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Bolsas europeias afundam com banca no vermelho há sete semanas

Os mercados accionistas do Velho Continente continuam em queda, tendo o Euro Stoxx 600 atingido mínimos de Outubro de 2013. Foi a sétima sessão consecutiva no vermelho, com o sector da banca a cair para o nível mais baixo desde 2012.

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European Stocks Are at 2013 Lows
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 09 de Fevereiro de 2016 às 18:26
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As praças europeias prosseguem a tendência de derrapagem. Ao sétimo dia em terreno negativo, as desvalorizações desta terça-feira, 9 de Fevereiro, foram superiores a 1% em todo o Velho Continente. As quedas mais expressivas foram as das bolsas italiana e grega, que afundaram 3,21% e 3,84%, respectivamente. Isto numa sessão em que os países europeus – especialmente os periféricos, como Portugal, Espanha e Itália – continuam a ver aumentar os juros da dívida e os seus prémios de risco.

 

Os investidores continuam bastante receosos e a avaliar prudentemente o risco crescente de recessão da economia global, desta vez com epicentro nas economias emergentes. Isto a par com algumas dúvidas quanto à saúde financeira da banca em vários países europeus, entre eles a Alemanha – com o gigante Deutsche Bank a desmentir dificuldades em honrar o pagamento das suas obrigações, mas a deixar o mercado em alerta – e Itália. Resultado: um forte movimento de vendas, com muitos investidores a desfazerem-se das suas posições, o que provoca o colapso dos índices bolsistas.

 

O Deutsche Bank terminou a sessão a recuar 4,27% para 13,23 euros, estabelecendo-se assim em mínimos de 1992, mesmo depois de ter tentado tranquilizar os investidores dizendo que tem dinheiro suficiente para reembolsar as suas dívidas, salienta a Bloomberg.

Os investidores têm demonstrado grande preocupação relativamente ao Deutsche Bank, que tem estado mergulhado num longo processo de reestruturação nos últimos anos. O mercado está a penalizar as previsões débeis que o banco alemão fez para os resultados deste ano, depois de o director financeiro, Marcus Schenck, ter dito que "faremos os possíveis para evitar perdas em 2016, mas não podemos garantir isso". Em 2015, o banco reportou prejuízos de 6.800 milhões de euros.

 

Contrariamente ao que sucedeu em 2011 e em 2012, as incertezas que pairam sobre o sector da banca na Europa não estão a afectar apenas a periferia. "Os receios em torno do sistema bancário europeus são cada vez maiores", comentou ao El País o autor da obra ‘La economía no da la felicidad pero ayuda a conseguirla’, José Carlos Díez.

 

O sector financeiro italiano, por exemplo, está a viver uma situação semelhante à registada pela banca espanhola em 2012, ano do resgate das suas entidades financeiras: só na segunda-feira, o regulador bolsista italiano teve de suspender a negociação de seis cotadas, recorda o mesmo jornal.

 

A pressionar estão os elevados níveis de crédito malparado no sector bancário transalpino e a impaciência perante a demora do Governo de Matteo Renzi em concluir as linhas mestras do seu próprio "banco mau" destinado a absorver os activos tóxicos das suas instituições financeiras. O maior banco italiano, o Unicredit, perdeu 36% em bolsa no último mês.

 

Além da Alemanha e Itália, também a Grécia tem sido alvo de especial atenção por parte dos investidores. "À delicada situação económica do país, mergulhado numa espiral de baixo crescimento e ajuste orçamental sem precedentes, juntam-se as dúvidas quanto às necessidades de liquidez do sector bancário e o potencial impacto negativo das dificuldades nas negociações entre o Governo de Alexis Tsipras e os seus credores internacionais no âmbito da avaliação do terceiro resgate", sublinha o El País.

 

O Eurobank Ergasias esteve esta terça-feira em destaque pela negativa, com uma depreciação de 12%. O índice de referência da bolsa de Atenas, o ASE, desceu 3,84% e fixou-se no nível mais baixo desde pelo menos 1989 – data a partir da qual a Bloomberg tem compilação histórica.

 

O índice da banca europeia perdeu 4%, depois de na segunda-feira ter já retrocedido 5,6% - e está a caminho, frisa a Reuters, da sua sétima semana seguida de desvalorizações; o que, a concretizar-se, será a pior série semanal de quedas de 1998. Ou seja, se o saldo semanal for negativo, será a primeira vez em 18 anos que marcará sete semanas consecutivas no vermelho.

 

Relativamente aos restantes índices de referência na Europa, todos eles negoceiam já abaixo dos níveis de 24 de Agosto passado, dia da chamada "segunda-feira negra" nas bolsas devido aos fortes receios em torno da desaceleração económica na China.

 

O Stoxx 600 fechou a ceder 1,58% para 309,39 pontos, a marcar assim o valor mais baixo desde Outubro de 2013.

 

A caírem na casa de 1% estiveram as bolsas portuguesa, britânica, francesa e alemã. Em Amesterdão e em Espanha, a quebra foi superior a 2%. O índice madrileno Ibex 35 resvalou 2,39% para 7.927,60 pontos, a reflectir o clima de incerteza política no país, numa altura em que não há ainda novo Governo à vista.

 

"A volatilidade está muito elevada. Os investidores têm de ganhar dinheiro e estão a ser cuidadosos quando vêem uma oportunidade de compra", comentou à Bloomberg um estratega da MPPM EK, Guillermo Hernandez Sampere, acrescentando que não navegaremos em águas calmas nos próximos tempos.

 

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