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Conferência de imprensa de Trump sobre a China tira fôlego a Wall Street na reta final da sessão

As bolsas do outro lado do Atlântico estavam a caminho de um fecho em alta, animadas sobretudo pelo bom desempenho das cotadas dos setores tecnológico e dos cuidados de saúde, mas os receios em torno das tensões EUA-China foram mais fortes e inverteram para o vermelho na reta final da negociação.

Reuters
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 28 de Maio de 2020 às 21:12
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O Dow Jones encerrou a ceder 0,58%, para 25.400,64 pontos, e o Standard & Poor’s 500 recuou 0,21%, para 3.029,73 pontos.

 

Por seu lado, o tecnológico Nasdaq Composite deslizou 0,46%, para 9.368,99 pontos.

 

As bolsas seguiam em alta perto do final da sessão, mas as tensões entre Washington e Pequim acabaram por falar mais alto no sentimento dos investidores.

 

O presidente norte-americano anunciou que amanhã vai dar uma conferência de imprensa para falar sobre a China e foi o suficiente para o mercado inverter.

 

Uma fonte disse à Reuters que os EUA estão a planear cancelar os vistos a milhares de estudantes chineses que a Administração Trump desconfia que têm ligações ao exército chinês.

 

Este novo foco de frição vem juntar-se a outros dos últimos dias.

 

Ontem, a Câmara dos Representantes enviou para Donald Trump o projeto de lei que prevê sanções à China pela detenção e tortura de muçulmanos uigures.

 

Além disso, no dia 21 de maio, o Senado aprovou um projeto de lei que visa obrigar as empresas chinesas a seguirem as regras contabilísticas dos Estados Unidos, sob pena de poderem ser expulsas de bolsa. Falta agora a proposta legislativa ser votada na Câmara dos Representantes – e se também aí tiver luz verde, segue para homologação do presidente.

 

Por outro lado, os senadores norte-americanos anunciaram na semana passada que pretendem apresentar um projeto de lei no sentido de sancionar os dirigentes chineses devido à nova lei de segurança nacional para Hong Kong. Com esta nova lei de segurança nacional, Pequim visa apertar o controlo em Hong Kong, restringindo a atividade da oposição para conter novos episódios de confrontos dos ativistas pela democracia.

Por esta razão, ontem o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, notificou o Congresso de que a Administração Trump já não considera Hong Kong um território autónomo da China continental.

 

Hoje os governos dos EUA, Austrália, Canadá e Reino Unido emitiram um comunicado conjunto reiterando os seus "profundos receios relativamente à decisão de Pequim de impor uma lei de segurança nacional para Hong Kong", isto depois de o parlamento chinês aprovar a nova legislação.

 

A China e os EUA mantiveram um duro braço de ferro comercial durante cerca de ano e meio, com sanções impostas de parte a parte – e com a maioria ainda em vigor. Agora, nas últimas semanas, crescem as fricções noutras frentes.

No plano económico, apesar de na semana passada menos norte-americanos terem pedido subsídio de desemprego, o certo é que o número ainda foi bastante elevado, com 2,13 milhões de pessoas a solicitarem essa ajuda do Estado.

 

Esta foi a oitava semana em que o número de novos pedidos de subsídio de desemprego diminuiu nos EUA (sempre face à semana precedente), quando em inícios de abril houve um pico de 6,9 milhões de novas solicitações. Ainda assim, desde a entrada em vigor das medidas de confinamento nos EUA, em meados de março,já 40 milhões de pessoas pediram este subsídio.

 

O lado positivo

 

Em destaque do lado dos ganhos na jornada de hoje estiveram sobretudo as tecnológicas e as cotadas dos cuidados de saúde, em especial as farmacêuticas – estas últimas animadas pelos progressos na procura de uma vacina contra a covid-19.

 

As tecnológicas, que na pré-abertura da sessão negociavam em baixa, acabaram por também brilhar nesta sessão.

 

Antes da abertura formal da negociação no horário regular, as empresas do setor estavam a ser pressionadas pelo anúncio de que o presidente Donald Trump continua em cima do Twitter e do Facebook.

 

Trump deverá estar prestes a anunciar uma ordem executiva direcionada para as empresas das redes sociais, depois de o Twitter ter aplicado um ‘fact check’ (verificação da veracidade) a dois tweets do presidente, o que não lhe agradou.

 

O chefe da Casa Branca acusou o Twitter de censura, advertindo que, se continuassem a verificar as suas mensagens naquela rede social, ele usaria o poder do governo federal para as travar ou até encerrar as suas atividades.

 

No entanto, os especialistas em Direito inquiridos pela CNN dizem que as opções de Trump nesse sentido são, de alguma forma, limitadas – o que fez com que as cotadas do setor recuperassem fôlego.

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