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Investidores alertam para preço "exagerado" da Espírito Santo Saúde

Participantes do Fórum do Caldeirão de Bolsa dizem que a avaliação definida para a entrada em bolsa é elevada. Partilham a mesma perspectiva dos analistas

Paulo Moutinho 27 de Janeiro de 2014 às 23:30
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A OPV da Espírito Santo Saúde já está em marcha. O período de subscrição dos títulos arrancou esta segunda-feira, depois de terem sido reveladas as condições da oferta durante o fim-de-semana. O intervalo de preços, de 3,20 a 3,90 euros, dá à gestora hospitalar uma avaliação que não convence os pequenos investidores. "É um bom preço para quem vende", dizem os participantes do Fórum do Caldeirão de Bolsa. "Parece um claro exagero", tendo em conta os lucros.

Depois da oferta pública de venda (OPV) dos CTT, e tendo em conta o desempenho positivo das acções, a entrada em bolsa da ES Saúde está a ser alvo de escrutínio por parte dos pequenos investidores. Vale a pena? Está cara ou barata? São algumas das questões que se levantam. "Posso estar enganado, mas esta OPV não me transmite a mesma confiança que os CTT", diz o utilizador "ptbr13", na discussão lançada pelo Negócios.

A falta de "confiança" refere-se ao potencial de subida, dada a avaliação apresentada pela empresa. Considerando o intervalo de venda das acções, a ES Saúde fica avalia entre 305 e 372 milhões de euros, isto num negócio que nos últimos 12 meses gerou lucros de 13,2 milhões. Ao preço máximo, ficaria a negociar em bolsa a 28 vezes os resultados, o que é "caro, se comparado com os pares de maior capitalização [entre eles a Orpea]", diz "Viclion". E remata: "É um bom preço para quem vende".

"Não há nenhum argumento para que a empresa valha mais com os novos accionistas do que com os antigos, não há nenhuma fusão/aquisição/sinergia que leve a essa conclusão", defende "joaobarb", outro utilizador do Fórum do Caldeirão de Bolsa. "O preço de colocação em bolsa parece-me um claro exagero", remata "tiagopt". E conclui: "Conseguiríamos justificar este rácio irracional com um fantástico crescimento potencial. Mas se o negócio não sair de Portugal dificilmente tal poderá vir a ocorrer".

Apreensão dos analistas

A avaliação está a gerar apreensão junto dos pequenos investidores, mas também entre os analistas. "No topo do intervalo, a avaliação tornaria a ES Saúde mais cara do que a média das congéneres europeias, que têm maior dimensão e experiência", diz Steven Santos, gestor da XTB. "A ES Saúde tem margens mais elevadas (o que poderia ajudar a justificar um preço mais alto) e interessantes oportunidades de expansão, mas tem também associado a si um prémio de risco mais alto, devido a tratar-se de uma empresa 100% exposta a Portugal", diz Albino Oliveira, analista da Fincor.

Ao Negócios, Steven Santos esclareceu que se as acções da ES Saúde forem colocadas "no ponto médio [de 3,55 euros por acção], ficam atractiva face ao sector europeu no rácio face às receitas e aos resultados operacionais". Mesmo assim, "face aos lucros [apresentados pela empresa liderada por Isabel Vaz], o rácio ficaria elevado", conclui. Um facto que leva alguns pequenos investidores a afirmar: "A minha resposta [à questão se vale a pena investir na ES Saúde] é a mesma: não obrigado!", diz "ptbr13". Outros, como o "pocoyo", dizem que dado o sentimento positivo do mercado "o preço não interessa. É mais importante a procura".

Um século de dividendos

"Considerando a política de dividendos de [distribuição de] 25% [dos lucros] ao ano, o negócio demoraria 120 anos a pagar-se por esta via", contabiliza "tiagopt", com base na avaliação na OPV. "Se descontarmos a fiscalidade, esse prazo passaria para 172 anos. Que perfeito absurdo. Está descoberta a Amazon portuguesa...", remata, apontando semelhanças com a empresa liderada por Jeff Bezos que apresenta uma cotação próximo de recorde apesar dos prejuízos nos últimos trimestres. As acções da retalhista "online" dispararam 40% nos últimos 12 meses.

 
As datas da OPV

Subscrição dos títulos da ES Saúde já arrancou

 

27 a 31 de Janeiro

O período de subscrição da OPV da Espírito Santo Saúde arrancou esta segunda-feira, sendo que a primeira fase termina na sexta-feira, 31 de Janeiro. Quem subscrever títulos neste período beneficia de um rateio 100% superior face aos que subscreverem acções na segunda fase da oferta.

 

1 a 6 de Fevereiro

Terminada a primeira fase, arranca a segunda. De acordo com o prospecto, esta inicia-se a 1 de Fevereiro mas dado que é sábado, terá início a 3 de Fevereiro, prolongando-se até quinta-feira dia 7.

 

4 de Fevereiro

A meio da segunda fase chega ao fim o prazo que os investidores têm para cancelarem ordens de compra introduzidas no sistema. A partir de 4 de Fevereiro, inclusive, as ordens comunicadas através dos intermediários financeiros tornam-se irrevogáveis.

 

7 de Fevereiro

A Sessão Especial de Mercado Regulamentado para apuramento dos resultados da oferta terá lugar no dia 7 de Fevereiro. Nesse dia, em que os investidores ficam a saber quantas acções vão receber, é apurado também o valor final dos títulos da ES Saúde (considerando o intervalo de 3,20 a 3,90 euros).

 

11 de Fevereiro

Depois de conhecido o preço final das acções, a 7 de Fevereiro, é feita a liquidação financeira das acções adquiridas. Ou seja, é neste dia que o dinheiro correspondente ao número de títulos a adquirir é retirado da conta dos investidores.

 

12 de Fevereiro

De acordo com o prospecto da OPV da ES Saúde, a 12 de Fevereiro é feita a liquidação física da oferta institucional. Esta é também a data prevista para a admissão à negociação das acções da empresa liderada por Isabel Vaz.

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