Bolsa Medo mais forte de recessão atira Wall Street para maior queda do ano

Medo mais forte de recessão atira Wall Street para maior queda do ano

O Dow Jones desceu mais de 3%, registando a desvalorização mais pronunciada de 2019. Os bancos e as petrolíferas lideraram as perdas.
Medo mais forte de recessão atira Wall Street para maior queda do ano
Reuters

As bolsas norte-americanas fecharam em queda acentuada esta quarta-feira, numa sessão de desvalorizações expressivas nas principais bolsas mundiais, devido aos riscos crescentes de recessão económica global, tendo em conta os indicadores divulgados e os sinais de alerta que estão a ser dados pelo mercado de obrigações.

 

Com todos os 30 títulos em terreno negativo, o Dow Jones desceu 3,05% para 25.479,42 pontos. Foi a maior queda diária do ano, que coloca este índice norte-americano a valorizar menos de 10% em 2019.  

 

O S&P500 desvalorizou 2,93% para 2.840,6 pontos (na semana passada registou uma queda diária mais forte) e o Nasdaq baixou 3,02% para 7.773,94 pontos.

 

Os dados económicos e o alerta das obrigações

 

As bolsas norte-americanas tinham recuperado ontem após os EUA terem adiado a aplicação das tarifas a alguns bens chineses e tirado alguns desses bens da lista à qual vão aplicar taxas aduaneiras. Além disso, foi revelada uma chamada telefónica entre Washington e Pequim e que as negociações vão recomeçar em setembro. 

Contudo, a sessão de hoje foi marcada pela divulgação de dados económicos negativos na Europa e na China, que alimentaram os receios com o cenário de uma recessão global.

 

O Eurostat confirmou que o PIB da Zona Euro desacelerou no segundo trimestre, mas a maior preocupação está na Alemanha onde a economia contraiu 0,1% entre abril e junho, um sinal de que as tensões comerciais já tiveram impactos fortes nas economias exportadoras. 

Na China foi revelado que a produção industrial cresceu em julho ao ritmo mais baixo desde fevereiro de 2002, sugerindo que a segunda maior economia do mundo está a ser fortemente penalizada pela guerra comercial com os Estados Unidos.

Com os investidores cada vez mais a temerem a evolução da economia (e dos juros diretores) no futuro próximo, o mercado de obrigações está a reforçar os sinais de alerta. 

Hoje a diferença entre os juros da dívida pública dos EUA e do Reino Unido a 2 e a 10 anos passou para terreno negativo pela primeira vez desde a crise financeira de 2007. Ou seja, os investidores já cobram um juro mais baixo a longo prazo do que a curto prazo, inversamente ao que acontece numa altura em que a economia está saudável. A lógica é que a curto prazo há menos risco face ao longo prazo.


Contudo, apesar da inversão de curva de rendimentos ser indicativa de um período negativo na economia, tal não significa que haja uma recessão grave já de imediato. Neil Wilson, chief markets analyst da Markets.com, explica que há um "delay" de cerca de um ano ou dois face aos sinais dos mercados e a evolução da economia, pelo que "a recessão poderá acontecer no próximo ano".

"Este não é um sinal positivo para o mercado", disse Jonathan Golub, analista do Credit Suisse para os EUA, à Bloomberg, referindo que a Fed tem poder para mudar esta dinâmica e o "mercado a dizer que o têm de fazer".

 

"Confusão"

 

Para assinalar como o sentimento do mercado acionista está negativo e volátil desde que Donald Trump reiniciou a guerra comercial nos primeiros dias de agosto, a Bloomberg destaca que em todas as últimas 11 sessões o S&P500 registou uma queda intradiária superior a 1%.

 

"Com a incerteza crescente nas relações comerciais entre os EUA e a China, os investidores estão cada vez mais a vender primeiro e fazer perguntas depois", comentou à Bloomberg Said Alec Young, diretor de mercados da FTSE Russell. "Só uma evidência de que a fase mais baixa do ciclo económico já ficou para trás poderá inverter esta tendência, mas nessa altura isso parece pedir muito.

 

"Os bancos centrais em todo o mundo estão a tentar impulsionar as economias e os políticos em todo o mundo estão a tentar destruir a economia", desabafou à Reuters Oliver Pursche, chief market strategist da Bruderman Asset Management. "O que está a acontecer em Hong Kong, o que está a acontecer com o Brexit e com a guerra comercial, é tudo uma confusão".

 

Banca e energia afundam

 

Com o medo de recessão a crescer, é o setor financeiro que continua a ser mais castigado.


O setor da banca é um dos que mais está a cair dado que a descida dos juros da dívida e dos juros diretores fixados pela Fed, que o mercado espera que desçam, afeta os lucros dos bancos. O índice que agrupa as cotadas do setor financeiro desceu mais de 3%. As ações do Goldman Sachs desceram 4,19% para 195,56 dólares, o JPMorgan caiu 4,14% para 104,80 dólares e o Bank of America cedeu 4,69% para 26,42 dólares.

 

A energia foi outro dos setores que não escapou ao sell off da sessão de hoje. Com o petróleo a afundar mais de 3%, também penalizado pelos receios de recessão, a Exxon Mobil afundou 4,03% para 67,65 dólares e a Chevron caiu 3,84% para 117,74 dólares.

 

Entre as tecnológicas, a Apple desvalorizou 2,98% para 202,75 dólares e o Facebook afundou 4,64% para 179,71 dólares.  

 

A Macy's afundou 13,27% depois da retalhista ter anunciado resultados que ficaram abaixo do esperado.




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