Bolsa Bolsa grega afunda e juros disparam com perspectiva de Eurogrupo extraordinário

Bolsa grega afunda e juros disparam com perspectiva de Eurogrupo extraordinário

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, rejeita uma cimeira, como pedido por Tsipras, mas admite ser necessário agendar uma reunião extra dos ministros das Finanças da Zona Euro para superar o impasse das negociações com a Grécia. Os mercados ressentem-se da incerteza.
Bolsa grega afunda e juros disparam com perspectiva de Eurogrupo extraordinário
REUTERS
Rita Faria 27 de abril de 2016 às 12:08

A bolsa grega está a afundar e os juros da dívida pública a disparar no mercado secundário esta quarta-feira, 27 de Abril, depois de o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, ter rejeitado o pedido de Alexis Tsipras para agendar uma cimeira extraordinária, admitido porém um novo encontro do Eurogrupo para os próximos dias, com o objectivo de ultrapassar o impasse nas negociações entre o Governo de Atenas e os credores.

 

"Estou convencido de que ainda há trabalho a fazer pelos ministros das Finanças", reconheceu Tusk, esta manhã, em declarações aos jornalistas em Bruxelas. "Temos de evitar uma situação de renovada incerteza para a Grécia".

 

Por esse motivo, "precisamos de uma data específica para o novo encontro do Eurogrupo, e não no futuro distante, não estou a falar de semanas mas de dias", acrescentou o presidente do Conselho Europeu.

 

As declarações de Tusk surgem depois de os meios de comunicação gregos terem avançado que o primeiro-ministro Alexis Tsipras se preparava para pedir, esta quarta-feira, a convocação de uma cimeira extraordinária na sequência do fracasso das negociações com os credores.  

 
Entretanto, o gabinete do primeiro-ministro confirmou esse pedido. 
"O primeiro-ministro pediu ao presidente Tusk que, se não for possível confirmar uma reunião do Eurogrupo nas próximas horas, que tomasse a iniciativa de convocar uma cimeira...para evitar um novo ciclo de incerteza na Zona Euro", declarou o gabinete de Tsipras, em comunicado. 

 

A bolsa de Atenas desvaloriza 4,56% pressionada sobretudo pelo sector financeiro. O índice que reúne os maiores bancos do país, o FTSE/Athex Banks Index, afunda 8,86%. As maiores quedas são protagonizadas pelo Eurobank Ergasias, que cede 11,46%, e pelo Piraeus Bank, com uma descida de 10,74%.

 

No mercado secundário, a ‘yield’ associada às obrigações gregas a dez anos dispara 39,7 pontos base para 8,999%, 

 

Na terça-feira à noite, os credores pediram uma interrupção das negociações perante a impossibilidade de chegar a um acordo sobre o plano de contingência adicional exigido pelos ministros das Finanças da Zona Euro, no valor de 3.600 milhões de euros.

 

As medidas só deverão ser implementadas caso a Grécia não obtenha um excedente em 2018, tal como está definido no terceiro resgate. No entanto, o pacote adicional deve ser legislado antecipadamente.

 

No final dessa reunião, o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, esclareceu que se tratava de um pacote de medidas de contingência, a ser aplicado apenas "se necessário". Contudo, acrescentou o responsável, o pacote deve ser "legislado antecipadamente" e ser equivalente a 2% do PIB grego.


(Corrige título de "cimeira" para "Eurogrupo extraordinário")

 

Esta manhã, o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schaeuble, considerou que não é altura de realizar um novo encontro. "Estamos num ponto em que as instituições que estão em negociações com a Grécia não fazem tantos progressos" como o exigido por Jeroen Dijsselbloem para uma nova cimeira. "Quando estiverem reunidas as condições, o encontro será convocado", acrescentou. 




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