Bolsa Ursos nos BRIC ameaçam mercados desenvolvidos

Ursos nos BRIC ameaçam mercados desenvolvidos

Brasil, Rússia e sobretudo a China atravessam um período conturbado. A crise das matérias-primas e a implementação de reformas estão a colocar um travão às economias. E a arrastar os países desenvolvidos.
Ursos nos BRIC ameaçam mercados desenvolvidos
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Patrícia Abreu 14 de janeiro de 2016 às 22:00
Chegaram a ser a locomotiva do crescimento da economia mundial no início da década, mas sucumbiram à crise das matérias-primas e a problemas específicos. Depois de um 2015 marcado por quedas expressivas nas acções e nas moedas, os BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), liderados pela China, prometem abalar os alicerces da economia mundial. Tudo vai depender sobretudo da evolução da economia chinesa.

Os mercados accionistas mundiais estão a ter um início de ano turbulento, liderados pelos BRIC. À semelhança do que aconteceu em Agosto do ano passado, a China voltou a assustar os investidores. A bolsa chinesa e, desde esta quinta-feira, 14 de Janeiro, a praça brasileira estão já em "mercado urso", ou seja, caem mais de 20% desde o último máximo, perante os receios em torno das suas economias.

A intervenção no mercado cambial e as fortes quedas nas acções aceleraram a desconfiança em torno da China. Além de ser um dos maiores consumidores de matérias-primas, é ainda o destino de grande parte das exportações, bem como o maior "cofre" de reservas de dólares. "O principal problema é o abrandamento da procura chinesa e o elevado risco de se estar a desenvolver uma crise de crédito, levando a maior pressão nos activos de mercados emergentes em geral", diz Maarten-Jan Bakkum, estratego de mercados emergentes da NN Investments Partners.

Mas, além de afectar negativamente os países em desenvolvimento, o gigante asiático poderá ainda abrandar a economia mundial, cujo crescimento é modesto. "A China foi o motor do crescimento mundial por vários anos, mas agora parou", com o país a atravessar um demorado processo de reajustamento, explica Guy Haselmann, do Scotiabank. Apesar dos receios em torno do abrandamento chinês, os especialistas não antecipam uma travagem brusca na economia, limitando o impacto negativo, ainda que enfrente muitos desafios.

E se as perspectivas para a China são, no mínimo, conservadoras, para os restantes países que integram os BRIC não melhoram. A Rússia deverá continuar a ser penalizada pelos baixos preços das matérias-primas, enquanto o Brasil, além da crise das "commodities" enfrenta vários escândalos de corrupção. "Se os preços da energia e dos metais continuarem nos níveis actuais ou caírem mais ao longo de 2016, então os países exportadores de matérias-primas, como a Rússia, podem continuar a sofrer", argumenta Richard Dunbar, estratego de investimento da Aberdeen.

Dos quatro, a Índia é quem apresenta maior potencial, continuando a beneficiar das reformas estruturais implementadas por Narendra Modi e também da queda das matérias-primas.


Goldman decreta fim da era dos BRIC Assim como criou a sigla Brasil, Rússia, Índia e China (BRIC), o Goldman Sachs decidiu que estava na altura de decretar o fim desta era. O banco de investimento americano encerrou o seu fundo dedicado aos BRIC em Novembro de 2015, no seguimento do mau desempenho registado por estes mercados e das fracas perspectivas de recuperação. O produto gerido pelo Goldman Sachs mantinha um património de 100 milhões de euros, um valor significativamente abaixo do pico nos 800 milhões registados no final de 2010. Ao encerrar este fundo, a instituição assinalou o final de uma era, em que estas quatro economias em desenvolvimento representavam uma parte central a nível mundial, devido ao forte potencial de crescimento. Criada em 2001, a sigla deixou de estar entre as prioridades estratégicas do gigante de Wall Street em termos de investimento, fruto da instabilidade que enfrentam.






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