Bolsa Novas acções em bolsa pressionam Banif mas não o levam a 1 cêntimo

Novas acções em bolsa pressionam Banif mas não o levam a 1 cêntimo

As acções emitidas no âmbito do aumento de capital foram vendidas a 1 cêntimo. As acções já existentes seguiam ontem acima de 1,1 cêntimos. Hoje, com a entrada das novas no mercado, o valor converge. Mas quem comprou as novas acções está a ganhar.
Novas acções em bolsa pressionam Banif mas não o levam a 1 cêntimo
Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro 06 de junho de 2014 às 10:53

As acções do Banif estão a cair na Bolsa de Lisboa no dia em que entraram em bolsa os novos títulos resultantes do aumento de capital. Ainda assim, as acções não desceram a barreira de 1 cêntimo, o preço a que foram vendidos esses novos títulos.

 

O banco liderado por Jorge Tomé (na foto) está a recuar 4,55% para os 1,05 cêntimos. Nas últimas sessões vinha já a cair, corrigindo da forte subida provocada pelo fim do aumento de capital. Já estiveram a descer mais de 6%, quando tocaram nos 1,03 cêntimos.

 

Na operação de aumento de capital, o banco emitiu 13,85 mil milhões de novas acções a um preço, por unidade, de um cêntimo. Foram estas acções que foram admitidas esta sexta-feira 6 de Junho à negociação, juntando-se às acções que estavam já no mercado. Ou seja, quem comprou as acções a um cêntimo tem a possibilidade de vendê-las no mercado com uma eventual mais-valia, dado que estas seguem a negociar nos 1,05 cêntimos.

 

Já foram negociadas 555 milhões de títulos na bolsa de Lisboa, acima da média diária de 301 milhões.

 

O banco, que emitiu 13,8 mil milhões de novas acções, registou procura para vender mais de 19,5 mil milhões de novos títulos, ou seja, 141,14% mais do que o valor colocado. A operação, com que o Banif arrecadou 138,5 milhões de euros e que conclui o plano de recapitalização da instituição financeira, trouxe 6.690 novos accionistas para a sua estrutura. Neste momento, 31% do capital da entidade fundada por Horácio Roque está disperso na bolsa.

 

Com esta operação, o Estado perde o controlo sobre as questões quotidianas do banco, já que passa a ter 49,37% dos direitos de voto (mantém em alguns aspectos), após a injecção de 1,1 mil milhões de euros estatais em 2013. Ainda assim, o Estado detém ainda 60,53% do capital social do Banif. Jorge Tomé já admitiu que quer devolver 250 milhões da ajuda estatal no prazo de um ano.

 

De forma a reduzir este poder que o Estado ainda possui na instituição financeira, o banco também continua interessado em negociar com a Guiné Equatorial. Contudo, como noticiou o Negócios, o objectivo actual será o de investir 100 milhões de euros e não os 133,5 milhões inicialmente avançados, o que poderá dispensar o país africano de ter autorização do Banco de Portugal para fazer parte da estrutura accionista.


Mais perto do final do ano, será dado mais um passo pelo Banif: avançar com a fusão de títulos, o chamado "reverse stock split", em que cada dez acções são fusionadas e passam a corresponder a apenas uma. 

 
Os passos da capitalização

Na sequência da crise financeira, e à semelhança de outros bancos como o BCP e o BPI, o Banif teve de recorrer a ajuda do Estado para se capitalizar. O Estado injectou 1,1 mil milhões de euros na instituição financeira, tanto através de acções (700 milhões) como de instrumentos obrigacionistas que se podem vir a converter em acções (400 milhões de euros). Foi concretizado no início de 2013.

 

O banco teria de recorrer a outros aumentos de capital para reduzir a posição do Estado, que chegou a deter mais de dois terços do capital social da instituição. A assembleia-geral da instituição dirigida por Jorge Tomé autorizou o banco a emitir acções avaliadas até 450 milhões de euros. O processo ficou concluído com a oferta pública de subscrição de acções de 138,5 milhões de euros. Foi um ano para concretizar estas operações.

 

1)      Junho de 2013. Colocação particular de 100 milhões de euros. Foi concretizada através do aumento de capital pelos já accionistas de referência Rentipar Financeira e Auto-Industrial.

2)      Julho de 2013. Oferta pública de subscrição de acções destinada ao público em geral, avaliada em 100 milhões de euros.

3)      Agosto de 2013. Colocação particular de 40,7 milhões de euros, através de empresários nacionais como Ilídio Pinho e Estêvão Neves.

4)      Outubro de 2013. Oferta pública de troca de valores mobiliários, avaliada em 70,8 milhões de euros.

5)      Junho de 2014. Oferta pública de subscrição de acções de 138,5 milhões de euros.




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