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Escalada dos juros da dívida assusta Wall Street. Selloff abala Nasdaq

As bolsas norte-americanas encerraram em baixa, pressionadas sobretudo pela nova subida das obrigações a 10 anos dos EUA, que atingiram um novo máximo de 13 meses. O movimento de selloff nas tecnológicas foi o mais visível.

Reuters
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 18 de Março de 2021 às 20:11
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O Dow Jones fechou a cair 0,46%, para se fixar nos 32.862,30 pontos. O índice abriu em baixa, depois ainda conseguiu recuperar e chegou a estar a ganhar 0,6%, mas acabou por ceder ao pessimismo dos investidores.

 

Durante a sessão, no período de ganhos, o Dow estabeleceu um novo máximo histórico nos 33.227,78 pontos, depois de ontem ter pisado pela primeira vez o território dos 33.000 pontos.

 

Já o Standard & Poor’s 500 recuou 1,48% para se fixar nos 3.915,46 pontos. Ontem fixou um novo recorde na negociação intradiária, ao tocar nos 3.983,87 pontos.

 

Por seu lado, o tecnológico Nasdaq Composite afundou 3,02%, fechando nos 13.116,17 pontos, tendo sido o índice mais penalizado devido ao forte selloff nas cotadas do setor.

 

O Nasdaq foi penalizado pelo facto de a subida dos juros da dívida pressionar habitualmente os títulos tecnológicos – já que este contexto reduz o apetite por ações de elevado crescimento em prol de empresas que são vistas como tendo maior probabilidade de um bom desempenho com a retoma da economia.

 

A contribuir para a queda esteve a nova subida dos juros da dívida pública nos EUA. As "yields" das obrigações do Tesouro a 10 anos nos EUA superaram os 1,74% pela primeira vez desde janeiro de 2020.

 

Ontem, o presidente da Reserva Federal norte-americana, Jerome Powell, reiterou o compromisso da Fed de manter os juros diretores em torno de zero, num esforço para manter encarrilada a retoma económica, mesmo que a inflação supere este ano a meta dos 2%.

 

Este receio da inflação voltou, assim, a fazer subir os juros da dívida soberana, assustando os investidores dos mercados acionistas.

 

Ontem, as bolsas reagiram em alta ao facto de a Fed ter uma vez mais sinalizado que não deverá subir os juros diretores antes de 2023. O grande receio dos investidores era de que o banco central estivesse a ponderar subi-los antes do previsto devido a pressões inflacionistas. Mas hoje, com a escalada dos juros das obrigações soberanas, o sentimento voltou a ser de cautela em Wall Street.

 

Amanhã será um dia de provável volatilidade nas bolsas devido à bruxaria quádrupla ("quadruple witching") nos mercados europeus e norte-americanos. E quádrupla porque se dá o vencimento simultâneo de quatro contratos: futuros e opções sobre índices de ações e futuros e opções sobre acções, tanto nos EUA como na Europa. O nome do dia faz assim referência a estes quatro vencimentos e às bruxas.

 

Os mercados têm o termo ‘witching hour’ (a hora da bruxa) que é a última hora de negociação da sessão bolsista. Uma vez que o vencimento destes quatro tipos de contratos exerce grande influência no desempenho do mercado, o termo é tido como adequado para a situação, já que essa "hora da bruxa" será um curto período em que quem pratica feitiçaria fica especialmente mais ativo e poderoso. 

 

Assim sendo, trata-se de um dia historicamente mais volátil, especialmente na última hora de negociação, com um elevado volume de transações. Isto porque os investidores que precisam de fechar posições podem movimentar o mercado a qualquer preço, levando as cotações a oscilarem erraticamente.

 

O ‘quadruple witching’ ocorre quatro vezes por ano, nas terceiras sextas-feiras dos meses de março, junho, setembro e dezembro.

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