Bolsa Como os gestores da produtora do Call of Duty ganharam mil milhões

Como os gestores da produtora do Call of Duty ganharam mil milhões

Bobby Kotick e Brian Kelly decidiram em 2013 apostar forte na empresa que lideravam. Três anos depois percebe-se que foi um grande negócio.
Como os gestores da produtora do Call of Duty ganharam mil milhões
Reuters
Negócios com Bloomberg 17 de maio de 2016 às 00:01

Em 2013 a francesa Vivendi tinha como principal foco a redução do seu endividamento e determinou que teria de vender vários activos e sair de diversas áreas de negócios. Foi por isso que decidiu sair do capital da Activision, uma fabricante de jogos electrónicos que tem vários sucessos em carteira, como o Call of Dutty.

 

Os gestores da tecnológica não queriam um novo accionista da empresa e decidiram avançar com uma proposta pouco habitual, que agora está a render frutos.

 

Foi a própria Activision a comprar a maioria das 601 milhões de acções que a Vivendi colocou à venda. Mas não todas. 30% das acções ficaram para o CEO e chairman da Activision, em conjunto com outros parceiros. Investiram 100 milhões de dólares do seu próprio dinheiro, pediram 800 milhões de dólares emprestados e através da firma ASAC II, ficaram accionistas de relevo da empresa que lideravam.

 

Três anos depois, a ASAC II anunciou que, a 8 de Junho, vai distribuir as acções da Activision pelos seus accionistas, de acordo com a fórmula que tinha sido definida na altura em que o acordo foi celebrado.

 

Michael Partner, analista da Wedbush Securities, calcula que Bobby Kotick (CEO) e Brian Kelly (chairman) vão receber 31,6 milhões de acções da Activision, que nesta altura estão avaliadas em 1,2 mil milhões de dólares. Os dois gestores conseguiram assim multiplicar por mais de 10 um investimento de 100 milhões de dólares feito há três anos.  

 

Mas não foram os únicos a ganhar com esta aposta realizada em 2013. Os restantes accionistas que compraram as acções à Vivendi há três anos vão embolsar 140 milhões de acções da Activision, que estão agora avaliadas em 5,3 mil milhões de dólares.

 

Neste lucro assinalável falta descontar a dívida de 800 milhões de dólares que foi contraída em 2013, mas ainda assim "não foi nada mau para dois anos e oito meses de trabalho", comentou o analista Michael Partner.

 

Accionistas furiosos

 

A Bloomberg relata que este negócio foi controverso desde o momento em que foi anunciado. Desde logo porque os gestores da Activision compraram as acções à Vivendi a 13,60 dólares por acção, o que representava um desconto de 10% face à cotação da altura.

 

No dia em que o negócio foi anunciado as acções dispararam 15%. Os accionistas apressaram-se a processar a própria Activision, os gestores da companhia e também a Vivendi, alegando que estavam a enriquecer à custa dos restantes accionistas.

 

O caso não chegou a ir a tribunal porque as partes chegaram a acordo pois os gestores e restantes accionistas da ASAC II aceitaram reembolsar a Activision em 275 milhões de dólares.

Mas o CEO e chairman ficaram bilionários com este negócio sobretudo porque conseguiram dar a volta à Activision, que em 2013 era uma empresa com perspectivas pouco promissoras e desde então lançou diversos sucessos, o que provocou uma subida de 124% nas acções da cotada (hoje cada uma vale 38,29 dólares).

 

Há três anos a Activision era conhecida sobretudo pelo jogo Warcraft. Mas a concorrência para jogos gratuitos no Facebook estava a apertar, levando a Kotick e Kelly a apostarem noutros jogos, tendo lançado vários sucessos, como Destiny e Hearthstone.

 

A Activision é agora líder em jogos para aparelhos móveis, uma conquista obtida também depois da compra da King Digital Entertainment, que detém o popular jogo Candy Crush.

 

Nesta história há ainda um senão. Os ganhos não estão garantidos, pois os gestores vão receber acções e não dinheiro. Além do que o facto de terem que reembolsar o empréstimo de 800 milhões pode colocar uma pressão adicional nas acções da Activision. É que vários accionistas da ASAC II poderão ter que vender os títulos em bolsa. Para pagar o empréstimo e também materializar um excelente negócio.

 

Bobby Kotick (à esquerda), com Brian Kelly (ao centro): 

 




pub

Marketing Automation certified by E-GOI