Bolsa Facebook afunda 20% e anula alívio na guerra comercial  

Facebook afunda 20% e anula alívio na guerra comercial  

Entre os três principais índices só o Dow Jones abriu a sessão em alta. Os resultados decepcionantes do Facebook estão a castigar todo o sector tecnológico.  
Facebook afunda 20% e anula alívio na guerra comercial   
Stephen Lam/Reuters
Nuno Carregueiro 26 de julho de 2018 às 14:52

Wall Street arrancou a sessão em terreno negativo, com os resultados do Facebook a ofuscarem as tréguas na guerra comercial entre os Estados Unidos e a União Europeia.  

 

O Nasdaq Composite recua 1,02% para 7.851,375 pontos e o S&P500 cede 0,25% para 2.839,12 pontos, depois de ontem ter fechado em máximos de Janeiro. Entre os três principais índices só o Dow Jones abriu a sessão em alta, com um ganho de 0,27% para 25.482,55 pontos.  

 

O resultado da reunião entre Donald Trump e Jean-Claude Juncker está a ter impacto positivo em diversos sectores, com destaque para o automóvel. O presidente da Comissão Europeia e o presidente dos Estados Unidos anunciaram ontem, após uma reunião em Washington, que vão dar início a negociações no sentido de reduzir as barreiras comerciais entre as duas regiões. Enquanto decorrerem essas negociações, fica em "stand-by" o agravamento das tarifas dos Estados Unidos sobre as importações de automóveis europeus, o que está a animar o sector. 

 

O anúncio foi feito a poucos minutos do fecho da sessão de ontem em Wall Street, pelo que só hoje está a ter um impacto mais abrangente.

 

Facebook perde 120 mil milhões de valor de mercado

 

Com a frente da guerra comercial aparentemente mais calma, os investidores podem focar atenções nos resultados do segundo trimestre, mas as notícias de hoje não são positivas.  

 

As acções da rede social de Mark Zuckerberg estão a afundar 19,59% para 174,89 dólares, depois da cotada ter apresentado resultados considerados decepcionantes. Após 12 trimestres sempre a superar as estimativas dos analistas, desta vez o Facebook ficou a abaixo. As receitas aumentaram 42% para 13,2 mil milhões de dólares, quando a projecção média apontada pelos analistas inquiridos pela Bloomberg era de 13,3 mil milhões.

  

Mas o que está a condicionar de forma mais relevante a confiança dos investidores é o alerta que a empresa efectuou e que está relacionado com as medidas para aumentar a protecção dos dados dos utilizadores. O Facebook revelou que a margem de lucro vai baixar ao longo dos próximos anos devido ao aumento de custos. Pela negativa, anunciou também um abrandamento no crescimento do número de utilizadores nos seus principais mercados.

 

Na análise da Bloomberg, a empresa de Zuckerberg começou já a assistir aos "primeiros sinais de desencanto", em plena série de escândalos públicos em matéria de conteúdos e de protecção da privacidade dos dados dos seus utilizadores.

 

Apesar da queda histórica na sessão desta quinta-feira, o Facebook atingiu um recorde no dia de ontem e regista ainda um saldo positivo no acumulado do ano. Até ao fecho da sessão de quarta-feira a rede social estava a ganhar 23% e apresentava uma capitalização bolsista de 629 mil milhões de dólares. Com a queda de hoje o valor de mercado do Facebook está a encolher cerca de 120 mil milhões de dólares, situando-se agora pouco acima dos 500 mil milhões de dólares.

 

O desempenho das acções do Facebook está a condicionar todo o sector tecnológico. O Twitter, que publica as contas amanhã, está a desvalorizar 3,08%. A Amazon, que também revela os resultados hoje, está a cair 1,39%.

 

Entre as restantes cotadas que apresentaram contas, a tendência é mista. A Ford desvaloriza 3,90% depois de ter revisto em baixa a previsão de resultados para 2018 devido ao impacto das tarifas comerciais na China e mau desempenho no mercado europeu.

 

Também em reacção a resultados, a fabricante de brinquedos Mattel afunda 3,9% e a Advanced Micro Devices dispara 8,69%.

 

No sector dos chips o dia está a ser marcado pelo cancelamento da fusão entre a Qualcomm e a NXP devido à oposição das autoridades chinesas, o que levou a tecnológica norte-americana a disparar 5,36%.




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