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Fabricantes automóveis, empresas de consumo e mineiras no olho do furacão chinês

As empresas que realizam mais de 20% das suas vendas para a China estão a ser mais castigadas pela crise na região. Os sectores automóvel, do consumo e das matérias-primas estão na linha de fogo.

Banca impulsiona bolsas europeias com acordo de Basileia
Patrícia Abreu pabreu@negocios.pt 06 de Janeiro de 2016 às 15:28
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A crise na China está a marcar quedas expressivas nas bolsas mundiais. E são precisamente as empresas com maior exposição à segunda maior economia do mundo que estão a ser mais penalizadas. O sector automóvel, as empresas de consumo e as companhias mineiras estão no "olho do furacão" da crise que marcou o arranque de 2016.


Nunca um ano começou tão mal para as acções europeias. O índice europeu Stoxx 600 caiu 2,5% na primeira sessão de 2016, arrastado pelo pessimismo em torno da China. As bolsas chinesas afundaram – a negociação foi suspensa quando o índice CSI 300 caía 7% - e arrastaram as bolsas mundiais, mas sobretudo os sectores mais expostos à China.


As fabricantes automóveis lideram as quedas nas primeiras três sessões do ano. Empresas como a Volkswagen, a BMW, ou a Daimler registam desvalorizações muito expressivas, devido à forte exposição à China. A Volkswagen é a que mais cai. Desce perto de 11%, penalizada pela situação na China, mas também pelo processo dos EUA contra a empresa. Já a BMW perde mais de 9%, enquanto a Daimler e a Peugeot desvalorizam mais de 8% em 2016.

Perdas acentuadas justificadas pelo elevado peso da China nas receitas destas companhias. De acordo com uma nota publicada pelo Citi no Verão, a Volkswagen realiza cerca de 50% das suas vendas na China, enquanto a BMW vai buscar perto de 40% das receitas à segunda maior economia do mundo.

Mas não é apenas o sector automóvel que está no olho do furacão. Empresas de consumo europeias e americanas estão a ser castigadas em bolsa. Com mais de 20% das suas vendas com a China como destino, a britânica Burberry, a francesa Louis Vuitton e a suíça Swatch perdem 9,8%, 6,4% e 7,9%, respectivamente. Já nos EUA, a Amazon desce mais de 6%.

Por via da desvalorização dos preços dos metais, as mineiras são outro dos grupos na linha de fogo da crise na China. Cotadas como a Glencore, BHP Billiton e a Anglo American registam quedas que oscilam entre 7% e quase 12%, com as companhias a reflectirem a forte descida das cotações dos metais.

Matérias-primas como o cobre, o zinco, ou o alumínio têm estado a negociar no "vermelho", a reflectirem os receios de que um abrandamento mais brusco da economia chinesa possa resultar numa quebra da procura por metais.

Dax lidera quedas


Na Europa, a praça alemã é a mais castigada. O Dax cai perto de 6% em 2016, devido à forte vertente exportadora das empresas que compõem o índice. Segundo uma nota do Goldman Sachs, mais de 10% das vendas realizadas pelas cotadas do Dax provém da China.


Entre as mais penalizadas pela crise na China seguem-se as praças francesa e britânica, que descem cerca de 4% e 3,3%, respectivamente. Tal como acontece no caso alemão são igualmente bolsas muito dependentes das vendas noutras regiões do globo, nomeadamente na China, com muitas empresas ligadas a sectores como o automóvel, matérias-primas ou consumo.


Apesar da recuperação das bolsas chinesas na sessão desta quarta-feira, 6 de Janeiro, fruto da intervenção das autoridades chinesas no mercado cambial, a expectativa dos especialistas é que a negociação se mantenha volátil. Qualquer divulgação de um indicador económico desapontante pode desencadear novas correcções.

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