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CMVM analisa troca de activos da Cimpor

A Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) está a analisar se estão a ser cumpridas as condições impostas para que se concretizasse a troca de activos da Cimpor, na sequência da oferta pública de aquisição (OPA). Esta será a última fase do processo iniciado com a operação lançada há um ano.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 28 de Março de 2013 às 00:01
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"A CMVM desenvolveu diversas diligências sobre numerosos assuntos relevantes, incluindo a dívida assumida pela Cimpor em virtude da incorporação de empresas que estavam no universo da Intercement", respondeu fonte oficial do supervisor em questões colocadas pelo Negócios.

Nesses processos estão incluídos, segundo a mesma fonte, "análises dos relatórios de avaliação dos bancos de investimento, pedidos de informação e esclarecimentos complementares e reuniões com membros do conselho de administração da Cimpor".

O regulador do mercado de capitais considera que todos estes passos fazem parte de um processo normal, estando apenas a avaliar como está a ser feita a execução das permutas de activos da Cimpor entre a InterCement, que detém mais de 90% dos direitos de voto associados ao capital da cimenteira, e a Votorantim, que era a segunda maior accionista da Cimpor antes da OPA.

Neste processo, houve activos da Cimpor que foram transferidos para a InterCement, como os de Marrocos e da Turquia, a par de uma parcela equivalente a 21,2% da dívida líquida consolidada da cimenteira.

 

Depois, a InterCement passou estes activos para a Votorantim, recebendo em troca a percentagem de capital que esta tinha na Cimpor. Posteriormente, alguns activos da InterCement, na América do Sul, passaram para a Cimpor.

Para assegurar que o preço de troca entre as empresas fosse igual aos 5,50 euros de contrapartida paga na OPA aos accionistas, foram contratados dois bancos de investimento, o Morgan Stanley e o Rothschild. As avaliações definiram, com referência a 30 de Junho de 2012, que a dívida associada aos activos da Cimpor que passavam para a InterCement era de 323 milhões, ao passo que a dívida dos activos que chegaram à cimenteira nacional era de dois mil milhões de euros.

ATM quer esclarecimentos sobre aumento da dívida

O processo da oferta lançada pela brasileira InterCement à Cimpor tem estado marcado por várias polémicas desde o início, nomeadamente desde quando a Caixa Geral de Depósitos revelou, minutos depois do anúncio da oferta, que iria vender a sua participação na cimenteira à InterCement.

A associação de investidores e analistas técnicos do mercado de capitais, a ATM, continua com dúvidas em relação ao processo e também face ao actual momento da cimenteira. Por essa razão, a associação presidida por Octávio Viana enviou uma carta ao presidente do regulador, Carlos Tavares, pedindo esclarecimentos sobre o agravamento da dívida da empresa.

"Com um aumento de dívida incorrida de 1,4 milhões de euros relativamente à última informação pública, seria expectável um aumento proporcional nos volumes de produção, receitas e fluxo de caixa", indica o documento da ATM dirigido a Carlos Tavares, em que se pede uma clarificação do uso de "tal dinheiro" e da origem da dívida da InterCement. Para Octávio Viana, há aqui uma "alteração dramática do perfil de risco da Cimpor".

Em resposta ao Negócios, a Cimpor sublinha que tudo foi feito em "rigorosa conformidade com o constante dos documentos da OPA lançada pela InterCement sobre a Cimpor e no interesse desta, respeitando integralmente a lei e os melhores procedimentos de governance".

Na carta à CMVM, a ATM menciona ainda processos judiciais que foram colocados, nomeadamente para impugnar ou anular a troca de activos. A Cimpor diz não ter sido notificada deste último processo.

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