OPV dos CTT CTT vai pagar o melhor dividendo da bolsa nacional

CTT vai pagar o melhor dividendo da bolsa nacional

O retorno do dividendo dos CTT deverá rondar os 8%, o que corresponde ao mais elevado entre as cotadas do PSI-20. Remuneração accionista é um dos principais trunfos da operação, que deverá atrair forte procura.
CTT vai pagar o melhor dividendo da bolsa nacional
Bloomberg
André Veríssimo Paulo Moutinho 19 de novembro de 2013 às 10:29

Os CTT vão oferecer o melhor dividendo da Bolsa de Lisboa. O ponto médio do intervalo de preços a que vão ser vendidas as acções na OPV aponta para um retorno de 8,31%, um valor que não é atingido por nenhuma das cotadas do PSI-20.

 

Este é um dos trunfos do Governo para atrair investidores para uma operação que pode render até 580 milhões ao Tesouro.

O Governo anunciou na segunda-feira o intervalo de preços a que serão vendidas as acções dos CTT: 4,10 a 5,52 euros, com um ponto médio de 4,81 euros. Segundo cálculos do Negócios, a rentabilidade da remuneração aos accionistas será de 8,31%, tendo em conta o valor dos dividendos que os CTT vão distribuir no próximo ano.

 

Os CTT deverão pagar 60 milhões de euros em dividendos aos seus accionistas em 2014, referente ao exercício de 2013, e 90% do lucro distribuível apurado no exercício do próximo ano, em 2015, de acordo com o prospecto publicado esta terça-feira.

 

O retorno do dividendo de 8,31% é o mais elevado do PSI-20. Isto considerando o ponto médio, já que tendo em consideração o intervalo de preços o retorno poderá variar entre 7,24% e 9,75%. Mesmo que o valor final do preço das acções for fixado no valor mais alto do intervalo, o dividendo dos CTT superará o da REN. Considerando a actual cotação e o último dividendo pago, a REN tem um retorno de 7,4%.


A rentabilidade oferecida pelos CTT, que deverá entregar cerca de 90% dos lucros aos accionistas, é superior aos 6,1% da OPV do Royal Mail e da "yield" actual do belga BPost, de 7%. O retorno do dividendo dos correios britânicos caiu entretanto para pouco mais de 3%, devido à valorização de 69% das acções desde a estreia em Maio.

A elevada geração anual de fluxos de caixa libertos (EBITDA) e a política de dividendos atractiva é uma das qualidades destacada por Pedro Pintassilgo, que antecipa "um grande interesse dos investidores institucionais portugueses e estrangeiros na operação".

 

"Nos últimos anos perdemos a Brisa, a Cimpor e, recentemente, também a Portugal Telecom, que eram os pesos-pesados dos dividendos na Bolsa de Lisboa. Com os CTT poderemos vir a ter um novo gigante na remuneração aos investidores", assinala Steven Santos, gestor da Xtb. 

Forte procura vai puxar pelo preço

O interesse manifestado pelos investidores institucionais nas reuniões prévias ao início da OPV levaram as Finanças a elevar a fasquia para o valor dos CTT. De um montante inicial a rondar os 600 milhões de euros, oferecido pelos investidores privados interessados numa venda directa de 100%, o Governo prevê agora alienar 70% do capital dos Correios com uma avaliação média de 721,5 milhões de euros, num intervalo que oscila entre 615 e 828 milhões.

 

Os números são decididos pelo Governo com base na avaliação dos bancos que estão a assessorar a operação (JPMorgan, CaixaBI, BESI e BBVA).

Os analistas acreditam que o valor final até pode ser superior à avaliação média, uma vez que esperam uma forte procura pelas acções. "O preço pode ficar um pouco acima do intervalo médio no final da angariação de ordens, devido à elevada procura pelas acções, que deverá obrigar a rateio", afirma Pedro Pintassilgo, gestor de acções portuguesas da F&C. "Este valor é um sinal claro de apetência por parte dos institucionais", considera Steven Santos. 

Os especialistas antecipam também uma forte adesão dos particulares, a quem foi destinado uma fatia de 20% das 105 milhões de acções que serão vendidas na OPV. Junto dos pequenos investidores, "acredito que o rateio será elevado", dada a forte procura que a operação deverá suscitar.

O intervalo de preços divulgado pelo Governo aponta para um encaixe que começa nos 430,5 milhões de euros, mas pode chegar aos 579,6 milhões na avaliação máxima. O valor médio é de 505 milhões.

 

A entrada em bolsa está prevista para 5 de Dezembro.




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