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Efeito Fosun durou poucas horas: acções do BCP caem mais de 5%

Entre o máximo e o mínimo da sessão as acções do BCP variaram 16%. Depois da euforia inicial, as acções foram perdendo terreno e fecharam a cair 5,39%, com os prejuízos a terem um maior peso do que a entrada da Fosun no capital.

O BCP é a terceira acção que mais desce no Stoxx 600. Os títulos do banco português desvalorizam 50,90% em 2016, com a queda a intensificar-se na última semana. Nas passadas cinco sessões, as acções do banco liderado por Nuno Amado cerca de 25%, pressionado por receios de que tenha que avançar para um aumento de capital, pela exclusão de um índice de referência global e por uma nota negativa do Goldman Sachs.
Bloomberg

As acções do BCP viveram esta segunda-feira uma sessão atípica na Bolsa portuguesa. No arranque da sessão chegaram a disparar mais de 12%, mas foram perdendo ritmo e fecharam o dia a cair 5,39%.

 

Desde o máximo (0,0227 euros) até ao mínimo da sessão registado no fecho (0,0191 euros) as acções afundaram 16%, uma amplitude que demonstra como os investidores reagiram de forma distinta às diversas notícias que foram divulgadas sobre o banco desde o fecho da sessão de sexta-feira.

 

No fecho da sessão o banco liderado por Nuno Amado está avaliado em 1,127 mil milhões de euros, menos 212,5 milhões de euros do que a capitalização bolsista tendo em conta o fecho da sessão. Desde o início do ano o BCP está agora a acumular uma queda de 60,51%.   

 

A negociação foi também marcada por uma elevada liquidez, tendo trocado de mãos mais de 780 milhões de acções do banco, quando a média diária dos últimos seis meses é de 398,1 milhões.

 

A forte variação das acções do banco liderado por Nuno Amado surge depois de várias notícias que foram divulgadas entre sexta-feira à noite e sábado.

 

De manhã as acções foram animadas pelo interesse da Fosun em entrar no capital do banco. A Fosun informou o BCP que está interessada em ficar com mais de 16% do capital do banco, através de um aumento de capital, e admite posteriormente reforçar para um nível entre 20% a 30%, de acordo com um comunicado que foi divulgado no sábado, 30 de Julho. O grupo chinês propõe investir 500 milhões para ter 30% do BCP, posição com que passará a mandar no banco. Gestão de Nuno Amado abre os braços à operação que permite pagar toda a ajuda estatal. Falta acordo dos accionistas para que negócio se faça ainda este ano. 

 

Positivo para as acções foi também o resultado dos testes de stress realizados pela EBA e pelo BCE, revelados na sexta-feira à noite. O BCP ficou com mais de 7% de rácio de solidez no cenário adverso, mais de 1,5 pontos percentuais acima do mínimo exigido.

Também na sexta-feira, o BCP revelou que terminou o primeiro semestre do ano com um prejuízo de 197,3 milhões de euros. No mesmo período do ano passado o banco tinha registado um lucro de 240,7 milhões de euros. Os resultados foram penalizados pelo reforço de imparidades para crédito. 

 

Os analistas consideram que os resultados do BCP correspondem a uma "performance bastante negativa". Já a nota do teste de stress é positiva. Os mesmos analistas consideram que o investimento da Fosun permite "negociar" devolução de CoCos.

 

No final do dia acabou por pesar de forma mais forte os resultados do banco no primeiro semestre, sendo que o preço máximo (0,02 euros) a que a Fosun se propõe a subscrever o aumento de capital do BCP também terá servido de travão à euforia inicial nas acções do banco.

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