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Analistas: Aumento de capital apenas coloca Popular ao nível dos concorrentes

As maiores provisões não serão suficientes para colocar o banco espanhol em melhor posição que os concorrentes. Além disso, o aumento de capital enfrenta riscos de execução, devido à pressão que poderá recair sobre os direitos de subscrição.

Reuters
André Tanque Jesus andrejesus@negocios.pt 27 de Maio de 2016 às 11:57
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Apesar das sucessivas garantias de que não seria necessário um aumento de capital, o Banco Popular avança agora com a operação. O objectivo é angariar 2,5 mil milhões de euros que servirão, depois, para reforçar as provisão contra activos tóxicos no balanço do banco. Apesar do elevado montante, os analistas acreditam que o Popular conseguirá apenas igualar os rácios da concorrência. E há riscos de execução na operação.

"Segundo o banco, esta operação visa impulsionar em 12 pontos base para 50% a cobertura de activos em incumprimento", nota Carlos Peixoto. O analista do BPI estima que o esforço para alcançar um maior rácio de cobertura dos activos tóxicos "irá traduzir-se em quatro mil milhões de euros em provisões adicionais".

Mas este montante cai para 2,8 mil milhões, se descontados os benefícios fiscais alcançados com as regras contabilísticas. Na prática, salienta Carlos Peixoto, a operação colocará o rácio de cobertura do Popular "praticamente em linha com o dos concorrentes". O Sabadell conta com uma cobertura de 43%, o Bankia de 53% e o CaixaBank de 56%.

Opinião semelhante tem Carlos Cobo. "Apesar da planeada limpeza com provisões, calculamos que o Popular apenas irá igualar os concorrentes em termos de almofada", explica o analista do Haitong. Isto porque "o banco ainda precisa de ultrapassar uma grande quantidade de activos problemáticos e poderá necessitar de mais provisões que o previsto".

Mas este não é o único problema do banco espanhol, que conta com operações em Portugal. "Apesar de estar completamente garantido [pelos bancos colocadores], na nossa opinião o risco de execução é significativo e os direitos de subscrição preferenciais poderão ficar sob pressão", aponta Carlos Cobo. Entre os actuais accionistas do Popular, salienta, "apenas a Allianz, com uma participação de 3%, já confirmou publicamente que irá manter a posição".

E devido ao aumento de capital, o Haitong decidiu cortar o preço-alvo para o Popular de 2,54 euros por acção para 1,88 euros. Uma avaliação que confere, actualmente, um potencial de valorização de 15,6%. A recomendação mantém-se em "neutral".

O certo é que as acções continuam sob forte pressão. Depois de terem perdido 26% na última sessão – o equivalente a 1,38 mil milhões de euros da capitalização bolsista –, encontram-se a recuar 6,06% para 1,627 euros. Isto numa sessão em que o Popular já chegou a afundar um máximo de 9,2%. Com a queda desta sexta-feira, o banco espanhol acumula uma desvalorização de 30,9% em duas sessões.

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