Bolsa Galp e BCP afundam. PSI-20 cede pela terceira sessão consecutiva

Galp e BCP afundam. PSI-20 cede pela terceira sessão consecutiva

A bolsa nacional não escapou às quedas generalizadas nos mercados internacionais. A queda do petróleo e a detenção da CFO da Huawei intensificaram o "sell-off" e levaram as bolsas europeias para mínimos de dois anos.
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Tiago Varzim 06 de dezembro de 2018 às 16:40
O PSI-20 não conseguiu escapar à envolvente externa e caiu 2,1% para os 4.817,69 pontos, acumulando três sessões consecutivas de quedas. Em Lisboa, a Galp e o BCP foram as cotadas que mais pressionaram, mas as desvalorizações foram generalizadas. A bolsa nacional seguiu esta quinta-feira, 6 de Dezembro, a tendência negativa das bolsas europeias que atingiram mínimos de dois anos

A penalizar as bolsas a nível mundial está a detenção da CFO (administradora financeira) da Huawei, Meng Wanzhou, que também é filha do fundador da tecnológica chinesa. A China já exigiu a sua libertação, argumentando que a detenção não tem fundamento. Face às recentes incertezas sobre as tréguas de 90 dias, os investidores temem que este conflito deteriore ainda mais as relações entre os dois países.

Depois de ter sido anunciado os 90 dias de 'paz comercial', as bolsas dispararam, mas as incertezas começaram a pressionar a negociação logo de seguida. Um tweet de Donald Trump a dizer que continuava a ser o "homem das tarifas" piorou a situação, mas as autoridades chinesas vieram reiterar o seu empenho na aplicação dos vários acordos com os EUA. 

Acresce que o mercado petrolífero está a registar quedas superiores a 3% em antecipação da reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), depois da Arábia Saudita ter dito que propõe uma redução da produção mais baixa do que se esperava. Anteriormente, o mercado estimava uma acção concertada de maior dimensão para travar a descida recente da matéria-prima nos mercados.

Esta queda está a prejudicar as acções da Galp que perderam 3,76% para os 14,21 euros, acompanhando o sector petrolífero na Europa, que é dos que mais cede. Nas cotadas energéticas destaque ainda para a queda de 1,97% para 3,03 euros da EDP, negociando em mínimos de Maio deste ano, altura em que foi lançada a OPA dos chineses da China Three Gorges. Esta desvalorização da eléctrica nacional acontece depois de a Fitch Ratings ter mantido a notação de rating de longo prazo de "BBB-", bem como o outlook em "estável". 

Em Lisboa, também nas quedas, o destaque vai para o BCP, apesar de a Fitch ter subido o rating para o segundo nível de lixo. As acções do banco cederam 2,89% para os 24,17 cêntimos. Já os CTT, que detém o banco CTT, cedeu 4,29% para os 3,35 euros. 

Cotadas como a Mota-Engil, a Navigator ou a Altri - mais permeáveis à envolvente externa - também deslizaram nesta sessão fortemente influenciada pelos acontecimentos internacionais. As acções da Mota-Engil desvalorizaram 3,92% para os 1,624 euros e as da Altri 3,28% para os 5,9 euros.

Apenas duas cotadas - a F. Ramada e a Sonae Capital - contrariaram as quedas que dominaram esta sessão no PSI-20. As restantes 16 cotadas fecharam o dia em terreno negativo. Esta foi a maior queda da bolsa desde 10 de Outubro. 

Na Europa, o Stoxx 600, o índice que agrega as 600 principais cotadas europeias, cedeu 3,31% para os 342,52 pontos. As cotadas mais dependentes da China, como é exemplo as do sector automóvel, foram as que mais sofreram nesta sessão. E o sector tecnológico, apesar da Huawei não estar em bolsa, também foi penalizado.

(Notícia actualizada às 16h54)



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