Bolsa "Reverse stock split". Que operação é esta que o BCP vai fazer?

"Reverse stock split". Que operação é esta que o BCP vai fazer?

O BCP vai avançar com uma fusão de acções. A operação pretende aumentar o valor das acções, tirando o BCP do grupo das "penny stocks". Mas em que consiste afinal um "reverse stock split"?
"Reverse stock split". Que operação é esta que o BCP vai fazer?
Bruno Simão/Negócios
Patrícia Abreu 29 de março de 2016 às 11:05

O BCP vai avançar com uma fusão de acções. A operação, denominada de "reverse stock split", tem como objectivo aumentar o valor unitário das acções. Mas, afinal, como se faz esta reconversão? O que muda realmente para os investidores? Na verdade, além do valor da acção, muda muito pouco. Saiba em três pontos o que é uma fusão de acções.


Menos acções, mas mais "caras"

Enquanto num "stock split", a empresa procura dividir uma acção em mais títulos, de modo a aumentar a liquidez da acção, num "reverse stock split" o objectivo é precisamente o contrário. Ou seja, trata-se de uma operação em que há uma fusão de várias acções num só título. Regra geral, esta operação ocorre em casos em que o valor unitário da acção é demasiado baixo, habitualmente de cêntimos, tal como acontece no BCP.

Através do "reverse stock split" reduz-se o número de acções, aumentando o valor contabilístico dos títulos. No caso do BCP, o banco pretende transformar 193 acções em uma, elevando o valor dos títulos que transaccionam actualmente em torno de quatro cêntimos para cerca de oito euros. Das actuais 59 mil milhões de acções, o banco passará para 305,9 milhões de títulos após a operação.


Valor de mercado inalterado

Uma vez que se trata de uma operação meramente contabilística, sem que haja uma mudança fundamental do título, nem das condições financeiras do banco, não há nenhuma alteração no valor de mercado da instituição. Ou seja, a capitalização bolsista do banco irá manter-se a mesma, antes e depois da operação, oscilando apenas de acordo com a flutuação das acções, tal como acontece normalmente.

Deste modo, o valor dos investimentos em carteira não sofrerá qualquer alteração. Ou seja, quem mantiver 1.000 euros aplicados em acções do BCP continuará a ter o mesmo valor, mas com menos títulos em mãos. Actualmente o BCP conta com um valor de mercado de aproximadamente 2,5 mil milhões de euros.

Volatilidade mais reduzida

O baixo valor das chamadas "acções de cêntimo" é um chamariz para os pequenos investidores, sobretudo aqueles que procuram ganhar com movimentos de curto prazo. O elevado número de acções disponíveis no mercado, associado ao valor reduzido das acções, faz com que estes títulos tenham um elevado nível de liquidez e também uma maior volatilidade.

Ao aumentar o valor contabilístico das acções, a cotada irá, assim, reduzir a volatilidade dos títulos, permitindo uma maior estabilização das cotações. E é precisamente isto que o BCP pretende. O banco quer tirar o banco do grupo das chamadas "penny stocks" e evitar movimentos bruscos dos títulos.




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