Bolsa Provisão de 700 milhões atira ESFG para maior descida na bolsa de Lisboa num dia de fraco volume

Provisão de 700 milhões atira ESFG para maior descida na bolsa de Lisboa num dia de fraco volume

As acções da ESFG marcaram o maior deslize da Bolsa de Lisboa num dia em que foram negociadas sete vezes menos títulos do que normalmente. Isto no dia em que se soube que aquela que é a estrutura de topo do braço financeiro do Grupo Espírito Santo vai ter de reconhecer uma “almofada” de 700 milhões de euros nas suas contas do ano passado e que vai haver um aumento de capital.
Provisão de 700 milhões atira ESFG para maior descida na bolsa de Lisboa num dia de fraco volume
Diogo Cavaleiro 25 de março de 2014 às 17:17

A principal accionista do Banco Espírito Santo vai ter de colocar de lado dinheiro das contas do ano passado. São 700 milhões de euros. Uma provisão que a Espírito Santo Financial Group terá de reconhecer nas contas que vai apresentar em breve. Além disso, vai ocorrer um aumento de capital. Estas notícias conduziram a ESFG, um título pouco líquido, à maior descida de hoje na Bolsa de Lisboa.

 

As acções daquela que é a mais alta estrutura da área financeira do Grupo Espírito Santo (acima do BES) resvalaram 1,7%. Terminaram o dia nos 4,752 euros, reflectindo um deslize de 2% desde o início do ano.

 

“A venda do título foi realizada com volume fraco, abaixo da média diária, mostrando o fraco interesse dos investidores por esta 'holding' com baixo ‘free float’ [capital disperso em bolsa]”, aponta, no comentário diário, o gestor da XTB Steven Santos.

 

Na sessão desta terça-feira, trocaram de mãos 17.593 acções da companhia financeira. A média em cada sessão atinge os 130.727 títulos transaccionados. Um número reduzido que não se observava desde 5 de Fevereiro. Na sessão de segunda-feira, por exemplo, haviam sido trocadas mais de 70 mil acções.

 

O fraco volume ocorreu no dia em que foi noticiada a necessidade de reconhecer uma provisão extraordinária. A confirmação veio num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários: os resultados da estrutura do braço financeiro do grupo Espírito Santo, relativos a 2013, vão “incluir uma provisão especial de 700 milhões de euros, decidida pela gestão para fazer face a riscos potenciais associados com a sua exposição às actividades não financeiras do Grupo Espírito Santo”.

 

Esta “almofada” financeira foi imposta pelo Banco de Portugal e tem como intuito garantir a protecção de um grupo de clientes do BES: os clientes que adquiriram papel comercial emitido por empresas da área não financeira do grupo (designadamente a Espírito Santo International).

 

Estes 700 milhões de euros que terão de ser reconhecidos pela ESFG vão obrigar a um reforço dos seus capitais. Isto porque vão agravar os prejuízos verificados no ano passado (que ainda não são conhecidos). Os rácios de solidez financeira da companhia também vão sofrer. E é preciso compensá-los. Não se sabe é que valor terá de ser investido no eventual aumento de capital.

 

Num dia de pressão em bolsa para a “holding”, as acções do Banco Espírito Santo avançaram, beneficiando do sentimento positivo que se viveu em Lisboa e do facto do aumento de capital ocorrer na holding e não no banco.

 

O banco liderado por Ricardo Salgado somou 1,73% para 1,355 euros. Foi a primeira subida ao fim de cinco sessões sem ganhar. O volume (9 milhões) também ficou aquém da média (19 milhões) e da sessão anterior (10 milhões).

 

Isto numa altura em que se sabe que um dos seus outros grandes accionistas, o Crédit Agricole, revelou um plano de duplicação de lucro em que não refere Portugal.




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