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Wall Street sobe timidamente à espera que não haja "shutdown"

As bolsas norte-americanas abriram em ligeira alta, com os investidores à espera de saberem se os serviços federais vão paralisar. Se o pacote de financiamento do governo federal for chumbado no Senado, o país entra já hoje em "shutdown".

Reuters
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 21 de Dezembro de 2018 às 14:38
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O Dow Jones segue a avançar 0,22% para 22.910,88 pontos e o Standard & Poor’s 500 soma 0,32% para 2.475,375 pontos.

 

O Dow e o S&P 500 estão em território de correcção, já que perdem mais de 10% face aos últimos máximos, e têm-se aproximado a passos largos do terreno dos ursos (uma queda superior a 20%).

 

Por seu lado, o tecnológico Nasdaq Composite segue a valorizar 0,433% para 6.556,46 pontos. Isto depois de ontem ter encerrado a cair 19,73% face ao último máximo deste ano, marcado a 30 de Agosto nos 8.133,30 pontos. E chegou a entrar em "bear market" durante a sessão, ao perder mais de 20%.

 

O maior foco dos investidores nesta sexta-feira está no financiamento do governo federal. A Câmara dos Representantes aprovou na noite passada (já era sexta-feira em Lisboa, devido à diferença horária de cinco horas para Washington) um pacote orçamental que contempla os 5,7 mil milhões de dólares exigidos por Donald Trump para a construção do muro na fronteira com o México, para satisfação do presidente norte-americano.



Falta agora a decisão do Senado sobre este orçamento. Decisão essa que pode, caso seja negativa, provocar um "shutdown" - encerramento dos serviços governamentais - naquele país. Isto porque os senadores não querem contemplar um montante para o muro.

 

Hoje é o último dia para aprovar esse orçamento, evitando assim a paralisação do governo, uma vez que é preciso mais dinheiro para financiar os serviços federais. Mas apesar de o Senado ser de maioria republicana, há elementos do partido que também não concordam com uma verba para o muro.

Trump já ameaçou que, caso a sua pretensão orçamental não seja aprovada, terá "orgulho" em encerrar os serviços públicos nacionais. "Serei eu a provocar a paralisação [dos serviços públicos]. E terei orgulho em encerrar os serviços governamentais a bem da segurança na fronteira", declarou no passado dia 11 de Dezembro durante uma tensa troca de ideias com Nancy Pelosi, a líder democrata na Câmara dos Representantes, e com Chuck Schumer, o líder democrata no Senado, que se realizou na presença de jornalistas na Casa Branca.

E hoje voltou às ameaças, advertindo para uma paralisação "muito longa" dos serviços federais se os democratas votarem contra o financiamento do seu plano.

 


Nas eleições intercalares de inícios de Novembro, a maioria da Câmara dos Representantes regressou às mãos dos democratas, mas essa mudança só será efectiva a 3 de Janeiro. Por isso, é ainda de maioria republicana.

O pacote aprovado na noite passada pela Câmara dos Representantes inclui também uma ajuda de perto de 8 mil milhões de dólares para os prejuízos decorrentes dos recentes furacões e dos incêndios na Califórnia. Segue agora para o Senado, onde tem a forte oposição dos democratas. São necessários 60 votos para ser aprovado.

O líder do Partido Republicano no Senado, Mitch McConnell, já advertiu os senadores para a possibilidade de estes terem de regressar a Washington esta sexta-feira à tarde para votarem, refere a Time.

Muitos senadores já saíram da capital, para as férias natalícias, depois de o Senado ter aprovado na quarta-feira um projecto de lei para manter o governo federal temporariamente financiado. Esse projecto de lei prevê que o dinheiro para a segurança na fronteira se mantenha nos actuais níveis, nos 1,3 mil milhões de dólares, mas não contempla qualquer valor para o muro com o México.

A última vez em que os Estados Unidos correram risco de um "shutdown" foi em Janeiro passado, o que de facto aconteceu, com os serviços públicos do país a paralisarem durante três dias. Ao terceiro dia de "shutdown", os legisladores norte-americanos acabaram por delinear um acordo para a reabertura dos serviços do governo federal.

Recorde-se que a lei de financiamento do Estado federal norte-americano abrange várias áreas, da Agricultura à Defesa, e a sua aprovação evita uma paragem dos serviços públicos por falta de dinheiro.

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