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No dia em que Espanha derrubou as bolsas, Madrid foi a praça que menos caiu

Proibição do "short selling" aliviou o deslize do espanhol IBEX. Mas não impediu que a maior parte dos índices da Europa Ocidental desvalorizassem mais de 2%.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 23 de Julho de 2012 às 18:00
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Espanha provocou hoje uma tempestade nas bolsas. Uma tempestade à qual quase conseguiu escapar.

O índice espanhol IBEX-35 chegou a desvalorizar-se perto de 5,5% no dia de hoje, numa sessão em que as praças europeias cederam bastante terreno. Ainda assim, o IBEX conseguiu encerrar com uma queda de 1%, a menos expressiva entre as principais praças.

Depois do pedido de assistência financeira de Valência, é noticiado que a Catalunha estará a analisar as condições de solicitar uma ajuda ao governo central. Fala-se, igualmente, de outras regiões como Múrcia.

Com o resgate à banca e as ajudas às comunidades, intensificam-se os receios de que Espanha possa ter de pedir, também ela, um resgate financeiro externo, à semelhança da Grécia, Irlanda e Portugal.

A acrescentar aos rumores em torno de Espanha, juntou-se a afirmação do ministro alemão da Economia – de que uma saída da Grécia do euro “já não assusta”. O que, juntamente com a notícia do "Der Spiegel" sobre um eventual fim das ajudas do Fundo Monetário Internacional à Grécia, trouxe pessimismo para os mercados.

Foram estas as principais razões para que as bolsas tenham aberto a sessão de hoje em forte baixa. E para que aí tenham continuado. O IBEX-35 chegou a resvalar perto de 5,50%, para menos de 6.000 pontos. Algo que não acontecia desde Março de 2003.

Nessa altura, a pressão vinha também do mercado obrigacionista. As taxas de juro implícitas da dívida espanhola escalaram no mercado secundário. As “yields” das obrigações a dez anos somaram 23,1 pontos base para 7,5%. Foi hoje a primeira vez que as rendibilidades superaram esta “fasquia”. Além disso, o prémio de risco da dívida espanhola face à dívida alemã ultrapassou os 640 pontos base, algo inédito e que mostra a percepção de risco face às obrigações espanholas.

CNMV “resgata” IBEX

Mas um facto veio alterar a expressividade do deslize da praça de Madrid Como escreve o jornal “Cinco Días”, a reguladora “resgatou o IBEX depois da queda de mais de 5%”. A espanhola Comissão Nacional do Mercado de Valores anunciou a proibição das práticas de “short selling”, ou vendas a descoberto, sobre cotadas espanholas durante um período de três meses.

O IBEX-35 logo começou a aliviar as perdas e esteve mesmo a descer menos de 0,50%. Acabou por encerrar com uma quebra de 1,10%. O Santander encerrou a somar 0,95% para os 4,23 euros, enquanto o BBVA somou 0,26% para os 4,622 euros. Ainda assim, empresas como a Abertis, Telefónica e a Iberdrola cederam mais de 2%.

Em toda a Europa Ocidental, os índices perderam terreno. O Stoxx Europe 600 recuou 2,49% para 251,75 pontos, com as bolsas francesa a perder 2,89% e a alemã a ceder 3,18%. O italiano, que também esteve a cair mais de 5%, acabou por perder 2,76%, sendo que também aqui o regulador decidiu banir o “short selling”, embora só esta semana e apenas sobre as cotadas do sector financeiro.

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