Bolsa Bolsa brasileira festeja vitória de Bolsonaro com maior subida em dois anos

Bolsa brasileira festeja vitória de Bolsonaro com maior subida em dois anos

O Ibovespa atingiu uma valorização máxima de 5,7% e o real brasileiro está a ganhar mais de 2%.
Bolsa brasileira festeja vitória de Bolsonaro com maior subida em dois anos
Reuters

Os investidores ficaram agradados com a vitória de Jair Bolsonaro nas eleições brasileiras. A bolsa de São Paulo abriu em forte alta – o Ibovespa atingiu uma subida máxima de 5,7% - e a moeda está a ganhar 2,2% para 3,7589 reais por dólar.

 

No mercado de dívida soberana, a vitória do candidato de extrema-direita também se está a fazer sentir. A "yield" das obrigações brasileiras com maturidade em 2021 (três anos) está a descer 23 pontos base para 1,5%, de acordo com a Bloomberg.

 

Foi por um triz que Bolsonaro não foi já eleito presidente do Brasil, com o candidato da direita radical a obter 46,03% dos votos. Vai agora disputar, a 28 de Outubro, a segunda volta com o candidato do PT, Fernando Haddad, que alcançou 29,28%.

 

As cotadas de maior dimensão estão a liderar o avanço da bolsa brasileira, com destaque para a petrolífera estatal Petrobras, que dispara 11%. No sector financeiro o Itau e o Bradesco também registam ganhos expressivos.

 

Diz a Bloomberg que este desempenho dos activos brasileiros reforça a ideia de que Bolsonaro é a melhor opção para evitar o regresso da esquerda ao poder no Brasil e as políticas económicas que foram implementadas nos últimos anos. Medidas que muitos apontam como culpadas pela recente recessão que assolou a maior economia da América Latina, que foi a mais pronunciada do último século.

 

O candidato do PSL às eleições para a presidência do Brasil aposta na redução da dívida pública através da privatização dos principais activos do Estado e na flexibilização do mercado laboral, o que é bem visto pelos investidores.

Ministro das Finanças é "amigo" dos mercados

A preferência dos investidores por Bolsonaro deve-se em muito à escolha do deputado federal para ficar com a pasta das Finanças: Paulo Guedes, um economista ultraliberal formado na conhecida Universidade de Chicago. Além de que os analistas acreditam que o pulso firme do candidato conservador criará condições para seguir as chamadas reformas estruturais, iniciadas por Temer mas interrompidas quando este foi implicado na Lava Jato. 


Apesar de Paulo Guedes ser "amigo" dos mercados e da reação estar a ser positiva, vários analistas colocam em causa a convivência do provável próximo ministro das Finanças com Bolsonaro. É que nunca nos últimos 30 anos o candidato do PSL votou a favor de medidas que são defendidas por Paulo Guedes. 
 

"É um negócio fechado. [Bolsonaro] vai ser o próximo presidente do Brasil, a menos que aconteça algo nunca antes visto", diz à Bloomberg Bernd Berg, analista da Woodman Asset Management, em Zurique. "A vitória mais folgada do que o esperado do candidato conservador no Congresso é altamente positivo para os activos brasileiros no curto prazo dado que melhora a perspectiva para as muito necessárias reformas a implementar por um governo de centro-direita", diz Berg, que estima uma subida do Ibovespa até aos 100.000 pontos.

 

Além de ter ficado à beira da vitória na primeira volta, o PSL tornou-se a segunda maior força política no Congresso brasileiro, o que reforça a expectativa de maior apoio deste órgão ao Executivo liderado por Bolsonaro.  




As propostas de Bolsonaro para a economia

Cortar dívida em 20%
Executar um programa de privatizações, concessões e venda de activos imobiliários para reduzir em 20% a dívida pública que, em 2017, se fixava em 84% do PIB brasileiro. Privatizações podem gerar 700 mil milhões de reais (152,3 mil milhões de euros). 

Excedente primário
Assegurar, em 2019, um saldo primário (exclui pagamento de juros) neutro para logo em 2020 conseguir registar um excedente orçamental sem contar com o serviço da dívida. 

Inflação de 4,5%
Define uma meta de 4,5% para a inflação - em 2017 foi de 2,95%- objectivo a alcançar através da consolidação das contas públicas e maior flexibilidade ao nível monetário.

Uniformização fiscal
Imposto único que uniformize os diferentes regimes fiscais ao nível federal. Reduzir a carga fiscal, com programas de desburocratização e controlo mais apertado da despesa pública, para captar investimento.

Fim da unicidade sindical
Terminar com a unicidade sindical, dando liberdade de escolha aos trabalhadores. Salários mais altos para os homens porque as mulheres engravidam.

Super-ministério 
Um superministério da Economia, fundindo quatro pastas: Fazenda, Planeamento, Indústria e Comércio. Com tutela também sobre a Caixa Economica Federal, o Banco do Brasil e o BNDES. 

 




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