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Jorge Tomé: Metade do aumento de capital do Banif está "praticamente" assegurado

O presidente executivo do Banif, Jorge Tomé, disse hoje que o aumento de capital de 450 milhões de euros destinado a investidores privados tem que ser cumprido e que o banco já tem assegurado cerca de metade desse valor.

O banqueiro discreto regressa ao grupo Banif após uma década no banco do estado
Lusa 16 de Janeiro de 2013 às 16:19
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"Assinámos um acordo para fazer um aumento de capital para accionistas privados de 450 milhões de euros e, portanto, esse acordo é para cumprir. Neste momento, temos praticamente levantado metade desses 450 milhões de euros", disse Jorge Tomé, acrescentando que o banco tem agora "seis meses para estruturar a operação".

 

Nesse tempo, disse ainda, o banco vai organizar "os tradicionais 'road-shows' [apresentações], contactar em concreto accionista a accionista potencial, investidores nacionais e internacionais para se fazer o levantamento de capital".

Em conferência de imprensa após a realização da Assembleia Geral hoje, que aprovou a injecção de mais de mil milhões de euros de capital público no banco, ficando o Estado como accionista maioritário, Jorge Tomé explicou também que o "novo aumento de capital para privados tem como objectivo reforçar a componente privada do banco".

 

Assim que for concretizada a injecção de 1.100 milhões de euros pelo Estado com vista a recapitalizar o banco (700 milhões de euros através da subscrição de acções especiais e 400 milhões em instrumentos de dívida convertíveis em acções, as chamadas 'CoCo' bonds), o Estado ficará então dono de 99,2% das acções do Banif e de 98,7% dos direitos de voto.

 

 Até final de Junho, a administração comprometeu-se a fazer um aumento de capital através de accionistas privados de, pelo menos, 450 milhões de euros. Se essa meta for cumprida, o Estado reduzirá a sua participação para 60,6% das acções e 49,4% dos direitos de voto, regressando então o controlo do banco a mãos privadas.

 

"Há, aqui, uma parte que é um empréstimo de curtíssimo prazo - que são 400 milhões de euros - que tem de ser amortizado este e no próximo e este aumento de capital dos privados vai permitir reduzir imediatamente 150 milhões de euros desse empréstimo de curto prazo", salientou.

 

Jorge Tomé indicou ainda que com o aumento de capital o rácio 'core Tier 1' [a medida mais eficaz de avaliar a solvabilidade de um banco] ficará nos 12,5%, acima dos 10% exigidos pelo Banco de Portugal.

 

"O plano do banco está feito com muitas almofadas, com margens de segurança consideráveis, foi elaborado com base num cenário macroeconómico adverso", acrescentou o responsável.

 

Relativamente às críticas de meios políticos, Jorge Tomé disse que as mesmas fazem parte de "uma agenda política" e que "estas participações no capital [dos bancos] por parte do Estado não é um fenómeno português e muito menos do Banif, é um fenómeno europeu", lembrando haver "bancos na Europa que já foram apoiados pelo Estado três vezes".

 

Sobre os representantes que o Estado terá no banco, afirmou que o que está no contrato é um administrador não executivo e um elemento no Conselho Fiscal.

Jorge Tomé lembrou ainda - refutando críticas - que o investimento público e privado nos bancos acaba por ser usado na compra de dívida pública.

 

Quanto à participação do BES no aumento de capital - que acordou tomar firme 50 milhões de euros - explicou que isso não significa que o banco liderado por Ricardo Salgado se torne accionista do Banif.

 

 

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