Bolsa Receios com fusão levam PT a cotações que não eram vistas desde 1996

Receios com fusão levam PT a cotações que não eram vistas desde 1996

As acções da PT encerraram nos 2,47 euros, depois de ter sido confirmado que os administradores da Oi saíram do conselho da empresa portuguesa por desconforto face ao financiamento de 897 milhões ao GES. Esta decisão levanta incertezas sobre o processo de fusão das duas operadoras.
Receios com fusão levam PT a cotações que não eram vistas desde 1996
Record

A meses de se fundir totalmente com a empresa brasileira Oi, a Portugal Telecom continua a perder valor. O financiamento de 897 milhões de euros ao Grupo Espírito Santo, adquirido quando este se encontrava sob fortes complicações, já levou à demissão de dois representantes da Oi na administração da operadora portuguesa. E a dúvidas quanto à fusão, programada para Outubro.

 

As acções da PT cederam 3,14% para os 2,47 euros, tendo descido aos 2,362 euros durante a sessão, quando recuavam mais de 7%. É a cotação mais baixa desde Janeiro de 1996. Têm sido estreados valores que não se registavam há já mais de 18 anos nestes últimos dias, nomeadamente desde que se tornou público que a empresa é uma das principais credoras de sociedades do Grupo Espírito Santo (a par da petrolífera venezuela), grupo que se encontra em dificuldades financeiras.

 

Esta quarta-feira, 2 de Julho, confirmou-se aquilo que já ontem foi avançado pelos analistas: os administradores da brasileira Oi abandonaram os cargos no conselho da Portugal Telecom devido ao investimento de 897 milhões de euros feito no Grupo Espírito Santo.

 

Otávio Azevedo, da Andrade Gutierrez, uma accionista de referência da Oi, afirmou ao Valor Económico ter saído por sentir-se "desconfortável". O conselho de administração da empresa portuguesa, liderada por Henrique Granadeiro, não foi ouvido sobre a operação de subscrição de títulos de dívida de curto prazo (papel comercial) da Rioforte, sociedade do Grupo Espírito Santo.

 

Um desconforto que vai de encontro ao que o Expresso Diário avançou ontem, escrevendo que a fusão com a Oi pode ter de ser revista devido aos problemas enfrentados pelo GES, dona do BES e que é o principal accionista da PT. O que conduziu à descida de 3% de hoje e à de 4,7%

 
15%
Os títulos da Portugal Telecom perderam 15% desde que foi conhecido que a operadora tinha investido em sociedades do Grupo Espírito Santo. 

que já ontem havido acontecido.

 

Mas a tendência descendente não é de agora. Há quatro dias que as acções estão a perder terreno. Uma descida de 15% no período, desde que foi noticiado que a PT tinha investido em sociedades do Grupo Espírito Santo e que motivou uma forte troca de acções, com mais de 10 milhões de acções negociadas em cada uma das sessões, acima da média de 7 milhões. Esse investimento foi já confirmado na segunda-feira pela operadora, que tem 897 milhões de euros de papel comercial da Rioforte. A maior parte dessa aplicação vence a 15 de Julho. São 847 milhões de euros que a Rioforte tem de reembolsar até essa data, tendo os restantes 50 milhões maturidade a 17 de Julho.

 

Fusão pode ser afectada mas não deverá haver novo rácio de troca

 

Os analistas não têm dúvidas de que as preocupações com a operação de fusão entre PT e Oi estão a prejudicar as cotações da operadora portuguesa.

 

"As acções da PT estão a ser penalizadas, devido às implicações negativas que o investimento em dívida de curto prazo da Rio Forte poderão ter na fusão com a Oi", comenta Steven Santos. Há vários factores, diz o gestor da XTB Portugal, que poderão afectar a consolidação: "A elevada exposição da tesouraria a uma contraparte que está em dificuldades, a demissão da PT de dois administradores não-executivos que representavam a Oi, e a ruptura com o BES por Ricciardi, que é apontado no memorando de entendimento entre a PT e a Oi como membro do conselho de administração para o primeiro mandato, poderão afectar a fusão".

 

Albino Oliveira, da Fincor, também indica que os receios dos investidores face a um impacto da operação de financiamento ao GES na fusão poderá justificar a recente movimentação descendente.

 

"Contudo, parece difícil que tal ocorra, tendo em conta que o processo de fusão entre as duas empresas vai já numa fase adiantada, pelo que torna difícil a definição de, por exemplo, um novo rácio entre accionistas da Portugal Telecom e da Oi", comenta Albino Oliveira. Neste momento, a PT já passou os seus activos para a Oi sendo que o seu único activo é uma participação de cerca de 37% na empresa brasileira. Em Outubro, a fusão poderá ficar concluída, estima-se.

 

Contudo, há um impacto esperado para o operador da corretora Fincor: "Se desta operação de gestão da tesouraria por parte da Portugal Telecom resultar alguma perda, então uma das consequências mais visíveis deverá ser a deterioração do rácio de endividamento da empresa combinada PT-Oi".

  

(Notícia actualizada às 18h com comentários de analistas)




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