sessão seguinte. Na quinta-feira os títulos estiveram em recuperação durante quase toda a sessão, mas uma pressão vendedora no último minuto atirou a cotação para um novo mínimo histórico nos 0,0267 euros.

 

Esta sexta-feira as acções também arrancaram em alta, mas rapidamente inverteram para terreno negativo, onde permaneceram até final.

 

Com esta série de quedas sucessivas, o BCP já acumula uma desvalorização de 50,9% desde o início do ano. Trata-se do pior desempenho entre as cotadas do PSI-20.

 

Nuno Amado justificou, ao Negócios, a forte descida das acções do banco na quarta-feira com o facto de o BCP ter sido despromovido do índice MSCI Global, passando a integrar o índice para as pequenas capitalizações. "Como há pouco tempo houve uma subida de 12% por termos entrado no MSCI Global, esta queda é essa correcção", explicou o líder do maior banco privado português, na quarta-feira.


O presidente do BCP garantiu ainda que o banco está a ir no caminho certo. "Apresentámos 47 milhões de euros de lucros no trimestre e não vamos alterar este rumo de rentabilidade consistente e recorrente", explicou.

 

Alertas dos analistas

 

A semana fica também marcada por duas notas de "research" com  comentários desfavoráveis para o BCP.

 

Apesar das justificações de Nuno Amado, o mercado continua a temer que o banco seja obrigado a avançar com um aumento de capital, sobretudo após o anúncio surpresa da operação de reforço de capitais do espanhol Popular. Numa análise divulgada esta quarta-feira, o Goldman Sachs considerou que o BCP está entre os bancos mais vulneráveis a comparações com o Banco Popular, que anunciou um aumento de capital de 2.500 milhões de euros.

 

Já esta quinta-feira o BCP foi alvo de mais uma análise negativa por parte de um banco de investimento internacional. O Société Générale (SG) reduziu o preço-alvo do BCP de 5 para 3,2 cêntimos, enquanto a recomendação passou de "comprar" para "neutral".

 

Numa nota a que o Negócios teve acesso, o analista Carlos Garcia-Gonzalez explica que há ainda muitos assuntos por resolver no sistema bancário, que podem pressionar as acções do banco. 

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