Bolsa BES vale menos de metade do que valia no final do ano passado

BES vale menos de metade do que valia no final do ano passado

Só nas últimas seis sessões, a descida das acções do Banco Espírito Santo foi de 41%. Há dois anos que o banco agora sob o comando de Vítor Bento não negoceia em níveis tão reduzidos. Há um mês que a troca de acções supera a média.
BES vale menos de metade do que valia no final do ano passado
Bloomberg
Diogo Cavaleiro 14 de julho de 2014 às 16:49

Vítor Bento assumiu esta segunda-feira, 14 de Julho, o leme do Banco Espírito Santo, ocupando um lugar que Ricardo Salgado liderava há mais de 20 anos. Uma mudança que não impediu que o banco mantivesse a trajectória que o caracterizou nas cinco sessões anteriores: a descendente.

 

As acções do BES fecharam esta segunda-feira, 14 de Julho, a valer 0,445 euros. O que resulta numa capitalização bolsista de 2.503 milhões de euros. Ajustando a cotação ao aumento de capital, os títulos começaram o ano acima de 1 euro. Os 0,445 euros desta sessão são 53% inferiores ao preço apresentado no final do ano passado.

 

Uma quebra que se deve ao desempenho em bolsa nas últimas semanas mas sobretudo ao comportamento das últimas seis sessões. Só neste período, os títulos resvalaram 41%. Nos últimos seis dias, a queda menos expressiva no fecho da sessão foi uma desvalorização de 4,65%, na quarta-feira. Na quinta-feira, dia em que as acções forma suspensas da negociação pela CMVM, a queda ascendeu a 17%. Em todas estas sessões, a volatilidade esteve presente, com uma grande distância entre a variação mais positiva e a mais negativa. Como esta segunda-feira, em que arracando com uma valorização de 7%, os títulos chegaram a cair mais de 11%, tendo estagnado numa descida em torno dos 7% e 8% desde as 10 horas da manhã.

 

A queda desta segunda-feira ocorreu apesar de os investidores estarem proibidos, pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, de apostarem na queda dos títulos ("short selling") até terça-feira.

 

A questão da liderança do banco era uma das questões que estava a pesar sobre a instituição financeira. Este fim-de-semana, o Banco de Portugal acabou por obrigar Ricardo Salgado a abandonar, já, as suas funções executivas dando lugar à equipa chefiada por Vítor Bento, em que está presente João Moreira Rato e José Honório, o que aconteceu já hoje.

 

Tal como nas sessões anteriores, o volume de troca de acções do BES voltou a acontecer. Foram negociados 95 milhões de títulos da cotada, abaixo dos 121 milhões transaccionados na sexta-feira mas acima da média dos últimos seis meses de 29 milhões.

 

Apesar da forte quebra do BES, o índice de referência PSI-20 somou 0,63%. É o segundo dia consecutivo que o banco contraria o desempenho da generalidade da Bolsa de Lisboa.

 

Protecção contra credores no GES, "rating" do BES em risco

 

Em dúvida está, contudo, a situação nas várias sociedades do Grupo Espírito Santo. O Negócios avança esta segunda-feira que a Espírito Santo International, a Rioforte e o Espírito Santo Financial Group preparam-se para pedir protecção de credores, para que façam uma "gestão controlada", de modo a evitar a pressão que existe neste momento sobre elas. O BES tem sido apontado como o principal credor das instituições. Entretanto, há a questão da Portugal Telecom, a quem a Rioforte deve 897 milhões de euros, sendo que a grande fatia deste empréstimo tem de ser paga esta terça-feira, 15 de Julho.

 

Todos estes factores já levaram a uma actuação por parte das agências de notação financeira. A Moody’s e a Standard & Poor’s optaram por cortar a classificação de risco da dívida do banco, enquanto a DBRS avisou que poderá também fazê-lo. O que tem um impacto "negativo" sobre as acções do BES, segundo a casa de investimento do BPI, já que poderá levar a uma deterioração adicional das condições de financiamento do banco. A Moody’s voltou esta segunda-feira a avisar que os outros bancos portugueses também podem ser afectados.

 

Há ainda a pesar a incerteza sobre a posição que a família Espírito Santo tem no BES, através do Espírito Santo Financial Group. Na sexta-feira, foi noticiado que o Nomura accionou uma cláusula que lhe permite ficar com 4,99% do capital do BES, o que reduziu a participação familiar para 20,1%. Essa redução da posição foi confirmada esta segunda-feira. 20% dessa posição consolidada tem de ser mantida devido a compromissos assumidos na emissão de obrigações de Novembro de 2013.

 

Em bolsa, o ESFG não está a negociar desde que pediu a suspensão da negociação na quinta-feira. Nesse dia, a "holding" fechou a negociar nos 1,185 euros, o valor mais baixo de sempre.

 

 

 




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