Bolsa Trump arrasta Wall Street para maior queda em oito meses

Trump arrasta Wall Street para maior queda em oito meses

As bolsas asiáticas e europeias estiveram hoje a negociar em baixa devido à chamada "crise Trump", que está a ser encarada pelos investidores com um misto entre frustração e fatalismo. Do outro lado do Atlântico, os índices não escaparam a este pessimismo geral. Há oito meses que não registavam uma queda tão expressiva numa só sessão.
Trump arrasta Wall Street para maior queda em oito meses
Reuters
Carla Pedro 17 de maio de 2017 às 21:38

Donald Trump continua a gerar polémica e muita preocupação. Depois dos relatos do The Washington Post sobre o facto de ter passado à Rússia informação confidencial sobre o Daesh, ontem o The New York Times lançou mais achas na fogueira ao avançar que o presidente norte-americano terá pedido ao ex-director do FBI, James Comey, que "esquecesse" a investigação que estava a ser feita ao ex-conselheiro de Segurança Nacional Michael Flynn.

 

Os mercados financeiros acordaram esta terça-feira com estas notícias divulgadas ontem à noite e começaram de imediato a reflectir o clima de receio, ao qual a bolsa lisboeta não escapou.

Relativamente à informação passada aos russos, Trump já se defendeu, dizendo que passou os dados "apropriados" e até o seu homólogo Putin veio dizer que está disponível para provar que o presidente dos EUA não transmitiu segredos a Moscovo.

Enquanto mais de um milhão de pessoas já assinou a petição que pede a destituição de Trump, este veio hoje dizer que é o político mais maltratado da história

Mas o que está mesmo a "virar o barco" é a possibilidade de Trump ter tentado de facto que o FBI "limpasse" o nome de Flynn. Algo que James Comey considerou "impróprio" - vindo depois a ser demitido por Trump na semana passada.

 

Nos EUA, a tendência foi também de forte queda e o "índice do medo" (índice de volatilidade – VIX) marcou a maior subida desde que os britânicos disseram maioritariamente "sim" à saída do Reino Unido da União Europeia no referendo de 23 de Junho do ano passado.

 

Com este pessimismo a invadir o sentimento dos investidores, em Wall Street os índices registaram quedas que não se observavam há oito meses.

 

O Dow Jones terminou a sessão a perder 1,78% para 20.606,93 pontos e o Standard & Poor’s 500 recuou 1,80% para 2.357,25 pontos – depois de nas duas primeiras sessões da semana ter chegado a marcar novos máximos históricos.

 

Também o tecnológico Nasdaq Composite acompanhou a tendência negativa dos seus congéneres de Nova Iorque, depois de várias jornadas em recordes. Fechou a afundar 2,57% para se estabelecer nos 6.011,23 pontos.

 

Os investidores aguardam agora por desenvolvimentos em torno da "crise Trump", a par com a divulgação de novos dados macroeconómicos e resultados de empresas. Mas será o presidente norte-americano, uma vez mais, a dar o mote à tendência de fundo das bolsas.

 

Os intervenientes dos mercados estão a começar a questionar-se sobre a capacidade de a Administração Trump se focalizar em medidas políticas ao mesmo tempo que tenta navegar por entre águas revoltas entre sucessivas crises. 

Os operadores de mercado começam a duvidar da possibilidade de Trump cumprir as suas promessas, sobretudo no que se refere à reforma fiscal e aos gastos em infra-estruturas com que acenou durante a sua campanha eleitoral.




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