Bolsa Negociação das acções da Fosun suspensa na bolsa de Hong Kong

Negociação das acções da Fosun suspensa na bolsa de Hong Kong

A notícia de que é desconhecido o paradeiro de Guo Guangchang, fundador e presidente do conselho de administração do grupo chinês Fosun, levou à suspensão da negociação em bolsa dos seus títulos.
Negociação das acções da Fosun suspensa na bolsa de Hong Kong
Reuters
Carla Pedro 11 de dezembro de 2015 às 01:50

Desde o meio-dia de quinta-feira, 10 de Dezembro, que se desconhece o paradeiro de Guo Guangchang (na foto), que lidera o conglomerado chinês Fosun – que em Portugal controla a Fidelidade e a Luz Saúde e que detém uma posição indirecta na REN via Fidelidade, tendo também sido concorrente à compra do Novo Banco.

A revista chinesa Caixin avançou a notícia, citando fontes não identificadas, e nas últimas horas muitos têm sido os rumores em torno deste "desaparecimento", o que levou à suspensão em bolsa da empresa.

 

As acções da empresa caíram na quinta-feira, na bolsa de Hong Kong, pela sexta sessão consecutiva, e na madrugada desta sexta-feira o regulador do mercado de capitais divulgou em comunicado que, a pedido da Fosun International, a sua negociação fica suspensa até ser divulgada nova informação sobre este caso.

Neste âmbito, também a Shanghai Fosun Pharmaceutical está suspensa, salienta o órgão regulador num outro comunicado.

A Caixin referiu que a Fosun "perdeu contacto" com o seu presidente e algumas publicações têm avançado que Guangchang, de 48 anos, terá sido detido no âmbito de investigações de corrupção.

 

A revista indicou, citando "fontes com conhecimento do assunto", que a última vez que Guangchang teria sido localizado foi em Xangai. Segundo mensagens nas redes sociais citadas também por esta publicação, o "chairman" da Fosun terá sido visto a ser escoltado pela polícia no aeroporto de Xangai.

A especulação tem-se intensificado, com alguns meios a apontarem para uma possível detenção devido a corrupção e outros a salientarem que Guangchang pode apenas estar a ajudar a polícia na qualidade de testemunha.

Esta notícia chega em pleno contexto de repressão da corrupção na China, no âmbito de várias investigações, e que já levou ao "desaparecimento" ou detenção de vários executivos de topo no sector financeiro do país, salienta o Financial Times. Já a Forbes lembra que correm rumores de que Guangchang estará a ser investigado desde finais de 2013.

 

No passado mês de Agosto, recorda a agência espanhola Efe, um tribunal de Xangai acusou Guangchang de manter ligações inapropriadas com Wang Zongan – que esteve à frente de várias empresas estatais chinesas e que foi condenado a 18 anos de prisão por corrupção. Segundo esse mesmo tribunal, Zongan terá abusado do seu poder para beneficiar a Fosun. 

Criado em 1992 por Guo Guangchang, Liang Xinjun e dois outros colegas de faculdade, o grupo Fosun reparte-se por variadas áreas de actividade, desde o sector mineiro ao turismo, passando pelo imobiliário, seguros e banca. E sem esquecer a "saúde e felicidade", prioridade no âmbito da qual comprou o Cirque du Soleil.

Só este ano, a Fosun anunciou 16 negócios de aquisição, num valor agregado de 29 mil milhões de yuans (4,09 mil milhões de euros), segundo os dados compilados pela Bloomberg.

Também de acordo com os dados da Bloomberg, Guo Guangchang - que se diz um estudioso do fundador e dono da Berkshire Hathaway, Warren Buffett [e que é descrito pela imprensa do seu país como "o Warren Buffett da China", pelo mesmo estilo do seu conglomerado] - é o 17º homem mais rico da China, com um património líquido avaliado em 5,6 mil milhões de dólares (5,1 mil milhões de euros).



(notícia actualizada às 02:47)




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