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Um ano depois, porque está mais baixo o valor da OPA ao BPI?

O banco catalão tinha dado 1,329 euros, mas agora apenas oferece 1,113 euros. Porquè? Os analistas dizem que as condições em que foi lançada a oferta do ano passado são totalmente diferentes das actuais.

1690 – BPI - O BPI, tal como o BCP, desceu na classificação, mas pouco. A instituição liderada por Fernando Ulrich desceu de 1.654 para a posição 1.690 na lista das maiores empresas do mundo da Forbes.
Bruno Simão
Patrícia Abreu pabreu@negocios.pt 18 de Abril de 2016 às 12:27
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Um ano depois de ter lançado a primeira oferta pública de aquisição (OPA) sobre o BPI, o CaixaBank tenta novamente garantir o controlo do banco onde já detém uma participação superior a 44%. Mas, ao contrário de há um ano, altura em que ofereceu 1,329 euros por cada acção do BPI, os espanhóis apenas se propõem agora pagar 1,113 euros. Mas, o que aconteceu num ano para baixar a oferta em 16%? Toda a conjuntura é diferente.

Um dia depois de ter sido comunicado o fracasso das negociações com a Santoro de Isabel dos Santos, o CaixaBank avançou com o lançamento de uma nova oferta sobre as acções que ainda não controla do BPI. Trata-se da última tentativa de obter o controlo do banco e resolver a exposição ao risco angolano.

"O preço em numerário da OPA é de 1,113  euros por acção e está condicionado à eliminação do limite de direitos de votos do banco BPI, a alcançar mais de 50% do capital do banco BPI e à obtenção das autorizações regulatórias aplicáveis. O preço da OPA coincide com a cotação média ponderada da acção do banco BPI nos últimos seis meses", adiantou o banco catalão em comunicado.

O novo preço oferecido está 6,7% abaixo do preço das acções [que continuam suspensas] e 16,5% abaixo da contrapartida de 1,329 euros oferecido na oferta do ano passado. "Contudo, a aquisição iria resolver os problemas do risco de concentração do BPI em Angola e evitar potenciais penalizações por parte do BCE", explicam os analistas do Haitong.

O prazo para o BPI resolver a situação em Angola esgotou-se na passada segunda-feira, 10 de Abril, no entanto o CaixaBank já pediu às autoridades europeias "a suspensão do procedimento sancionatório" para que possam encontrar uma solução. E é precisamente a urgência de alcançar um acordo para resolver esta situação uma das justificações para a descida do preço.

"O preço oferecido é o montante mínimo que o CaixaBank poderia oferecer", realça Andrew Lowe. Para o analista do Berenberg, o "CaixaBank apenas quer atingir mais de 50% do capital para resolver a exposição do BPI ao Banco de Fomento de Angola".

E para alcançar mais de metade do capital do BPI o banco catalão precisa apenas de 6%. Uma percentagem que, na opinião dos analistas, deverá ser alcançada. "Se não existir blindagem, a OPA será bem-sucedida uma vez que não será difícil que 6% dos accionistas vendam e dêem a maioria ao CaixaBank", refere Pedro Lino, administrador da Dif Broker.

Bancos valem menos

Os especialistas justificam ainda a "descida" da contrapartida com a conjuntura do sector. É que desde o último ano, as acções do sector caíram mais de 26%, arrastadas pelas dificuldades que o sector enfrenta para garantir rentabilidade.

O ambiente de taxas de juro negativas, com as Euribor a negociarem actualmente com sinal menos em todos os prazos, a par dos elevados níveis de crédito malparado e requisitos de capital mais elevados no sector têm mantido os bancos sob pressão. E as perspectivas dos especialistas é que as dificuldades se mantenham. 

"As acções dos bancos estão 26% abaixo [face há um ano] e o CaixaBank não quer pagar demasiado [pelo BPI]", realça o analista do Berenberg. "A principal justificação está na desvalorização de 26% do índice da banca europeia"

E também há uma quebra "no valor do negócio de Angola que é valorizado em pouco mais de 800 milhões de euros contra uma expectativa de Isabel dos Santos de 1,4 mil milhões e da Administração que apontava um preço máximo para a totalidade do BFA de 2,4 mil milhões de euros", acrescenta Pedro Lino.

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