Bolsa Como os analistas brasileiros estão a ver a crise política nos mercados

Como os analistas brasileiros estão a ver a crise política nos mercados

A contestação nas ruas do Brasil contra Dilma Rousseff está a alimentar a expectativa de uma ruptura política no país. Conheça a visão de quatro especialistas brasileiros sobre a forma como esta situação está a afectar o mercado.
Como os analistas brasileiros estão a ver a crise política nos mercados
Paulo Whitaker/Reuters
Patrícia Abreu 18 de março de 2016 às 07:30

A forte contestação nas ruas do Brasil contra a presidente Dilma Rousseff, após a nomeação do ex-presidente Lula da Silva como ministro, está a ter impacto nos mercados brasileiros. Bolsa e moeda canarinhas dispararam perante os sinais que o poder de Dilma poderá estar próximo do fim. Saiba como estão os analistas brasileiros a olhar para a crise política nos mercados.


Raymundo Magliano Neto, economista e presidente da Magliano Corretora

"Existe uma expectativa no mercado financeiro de que, com tudo o que aconteceu na última noite [16 de Março] entre denúncia e gravações da Polícia Federal, façam com que o 'impeachment' seja mais rápido. E o mercado financeiro no Brasil trabalha com o facto de que, se houver o impeachment, vai melhorar o que está a acontecer no Brasil, melhorar a economia. E isso traduz-se no mercado de acções".

"O mercado está a antecipar a hipótese de que o Temer [Michel Temer] vai substituir a Dilma [Rousseff], e ele fez uma carta de intenções há seis meses e se for presidente a expectativa é que cumpra essa carta".

"A crise política tem afastado o investidor internacional do mercado brasileiro. Quando há estas subidas fortes na bolsa, alguns investidores muito especulativos, estrangeiros e brasileiros, compram acções. Mas são investidores especuladores. Os investidores de longo prazo estão fora do mercado do Brasil. Os fundos de longo prazo só voltam quando tiverem a certeza de que o mercado está bem".

"A confiança do Brasil está comprometida. O "ratings" estão abaixo de 'investment grade'. Voltar a ter grau de investimento demora muito tempo. Por enquanto estamos num nicho de mercado que só fundos de mercados emergentes compram os nossos títulos ou acções". 

Celson Placido, analista da XP Investimentos


"A probabilidade de ‘impeachment’, ou da presidente Dilma não completar o mandato está a aumentar. Como o actual governo não consegue realizar mudanças, devido à falta de governabilidade, a expectativa do mercado é que um outro governo possa realizar mudanças."


"Há vários investidores interessados em entrar no mercado do Brasil. Comprar empresas brasileiras, somos um país com 200 milhões de consumidores."


"Há um problema de confiança. Este governo gera muitas incertezas, dúvidas. Enfim, um cenário ainda bastante desafiante."


Ignacio Crespo Rey, economista da corretora Guide


"O índice brasileiro reagiu à crise política, mas também às novidades com relação à Reserva Federal dos EUA."


"Novidades recentes parecem aumentar a probabilidade de algum ‘evento de ruptura’ – algo que abriria espaço para um novo governo, mais forte e capaz de implementar ajustes económicos necessários."


"
Ao analisar os dados recentes, vemos alguma estabilização destes índices, que mostram que podemos estar mais próximos de tocar no fundo. Um 'evento de ruptura' pode facilitar um ponto de inflexão para estes índices de confiança. Isso voltaria a dar confiança aos investidores estrangeiros, mas muitos ainda estariam impedidos de voltar a investir no país (dado que já não temos o grau de investimento, e levará anos para voltarmos a tê-lo)".


Alberto Ramos, economista sénior do Goldman Sachs


"A volatilidade no mercado brasileiro é incrível. É difícil ter noção para onde vamos. A reacção da sociedade e as escutas [da investigação Lava Jato] aumentaram a probabilidade de uma transição política."


"Há uma oportunidade de evoluir para um equilíbrio mais estável no país, que permita tomar medidas de ajuste económico."


"Se houver esta transição o mercado brasileiro tem maior potencial. Antecipamos um bom desempenho se o país caminhar nesse sentido. Se não houver uma mudança, o índice Ibovespa pode testar os níveis mais baixos fixados este ano e o real pode desvalorizar, com um partido no poder isolado e sem capacidade de iniciativa."




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