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O que a Fed deu, a Microsoft tirou. Mais um dia "daqueles" em Wall Street

A Reserva Federal reiterou o seu tom mais brando no que diz respeito ao ritmo de subida dos juros, com a divulgação das actas da última reunião. As bolsas norte-americanas reagiram de imediato em alta. Mas a queda da Microsoft, que devolveu à Apple o trono da capitalização bolsista, acabou por retirar o fôlego a Wall Street.

Reuters
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 29 de Novembro de 2018 às 21:21

As bolsas do outro lado do Atlântico estavam a ganhar terreno após a divulgação das actas da última reunião da Fed, mas os desaires da Microsoft, que arrastaram grande parte do sector tecnológico, não permitiram que Wall Street encerrasse no verde. Mas apesar de não terem conseguido manter-se à tona, as perdas foram ligeiras.

 

O índice industrial Dow Jones fechou a ceder 0,11% para 25.338,84 pontos e o Standard & Poor’s 500 recuou 0,22% para 2.737,80 pontos.

 

Por seu lado, o tecnológico Nasdaq Composite desvalorizou 0,25% para 7.273,08 pontos.

Foi o que se chama de "mais um dia daqueles". A jornada decorria relativamente tranquila, quando a divulgação das actas da última reunião da Fed (7 e 8 de Novembro) voltaram a mostrar aquilo que o presidente da Reserva Federal, Jerome Powell, já tinha revelado ontem: que talvez o ritmo de subida dos juros nos EUA abrande ou que esse movimento de normalização monetária seja mesmo travado.

 

Foi o suficiente para animar os investidores e as bolsas começaram a retomar com alegria. Mas foi "sol de pouca dura". Perto do final da sessão, os principais índices bolsistas dos EUA acabaram por começar a ceder os ganhos e terminaram todos no vermelho.

 

Motivo: a queda da Microsoft. A empresa liderada por Satya Nadella, que há dois dias destronou a Apple como empresa mais valiosa do mundo, esteve hoje a perder terreno (fechou a cair 0,84% para 110,19 dólares) e foi a cotada do sector tecnológico que mais contribuiu para a queda do Nasdaq, arrastando a maioria das suas congéneres.

 

Resultado: apesar de a Apple também ter fechado em baixa (perdeu 0,77% para 179,55 dólares), a empresa da maçã liderada por Tim Cook conseguiu superar a Microsoft em valor de mercado. Encerrou com uma capitalização bolsista de 853,17 mil milhões de dólares, ao passo que a Microsoft terminou a valer 852,96 mil milhões.

 

Assim, uma vez mais o sector tecnológico acabou por trazer pessimismo ao sentimento dos investidores em Wall Street, contagiando a generalidade das bolsas.

Também os receios em torno das tensões comerciais entre Washington e Pequim estiveram a fragilizar a tendência - com os olhos postos já na Argentina, onde amanhã e sábado decorre a cimeira do G20 com encontro programado entre Donald Trump e Xi Jinping.

O sector financeiro também pressionou mas, entre os recuos, foi o que apresentou menores perdas agregadas. Retalho e transportes negociaram igualmente no vermelho.

Perante estes cenários, as quedas em Wall Street só não foram superiores devido ao "efeito Fed" (e também à conta das subidas nas cotadas da energia após a inversão dos preços do petróleo para terreno positivo com a perspectiva de um corte da oferta de crude russo).

 

Ontem, Jerome Powell adoptou uma posição mais branda relativamente à subida de juros directores nos EUA, fazendo crescer a especulação de que o banco central poderá estar mais perto do que se pensa de travar o ciclo de aumento dos juros.

 

Esta perspectiva veio aliviar os receios de um aumento dos custos de financiamento das empresas e dissipam em grande medida as preocupações de que os juros mais altos também levassem a um potencial arrefecimento da economia – por via do dinheiro mais caro.

 

Hoje, as actas da última reunião da Fed apontaram no mesmo sentido. Tudo indica que os juros sejam aumentados na reunião de 18 e 19 de Novembro, em mais 25 pontos base (o nono aumento desde que o banco central iniciou o ciclo de subida dos juros, em Dezembro de 2015), mas talvez não aumentem em 2019 as quatro vezes que se antecipava.

 

Nas referidas actas, a Reserva Federal sustenta que um novo aumento dos juros é "necessário em breve". No entanto, mostra apreensão perante a disputa comercial EUA-China e ao endividamento das empresas norte-americanas.

 

"Uma vez mais, a Fed alude à possibilidade de uma pausa [na subida dos juros] em 2019", sublinhou numa nota de análise o economista-chefe da FTN Financial, Chris Low.

 

Ontem, Powell disse que as taxas de juro estão "pouco abaixo" do nível da política neutra – ou seja, em que não há arrefecimento nem aceleração do crescimento económico. Além disso, o presidente da Fed sublinhou que os efeitos da subida dos juros demoram tempo a reflectir-se nos dados. Isto levou a que os investidores ficassem mais convictos de que a Reserva Federal se prepara para reduzir o ritmo de subidas da taxa directora ou até mesmo a interromper esse ciclo. Resta saber se assim vai ser.



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