Bolsa Papel e EDP dão semestre de ganhos ao PSI-20

Papel e EDP dão semestre de ganhos ao PSI-20

As cotadas do sector do papel e o grupo EDP foram as verdadeiras estrelas do primeiro semestre na bolsa de Lisboa.
Sara Antunes 02 de julho de 2018 às 06:00

O primeiro semestre do ano correu de feição para a bolsa nacional. Apesar dos tropeções que marcaram estes primeiros seis meses do ano, sobretudo pelo contágio internacional, o balanço de 2018 é positivo. A bolsa nacional subiu mais de 2% neste período, ao contrário das congéneres europeias, que fecharam o primeiro semestre com quedas. O Stoxx600 cedeu mais de 2%, num período em que França e Países Baixos conseguiram escapar ao vermelho. Mas Portugal liderou os ganhos.

 

E liderou a beneficiar de uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre o grupo EDP e do entusiasmo em torno do sector do papel. Os cinco melhores desempenhos foram arrematados por estes activos.

 

Ainda assim, houve uma cotada que se destacou com alguma distância. A Altri subiu mais de 67%, num período marcado pela valorização do dólar, que é benéfico para esta indústria, pela subida dos preços da pasta e do papel e por notícias de fusões e aquisições no sector. Mas a empresa co-liderada por Paulo Fernandes (CEO da Cofina – dona do Negócios) e por João Borges de Oliveira não esteve sozinha, apesar de se destacar. A segunda cotada que mais subiu foi a Semapa (28,97%) e a Navigator surge em quarto lugar, com um ganho de 19,9%.

 

A subida recente do sector do papel foi tão pronunciada, face aos outros títulos, que contribuiu para que estas cotadas reforçassem a sua expressão no índice de referência da bolsa nacional. Estas três empresas apresentam um peso conjunto no PSI-20 de cerca de 12%, o que compara com os 9% relativos a Junho de 2017, de acordo com os dados disponibilizados pela Euronext Lisbon ao Negócios. 

 

O grupo EDP também se destacou, mas, neste caso, impulsionado por uma OPA, lançada em Maio pela China Three Gorges (CTG). As subidas recentes não se justificam, por si só, pela oferta dos chineses, mas sim pela especulação que esta operação desencadeou. Por um lado, há quem defenda que as contrapartidas (3,26 euros pela EDP e 7,33 euros pela Renováveis) são muito baixas e que a CTG terá de aumentar os valores. Por outro, multiplicam-se as notícias de interesse de outras empresas por activos da EDP, especialmente da EDP Renováveis.

 

Do lado oposto esteve a Jerónimo Martins, que ainda na sexta-feira, 29 de Junho, renovou o seu mínimo de Fevereiro de 2016 ao tocar nos 12,37 euros. Esta foi a maior queda diária da retalhista desde 6 de Abril. Seguida pela Mota-Engil, que perdeu 21,5%, e pela Ramada, que recuou 17,85%.

 

O balanço do primeiro semestre é assim positivo para oito das 18 cotadas. A expectativa para os próximos seis meses é grande. Até porque as questões que mais dominaram os primeiros seis meses de 2018 não se dissolveram por completo.

 

A guerra comercial entre os EUA e a China e a Europa; a divisão na União Europeia, muito fomentada pelas questões de política de migração, mas que tem tido também focos de stress em torno da robustez política em países como Itália, Espanha e Alemanha; o fim do programa de resgate da Grécia; as políticas monetárias um pouco por todo o mundo, são questões que continuam a marcar a agenda dos investidores.




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