Bolsa Tagus já entregou proposta para a saída de Brisa de bolsa à CMVM

Tagus já entregou proposta para a saída de Brisa de bolsa à CMVM

Comunicado referente ao mecanismo de saída adoptado pelo Grupo José de Mello deverá sair até à abertura de mercado de segunda-feira.
Tagus já entregou proposta para a saída de Brisa de bolsa à CMVM

A Tagus, veículo que reúne o Grupo José de Mello e o fundo Arcus, já entregou à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) a proposta para retirar a Brisa de bolsa, apurou o Negócios.

 

O comunicado a indicar qual o mecanismo de saída adoptado pela Tagus deverá ser divulgado ao mercado entre esta sexta-feira, 1 de Março, e a abertura das bolsas da próxima segunda-feira, 4 de Março.

 

A Tagus, que ficou com 92% dos direitos de voto da Brisa na sequência da oferta pública de aquisição lançada há exactamente um ano, tem três opções para tirar a Brisa de bolsa. A primeira é pagar a remuneração que ofereceu na OPA (que a sociedade sempre disse que não pretendia oferecer - 2,76 euros por acção). A segunda é a nomeação de um auditor independente pela CMVM que defina o valor da empresa. A terceira, é a intervenção de um revisor oficial de contas. Será uma destas três opções a constar do documento hoje entregue à reguladora.


Esta sexta-feira era o último dia do prazo que a Tagus tinha para entregar uma decisão sobre o pedido para a perda de qualidade de sociedade aberta da Brisa, que, a ser aceite pela reguladora presidida por Carlos Tavares, vai ditar a sua saída de bolsa.

 

Ao entregar um documento, estará de fora a opção de manter a concessionária de auto-estradas em bolsa, tal como já tinha sido avançado pelo Negócios.

 

As opções da Tagus para tirar a Brisa da Bolsa de Lisboa

Para a saída de bolsa, a reguladora nacional deixa dois códigos pelos quais a Tagus se deve reger na sua decisão: ou opta pelo artigo 188º do código de valores mobiliários ou pelo artigo 490º do código de sociedades comerciais.

 

No artigo 188º do código de valores mobiliários, a contrapartida que o veículo terá de oferecer tem de ser a mais elevada de duas opções: igual ou superior ao “maior preço pago pelo oferente” nos seis meses anteriores à data de publicação do anúncio preliminar da oferta (2,76 euros); ou “o preço médio ponderado” das acções durante o mesmo período.

 

Caso a reguladora entenda que a contrapartida oferecida neste campo não se justifica, há aqui a outra opção que é chamar-se um auditor independente, nomeado pela CMVM.

 

Já se a Tagus optar pelo 490º do código das sociedades comerciais, terá de despender uma contrapartida “justificada por relatório elaborado por revisor oficial de contas independente das sociedades interessadas”. Este revisor será escolhido pela ordem dos revisores oficiais de contas.

 

A Brisa só sairá de bolsa, caso o pedido seja aceite, “após a ratificação pela CMVM do mecanismo de saída apresentado e da sua concretização”

“Caso não venha a ser apresentado à CMVM, no prazo referido [até hoje], o mecanismo de saída a que se refere a presente decisão, ou caso o mesmo não venha a ser aceite pela CMVM, considera-se indeferido o pedido, o mesmo sucedendo no caso de, depois de aceite e verificado pela CMVM, o referido mecanismo não vir a ser implementado”, indicava a reguladora presidida por Carlos Tavares (na foto) na decisão publicada a 11 de Fevereiro.

 

Tagus poderá ter de gastar 785,8 milhões de euros

 

Tendo em conta que há 43.864.042 acções da Brisa que não estão na posse da Tagus, este veículo poderá ter de gastar até 121 milhões de euros caso aceite a proposta de pagar 2,76 euros por acção. Isto se todos os minoritários aceitarem uma eventual proposta da empresa, já que não estão obrigados a vender – e não se sabe se a Tagus se propõe a pagar a todos os accionistas da Brisa ou só àqueles que não venderam na OPA.

 

Na sua proposta inicial, a de pagar uma remuneração que não superasse os dois euros aos pequenos accionistas da concessionária de auto-estradas, a Tagus estava disposta a pagar até 88 milhões de euros.

 

Quando lançou a OPA, o Grupo José de Mello e o Arcus fizeram um investimento de 584 milhões de euros para passarem a controlar mais de 90% dos direitos de voto da empresa. Ou seja, o investimento conjunto para retirar a Brisa de bolsa da Tagus poderá ascender a 785,8 milhões de euros (584 milhões juntamente com os 121 milhões de euros).

 

Não é possível fazer cálculos caso a opção da Tagus seja qualquer uma das outras duas, dado que a remuneração será decidida depois de análise feita pelo auditor independente ou pelo revisor oficial de contas.

 

 
Por que sai a Brisa de bolsa?

Ao retirar-se a qualidade de sociedade aberta, a concessionária de auto-estradas deixa de estar cotada em bolsa. O que quer dizer que não é a sua cotação diária a ditar a avaliação do valor da empresa.

 

Tal como avançou o Negócios em Agosto, quando foram conhecidos os resultados da OPA, os bancos financiadores da operação (BCP, BES e CGD) estimavam que as acções da Brisa pudessem valer 6 euros, mais do dobro dos 2,76 euros que foram pagos na OPA. Era esse o valor que estava nos cálculos dos bancos quando foi lançada a OPA, bancos que, com uma nova avaliação da empresa fora de bolsa, ficam com um balanço menos negativo e com as garantias da dívida de José de Mello reforçadas.

 

Com a estimativa de 6 euros por acção, a Brisa ficava avaliada em 3,6 mil milhões de euros, como foi noticiado na mesma altura. Hoje, com os títulos a 2,26 euros (subiram 1,8%), o valor de mercado da Brisa é menos de metade: 1,36 mil milhões de euros.

 

Com 92% dos direitos de voto da Brisa, a Tagus anunciou esta semana que irá votar contra a proposta da comissão executiva da empresa de pagar um dividendo global de 108 milhões de euros aos accionistas (40% dos resultados distribuíveis).

 




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