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Espírito Santo Financial Group perde mais de metade do valor desde o início do ano

A empresa que detém um quarto do BES deslizou 6% e renovou um mínimo histórico, depois de a Moody’s ter ameaçado cortar o "rating". A pressão vendedora sente-se mais fortemente desde Abril, altura em que se começaram a revelar os problemas no grupo.

Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 26 de Junho de 2014 às 18:28
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O Espírito Santo Financial Group já viu desaparecer metade do seu valor de mercado desde o início do ano. A sociedade cujo principal activo é uma participação de 25,1% no Banco Espírito Santo chegou a valer perto de mil milhões de euros este ano. Esta quinta-feira, 26 de Junho, terminou a sessão com uma capitalização bolsista de 439,6 milhões de euros. Nunca valeu tão pouco.

 

Sexta-feira, queda de 6,04%. Segunda-feira, queda de 5,85%. Terça-feira, queda de 7,77%. Quarta-feira, subida de 0,22%. Quinta-feira, queda de 6,06%. As desvalorizações do Espírito Santo Financial Group, a empresa do Grupo Espírito Santo que tem participação no BES e que detém a seguradora Tranquilidade, têm sido recorrentes e intensificadas nos últimos dias. Neste período de cinco sessões, a queda cifra-se em 23%. Desde o início do ano, a perda já ascende aos 56,3% (o BES recua 13%, o PSI-20 avança 6%). Mais de metade do valor perdeu-se da cotação das acções neste período, com destaque para Abril.

 

Esta quinta-feira, o deslize superior a 6% levou as acções a fecharem nos 2,123 euros, uma cotação de fecho nunca antes vista. Durante o dia, ainda desceram aos 2,09 euros, o mínimo histórico numa base intra-diária. Uma desvalorização que ocorre no dia em que a Moody’s colocou o "rating" do ESFG "sob revisão" para possível corte. Neste momento, encontra-se já no quinto nível de investimento especulativo ("lixo"). O BES também foi avisado para uma possível redução da classificação de risco da sua dívida.

 

O ESFG tem estado em forte instabilidade nos últimos meses, tal como todo o Grupo Espírito Santo, desde que uma auditoria revelou "irregularidades" relevantes na Espírito Santo International, uma sociedade do grupo, que tinha dívida escondida. Na sequência dessas fragilidades, a "holding" maior accionista do BES emitiu dívida para se financiar. Acabou por vender-se essa dívida aos balcões do banco. E o grupo viu-se obrigado, por ordem do Banco de Portugal, a realizar uma provisão de 700 milhões de euros para compensar eventuais perdas decorrentes de incumprimento nesse financiamento. O grupo optou por constituir tal provisão no ESFG. O que fragilizou as suas contas.

 

Entretanto, Ricardo Salgado já admitiu que pretende fazer uma oferta aos accionistas minoritários do ESFG. Não é certo se será realizada uma oferta pública de aquisição ou pedida a perda de qualidade de sociedade aberta, o que representa a saída de bolsa.

 

Com esta tensão dos últimos meses, a troca de títulos do ESFG em bolsa tem sido intensa – começaram a ser transaccionadas mais acções quando a tendência descendente ganhou expressão, em Abril, altura em que se conheceu a necessidade de constituir a provisão. Houve, portanto, uma pressão vendedora. Nas últimas três sessões, foram negociados mais de 200 títulos em cada uma. A média por dia é de 116 mil títulos.

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