Bolsa "Sexta-feira negra" do Brexit custou 2 biliões às bolsas. E segunda-feira?

"Sexta-feira negra" do Brexit custou 2 biliões às bolsas. E segunda-feira?

Do mercado cambial às matérias-primas, da Ásia aos Estados Unidos. A vitória do Brexit provocou uma sexta-feira negra nos mercados e tendo em conta apenas as bolsas, a derrocada no valor das acções foi de 2 biliões de dólares.
"Sexta-feira negra" do Brexit custou 2 biliões às bolsas. E segunda-feira?
Reuters
Nuno Carregueiro 25 de junho de 2016 às 18:01

As empresas cotadas em todo o mundo viram o seu valor de mercado baixar 2,1 biliões de dólares na última sessão. Numa sexta-feira que foi negra para grande parte das bolsas mundiais (incluindo a portuguesa), os investidores despejaram acções temendo o impacto da decisão tomada na véspera pelos britânicos.

 

De acordo com a S&P Dow Jones, esta perda de valor de mercado foi a mais elevada desde que estes dados começaram a ser coligidos, em 2007. O índice que mede a evolução de todas as cotadas mundiais baixou cerca de 5%, apontando agora para uma capitalização bolsista global de 41,5 biliões de dólares.

 

Uma grande fatia deste total foi perdida pelas acções norte-americanas (830 mil milhões de dólares). E o sector financeiro foi dos mais castigados, com uma perda de capitalização bolsista conjunta de 400 mil milhões de dólares.

 

De acordo com a Bloomberg, as maiores cotadas europeias, que estão incluídas no Stoxx 600, viram a sua capitalização bolsista baixar 850 mil milhões de euros logo nos primeiros minutos de negociação de sexta-feira, quando o índice caia 9%.

 

O Stoxx 600 fechou o dia a cair 7%, o que representa a maior queda desde 2008. Em Lisboa o PSI-20 registou uma queda idêntica e as cotadas do índice viram o seu valor de mercado baixar 3,3 mil milhões de euros.

 

O FTSE de Londres acabou por ser dos menos penalizados na Europa, com o índice da Bolsa de Londres a descer 3,2% dado que as empresas exportadoras fecharam a ganhar devido à queda acentuada da libra.

 

De acordo com a Bloomberg, os 15 britânicos mais ricos viram a sua fortuna baixar em 4 mil milhões de libras. O mais rico, Gerald Grosvenor, perdeu 727 milhões de libras.

 

A desvalorização de 2,1 biliões de dólares contabiliza apenas as perdas nos mercados accionistas, sendo que a perda de valor nos mercados foi bem superior, pois os investidores também saíram em força de outros activos, como a maioria das matérias-primas, as obrigações soberanas com "yield" mais elevada e muitas divisas.

 

A libra foi a mais castigada, caindo para mínimos de 31 anos face ao dólar, mas o euro também sofreu uma queda violenta. No mercado de dívida as obrigações dos países periféricos do euro foram as mais penalizadas e nas matérias-primas destacou-se o petróleo pela negativa, com os investidores a anteciparem um abrandamento da economia mundial.

 

Já os activos refúgio foram os do costume: os juros da dívida alemã ficaram ainda mais negativos, o ouro registou o maior ganho desde 2008 e o dólar valorizou contra as principais moedas.

E segunda-feira?

 

Depois da reacção em choque na sexta-feira, os especialistas antecipam que a volatilidade vai continuar a dominar os mercados, com os investidores ainda à procura de saber qual será o verdadeiro impacto da saída do Reino Unido da União Europeia.

 

"É um momento histórico e estamos a entrar em território desconhecido", comentou à Bloomberg Ralf Zimmermann, do banco alemão Bankhaus Lampe. "Espero muita volatilidade nos próximos dias. Os bancos vão ser os mais atingidos, dado que temos um período de incerteza muito grande pela frente, pois não se sabe como [o Brexit] vai afectar a economia do Reino Unido e se haverá outros movimentos semelhantes na Europa".

 

Se a resposta dos mercados na sexta-feira foi muito precipitada, os próximos movimentos deverão ser mais ponderados, refere o Financial Times, lembrando que na quinta-feira à noite quase todos esperavam a derrota do Brexit.

 

A vitória do Brexit "não deixou tempo para que os comités dos bancos de investimento tivessem tempo para decidir o que fazer", comentou ao jornal britânico Albert Wizman, da Macquarie. A reacção de sexta-feira "foi uma resposta automática ao que aconteceu" e agora "vai haver intervenção humana".

 

Mas a incerteza que o Brexit veio trazer aos mercados não augura nada de bom, uma vez que perante a incerteza a resposta muitas vezes passa por vender. "Qual vai ser o impacto no crescimento global? Como vai afectar a confiança dos investidores? Quais as implicações do Brexit na irreversibilidade da União Europeia?", questiona Katie Nixon, da Northern Trust Wealth. "A resposta a estas questões necessita de tempo. Agora os investidores estão a reavaliar os activos para atingir um nível que considerem ser adequado para compensar o risco".

 

Uma ajuda aos investidores poderá estar, mais uma vez, nos bancos centrais. Na sexta-feira já ajudaram a estancar a queda que se verificava no mercado de dívida e cambial. Este domingo já há reunião em Basileia. O que for decidido e dito na cidade suíça pode ajudar a tranquilizar os investidores e a acalmar o nervosismo nas bolsas.




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