Bolsa Wall Street abre em queda com retórica dura de Trump contra a China

Wall Street abre em queda com retórica dura de Trump contra a China

Numa altura em que as bolsas europeias negoceiam em terreno negativo, Wall Street vai pelo mesmo caminho. Os dados da inflação dão mais motivos à Fed para baixar os juros, mas as palavras de Trump sobre o acordo com a China preocupam os investidores.
Wall Street abre em queda com retórica dura de Trump contra a China
Reuters
Tiago Varzim 12 de junho de 2019 às 14:39
Wall Street abriu em queda nesta quarta-feira, 12 de junho, após uma sessão morna em que os três índices fecharam ligeiramente em baixa após cinco sessões consecutivas em terreno positivo. 

O Dow Jones desce 0,09% para os 26.024,11 pontos, o Nasdaq desvaloriza 0,37% para os 7.793,41 pontos e o S&P 500 cede 0,13% para os 2.881,29 pontos. As bolsas norte-americanas deslizam assim pelo segundo dia, parando o "rally" de junho. Ainda assim, os índices estão quase 5% acima do nível em que começaram o mês, recuperando parcialmente do forte "sell-off" de maio.

Antes do arranque da sessão, a divulgação dos dados da inflação desiludiram: a taxa aumentou 0,1 pontos percentuais em maio para os 2%, abaixo das previsões, num mês em que caíram os preços dos veículos usados. A evolução tímida dos preços poderá dar mais motivos à Reserva Federal para baixar os juros, o que será bem recebido pelos investidores. Tal poderá ir ao encontro dos desejos do presidente norte-americano que ontem disse no Twitter que os "juros estão muito altos". 

O cenário de corte dos juros diretores foi admitido por Jerome Powell, presidente da Reserva Federal, na semana passada, mas apenas se for necessário para apoiar a economia norte-americana, numa altura em que as tarifas dos EUA à China e respetivas retaliações estão a travar o comércio mundial. A possibilidade de o comité da Fed, que se reúne a 18 e 19 de junho, baixar os juros em breve, tem vindo a beneficiar a negociação bolsista em junho.

A contribuir para o pessimismo dos investidores está o facto de o presidente norte-americano, Donald Trump, ter confirmado as ameaças feitas pelo secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, de que serão aplicadas tarifas adicionais aos produtos chineses se não houver encontro com Xi Jinping no G-20, que se realiza a 28 e 29 de junho em Osaka (Japão).

Os mercados temem que as tensões comerciais durem mais tempo do que se previa, o que acumulará os efeitos negativos na economia e, em último caso, nos lucros das cotadas. Ainda ontem Trump deu mais motivos para se achar que a disputa comercial não será resolvida em breve ao dizer que não avançaria com nenhum acordo comercial se a China não aceitar firmar um compromisso em quatro ou cinco pontos essenciais, sem os especificar.

"Sem nenhuma garantia de que a China irá encontrar-se com os EUA à margem da cimeira do G-20 no final deste mês, as tensões comerciais continuam a dar gás às incertezas dos mercados", considera Nema Ramkhelawan-Bhana, economista da FirstRand Bank, à Bloomberg, referindo que, no entanto, a "crescente possibilidade da Fed cortar os juros está a contrabalançar as preocupações com o comércio". 

Como é habitual, as cotadas mais sensíveis aos desenvolvimentos comerciais estão em queda neste início de sessão. É o caso da fabricante de aviões Boeing ou das fabricantes de chips, mas também das empresas de semicondutores como a Nvidia ou a Micron, que estão a cair mais de 1%.



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