Bolsa Valor de mercado da EDP aumenta mil milhões após maior subida da década

Valor de mercado da EDP aumenta mil milhões após maior subida da década

A capitalização bolsista da EDP subiu para 12,4 mil milhões de euros e a cotação das acções fechou 4% acima da contrapartida da OPA da China Three Gorges.

As acções da EDP reagiram em forte alta ao anúncio preliminar da oferta pública de aquisição (OPA) que os chineses da China Three Gorges (CTG) publicaram na sexta-feira, 11 de Maio.

 

Os títulos da eléctrica fecharam a ganhar 9,32% para 3,40 euros, o que se situa já 4% acima do preço da OPA, de 3,26 euros por acção.

 

Ao longo da sessão as acções oscilaram entre uma subida de 8,04% e de 12,38%, sendo que chegaram a negociar nos 3,495 euros, o que representa o valor mais elevado desde Outubro de 2015. Com esta subida, a EDP acumula um ganho de 18,7% em 2018 e apresenta uma capitalização bolsista de 12,4 mil milhões de euros.

 

Só na sessão de hoje o valor de mercado da cotada liderada por António Mexia aumentou em 1,06 mil milhões de euros.


A valorização diária, de acordo com a Bloomberg, é a mais forte desde 2008 e acontece numa altura em que os analistas dão conta que a CTG terá que subir o preço da OPA para esta ter sucesso e que podem surgir ofertas concorrentes.

 

Foram vários os bancos de investimento que elevaram a avaliação das acções da EDP na sequência da OPA, sendo que ainda assim a média dos 11 novos preços-alvo situa-se abaixo do preço da oferta.

 

A EDP Renováveis também reagiu em alta, fechando a subir sobe 2,68% para 8,055 euros, afastando-se ainda mais do preço da OPA (7,33 euros).

 

A CTG lançou a 11 de Maio uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre a totalidade do capital da EDP, com uma contrapartida de 3,26 euros por acção que se situa 4,8% acima da cotação das acções nessa sessão. A oferta avalia a eléctrica em 11,9 mil milhões de euros.

 
Analistas dizem que preço é baixo e pode surgir oferta concorrente

Esta reacção das acções mostra que o mercado está à espera de pelo menos um destes dois cenários: revisão em alta da contrapartida e/ou surgimento de uma oferta concorrente.

 
Os bancos de investimento já reagiram à oferta e vários classificam o preço de baixo e antecipam uma "luta pelo controlo" da eléctrica. 

Para o analista do JP Morgan, Javier Garrido, o valor oferecido pela China Three Gorges (CTG) "parece ser demasiado baixo para alcançar o controlo da empresa". Também esta sexta-feira o banco de investimento norte-americano reviu em alta o preço-alvo da EDP de 2,95 euros para 3,26 euros (o valor da contrapartida), mantendo uma recomendação neutral.

CaixaBI não acredita em nenhuma das ofertas públicas de aquisição lançadas pela China Three Gorges, que têm a EDP e a EDP Renováveis como visadas. "Na nossa opinião, o preço da oferta [sobre a EDP] é demasiado baixo para que a mesma possa ter sucesso". É este o comentário da analista Helena Barbosa, da casa de investimento que pertence à CGD, na nota de "research" emitida esta segunda-feira, 14 de Maio. 

 

Para o BPI, há espaço para que haja uma corrida ao controlo da EDP. "Não excluímos a possibilidade de uma revisão da contrapartida ou de uma luta pelo controlo", assinala a equipa de especialistas liderada por Gonzalo Sanchez-Bordona, na nota de "research" desta segunda-feira, 14 de Maio, a que o Negócios teve acesso. 

 

Os analistas ouvidos pelo Negócios também admitem que a oferta lançada pelos accionistas chineses da EDP poderá ser a resposta ao interesse de outras empresas e consideram provável o surgimento de ofertas concorrentes.

 

"Os últimos meses mostraram um conjunto de notícias em torno do interesse que empresas do sector europeu demonstravam no negócio da EDP (Gas Natural, ENEL, ENGIE)", lembra Albino Oliveira. "Desta forma, este anúncio por parte da CTG poderá também ser visto, provavelmente, como resposta a esse mesmo fluxo de notícias", acrescenta o analista da Patris investimentos, considerando que "é possível" que surjam outras ofertas concorrentes.

 

"Se existe a abertura do governo em deixar o controlo da EDP passar definitivamente para mãos estrangeiras, então é possível que apareçam outras propostas", defende Pedro Lino. "Parece até que esta proposta foi construída por forma a que possam aparecer outras propostas", frisa o administrador da Dif Broker.

 

Pedro Lino considera que esta "não [é justa], quer pela fraca valorização dos ‘cash flows’ da empresa, pela ausência que partilha que qualquer sinergia de activos, e principalmente porque não existe prémio de controlo de 50%+1, uma das condições aparentemente vinculativas, mas que o pode não ser". 

 

CTG oferece menos do que em 2011

 

O preço da oferta é cerca de 5,5% inferior ao que os chineses pagaram na privatização de 2011 e também compara mal com o histórico da EDP na bolsa nacional nos últimos anos.

 

A EDP atingiu o máximo histórico na bolsa portuguesa na última sessão de 2007, quando chegou aos 5 euros (mais de 50% acima do preço da OPA). Mas não é necessário recuar tanto tempo para encontrar períodos alargados em que a EDP negociou acima da contrapartida da CTG (aconteceu durante grande parte de 2014 e 2015), e mesmo o máximo das últimas 52 semanas (3,389 euros a 15 de Setembro de 2017) é 4% superior à OPA.

 

A OPA visa o controlo da EDP, estando condicionada à obtenção de um mínimo de 50% do capital da eléctrica. Para comprar as acções que não detém, a CTG (que controla 23% do capital) terá de investir um máximo de 9,15 mil milhões de euros.

 

A CGT também lançou uma OPA sobre a EDP Renováveis, oferecendo 7,33 euros por cada acção, uma contrapartida que se situa 6,5% abaixo da cotação dos títulos a 11 de Maio (7,845 euros).  Esta oferta assume o estatuto de obrigatório, pois decorre da OPA sobre a EDP, que controla 83% da empresa de energias verdes.

 

A CTG terá de gastar cerca de 10 mil milhões de euros para comprar a totalidade das duas empresas. Além do limite mínimo de 50% do capital, a OPA está condicionada a uma série de outros factores, como a obtenção de um conjunto alargado de autorizações de reguladores e a não oposição do Governo português.




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