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Os euros e cêntimos, ou as décimas de cêntimo. A queda do Banif

O banco tem sido protagonista das maiores quedas na bolsa nacional, encolhendo de valor de forma expressiva desde a preocupação manifestada por Maria Luís Albuquerque. Já perde quase dois terços do valor em 2015.

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Paulo Moutinho 28 de Outubro de 2015 às 16:54
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0,0019 euros, ou 0,19 cêntimos, ou para ser mais fácil de ler embora não o seja de compreender, 1,9 décimas de cêntimo. É este o valor mais baixo alguma vez atingido pelas acções do Banif. É um mínimo histórico, que se segue a vários outros que os títulos da instituição têm vindo a atingir em bolsa perante dúvidas dos investidores quanto à rentabilidade do banco, aos rácios e à capacidade de devolver a ajuda ao Estado.

O banco afundou mais 4,86% esta quarta-feira, 28 de Outubro, para os 0,22 cêntimos. Chegou a cair um máximo de 17,84% durante a sessão, atingindo as 1,9 décimas de cêntimo. Entre os mercados da Euronext, ou seja, Lisboa, Paris, Amesterdão e Bruxelas, é a empresa com as acções de menor valor, sendo este mínimo fruto do aprofundar da tendência negativa que já vem de trás. Mas acentuou-se após as palavras de Maria Luís Albuquerque.


Em resposta às suspeitas levantadas pelo PS, a ministra das Finanças esclareceu que não foram "suscitadas quaisquer preocupações ou informações sobre temas que não sejam do conhecimento público". "Como é o caso do processo de privatização da TAP ou a investigação aprofundada sobre o Banif iniciada pela Direcção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia", acrescentou o comunicado de Maria Luís Albuquerque. O banco desvalorizou a polémica.


Os títulos já vinham a perder valor, mas acentuaram a tendência. Há nove sessões que o banco não sabe o que é subir, sendo que em duas destas sessões ficou inalterado. Este comunicado trouxe visibilidade negativa ao banco, recordando os investidores dos vários problemas que assolam a instituição liderada por Jorge Tomé. Apesar dos novos mínimos "não parece haver nada de novo em termos de fluxo de notícias relativamente ao Banif", diz Albino Oliveira.


O Banif "permanece pressionado pelas dúvidas quanto aos rácios de capital num enquadramento de fraca rentabilidade do sector em Portugal, e provável dificuldade em reembolsar o Estado da ajuda", nota o analista da Fincor. "É cada vez mais difícil acreditar na possibilidade de o banco saldar a dívida subordinada injectada pelo Estado", diz Pedro Ricardo Santos, da XTB Portugal. O Estado injectou 700 milhões de euros, sendo que o Banif ainda tem de reembolsar 125 milhões em CoCo’s. Em bolsa, o banco vale 231,3 milhões de euros.


Menos valor, mais negócios


"O baixo valor nominal de cada acção, provavelmente, continua a afastar investidores do título, principalmente tendo em conta o movimento de queda observado desde os seus máximos do ano em Março/Maio", acrescenta Albino Oliveira. O Banif, depois da queda de quase 35% no espaço de pouco mais de uma semana, acentuou para 59,6% a queda acumulada em 2015. E enquanto as acções afundam, os negócios disparam.


Só nesta sessão foram transaccionados mais de mil milhões de títulos, um máximo desde Março de 2014. Nestas últimas sessões têm sido trocadas, sempre, 100, 200 ou 300 milhões de acções, bem acima da média dos últimos seis meses: 108 milhões. O capital do banco é representado por um total de 45,6 mil milhões de títulos após os sucessivos aumentos de capital, sendo que grande parte do capital é detida pelo Estado: 60,53%.

Banco à espera do Plano de Reestruturação

O Banif não tem ficado indiferente à pressão sobre os seus títulos. E, no seguimento da polémica em torno das declarações de Maria Luís Albuquerque, reagiu. Procurou confortar tanto clientes como investidores "e outros 'stakeholders', sobre a evolução e a actual trajectória do banco", salientando o sucesso na implementação do programa de reestruturação, mas reconhecendo o atraso na aprovação por parte da Direcção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia.

"O Banif tem vindo a conseguir antecipar, em cerca de dois anos, a implementação do seu programa de reestruturação, cuja conclusão estava prevista para 2017, assim ajustando e refocando o seu modelo de negócio, racionalizando a sua estrutura e atingindo resultados operacionais cada vez mais positivos, como evidenciam as demonstrações financeiras que têm sido objecto de divulgação nos termos legais", afirmou.


"Reduziu significativamente a exposição ao Estado Português, através da extinção de 1.175 milhões de euros de empréstimos com garantia pública e ainda com o reembolso de 275 milhões de euros de Obrigações de Capital Contingente (CoCo)", tendo também baixado a sua exposição ao Banco Central Europeu (BCE) "em cerca de dois mil milhões de euros" conseguindo manter os rácios de liquidez "entre os melhores do sistema".


A equipa de gestão vincou que "é também conhecido que factores exógenos, designadamente perdas nos activos imobiliários e a resolução do BES, que continuam a atingir de forma transversal o sistema financeiro português, comprometeram em tempo útil a satisfação de um dos objectivos deste processo de reestruturação: o pagamento da última tranche de CoCo, no montante de 125 milhões de euros".

E nota que "este facto tem contribuído de forma decisiva para o atraso na aprovação do Plano de Reestruturação por parte da Direcção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia", frisou. "No entanto, os contactos mantidos com esta entidade pelo Estado Português, nos quais o Banco tem participado activamente, têm sido positivos e permitido a apresentação de medidas tendentes à mencionada aprovação do Plano", finalizou a comissão executiva do Banif.
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