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PSI-20 preso no "mar vermelho" da Europa. Ciclo de quedas é o maior em meio ano

A bolsa nacional agravou as quedas face à abertura de sessão, numa altura em que cinco cotadas perdem mais de 3%. BCP destaca-se com perda de quase 4%.

Os investidores que prefiram ficar longe do sobe e desce do mercado podem privilegiar uma abordagem mais defensiva. Os fundos multiactivos podem ser uma boa alternativa para quem pretende obter retornos, mas não quer assumir riscos demasiado elevados.

Os fundos multiactivos ajustam-se a praticamente todos os investidores, uma vez que existem produtos com uma estratégia de investimento mais defensiva, equilibrada e agressiva. Apesar da instabilidade registada nos mercados accionistas nas últimas semanas, são os multiactivos agressivos, com maior exposição ao mercado accionista, que apresentam as melhores rendibilidades. Rendem, em média, 0,9% nos últimos três meses. Já os fundos que privilegiam uma estratégia mais equilibrada somam 0,81%, segundo os dados da Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Património (APFIPP).

Ao investirem em diversas classes de activos, estes produtos de poupança reduzem o risco resultante de oscilações bruscas nos mercados financeiros. Ou seja, se as bolsas mundiais registarem quedas acentuadas enquanto está a banhos, a exposição a outros activos, como a dívida ou cambial, vai atenuar o efeito negativo das acções na carteira. No entanto, caso os problemas nos mercados aliviem e as bolsas registem subidas elevadas, esses fundos não irão obter retornos tão expressivos.
Reuters
Gonçalo Almeida goncaloalmeida@negocios.pt 19 de Julho de 2021 às 13:34
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O índice PSI-20 está a derrapar 2,03% na manhã desta segunda-feira, seguindo a tendência dos pares europeus, num dia em que os investidores se afastam dos ativos de maior risco, como é o caso das ações, e se voltam para o mercado da dívida soberana. 

A bolsa de Lisboa está a perder força há cinco sessões consecutivas, neste que é o maior ciclo de desvalorizações desde janeiro deste ano. Com a nova queda desta segunda-feira, o índice está a negociar nos 4.928,13 pontos, o que representa um mínimo desde abril. 

A liderar as perdas está o Banco Comercial Português (BCP), que chegou a perder um máximo de 3,94%, caindo abaixo dos 12 cêntimos por ação pela primeira vez nos últimos três meses. Para além do banco liderado por Miguel Maya, o sentimento é de quedas em toda a praça portuguesa, com desvalorizações de mais de 3% a serem registadas também na construtora Mota-Engil (-3,76%), na Altri (-3,41%) e na EDP (-3,18%).

Os CTT - Correios de Portugal voltam a cair 3,58%, depois de na sexta-feira terem afundado cerca de 15%, na maior queda intradiária desde novembro de 2017. Esta desvalorização aconteceu num dia em que o Barclays cortou a recomendação atribuída aos CTT de "equalweight" para "underweight".


Covid e inflação assustam Europa

Na Europa, o sentimento é igualmente negativo "com todos os setores no vermelho devido à diminuição do apetite pelo risco nos mercados", diz Ricardo Evangelista, analista da ActivTrades, numa nota diária. Já Nuno Mello, analista da XTB, acrescenta a esta lista de fatores "o número crescente de novas infeções por covid-19 pesa sobre o sentimento do mercado".

O Stoxx 600 - índice que agrupa as 600 maiores cotadas da região - está a cair 2,11% nesta que é a maior queda desde maio. É a quarta queda seguida do índice pan-europeu, o que significa a maior sequência de perdas desde outubro do ano passado. 

Entre os setores, destaque para o da energia, que é dos que mais perde, após o acordo da OPEP+ para injetar mais petróleo no mercado. O setor do turismo está igualmente em queda, depois de o Reino Unido ter apertado as regras de quarentena para os visitantes oriundos de França.

"A propagação acelerada da variante Delta, combinada com o aumento da inflação, estão a pesar sobre o sentimento do mercado de hoje, o que leva os investidores a fugir de ativos mais arriscados e a procurar segurança em instrumentos mais defensivos, como os títulos do Tesouro, numa altura em que se observa a baixa liquidez característica do verão", acrescenta Evangelista.

A bolsa de Londres está a recuar 2,2% graças ao novo número de casos de covid-19 na região, que sofreu o maior aumento diário em todo o mundo. Os investidores parecem estar a recuar perante o levantamento de restrições em Inglaterra nesta segunda-feira, olhando para esta medida como uma possível "marcha-atrás" na recuperação da economia.

"Ainda que as quedas de hoje sejam mais uma correção do mercado, a verdade é que mesmo os traders mais otimistas precisarão de mais dados macroeconómico positivos para elevar os preços das ações e voltar aos seus níveis recordes", conclui Evangelista.
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