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Analistas: Oferta do CaixaBank é a melhor solução para o BPI

A administração do BPI avalia as acções do banco 38% acima da contrapartida oferecida na OPA do CaixaBank. Ainda assim, os analistas consideram que a oferta continua a oferecer uma solução para os problemas do banco. As acções sobem.

Pedro Trindade/Negócios
Patrícia Abreu pabreu@negocios.pt 18 de Maio de 2016 às 09:06
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A administração do BPI voltou a avaliar as acções do banco acima do preço oferecido na OPA do CaixaBank. Mas, na opinião dos analistas, mais do que a questão do preço, a gestão focou-se nos desafios que a instituição enfrenta, nomeadamente em Angola. Face a este cenário de incerteza, a oferta dos espanhóis é, para os especialistas, a melhor solução para o banco. As acções seguem a valorizar.


A administração do BPI avaliou as acções do banco em 1,54 euros
, valor 38% acima dos 1,113 euros proposto na OPA do CaixaBank. Ainda assim, a gestão reconhece as dificuldades de avaliar os títulos na conjuntura actual e considerou a oferta "oportuna". As acções do banco seguem a reagir positivamente aos comentários da gestão do BPI. Os títulos seguem a valorizar 0,81% para 1,12 euros, tendo já chegado a subir mais de 1%.

"Ainda que a oferta final do CaixaBank esteja abaixo da avaliação de referência da administração do BPI e das expectativas iniciais do mercado, na nossa opinião, ainda pode ser atractiva para muitos investidores" devido ao potencial de queda para o BPI numa base autónoma", defendem os analistas do Haitong. Para o banco de investimento, sem o apoio do CaixaBank será muito difícil ao BPI resolver o risco de concentração em Angola.

E Angola continua mesmo a ser a principal preocupação neste momento. É que sem uma resolução, o banco liderado por Fernando Ulrich enfrenta coimas por parte do Banco Central Europeu, "que iriam afectar a avaliação da instituição", diz o Haitong.

"Ainda que a oferta do CaixaBank seja substancialmente inferior à apresentada há cerca de 15 meses, é nosso entendimento que o conselho de administração focou primeiramente a sua opinião no conjunto de desafios com que o banco se depara, quer em Angola (incumprimento do limite dos grandes riscos), quer no mercado doméstico (entre elas a potencial consolidação e o contexto regulatório)", acrescenta o analista do CaixaBI André Rodrigues.

No comunicado divulgado esta segunda-feira, a administração do BPI conclui ainda que os 1,113 euros oferecidos pelo CaixaBank representam "não um prémio, mas, pelo contrário, descontos relativamente ao preço médio da acção BPI". Ao mesmo tempo a gestão realça, porém, que "a oferta oferece uma alternativa para os accionistas que consideram que os riscos excedem o valor das oportunidades futuras", lembra o Haitong.

Por outro lado, a OPA do CaixaBank "também permite aos actuais accionistas permanecerem no banco e beneficiarem com a criação de valor que resulta da consolidação". A administração do BPI sublinha, assim, que a oferta é amigável, na medida em que o CaixaBank é um accionista do banco desde 1995, tendo mantido desde essa data um "apoio permanente à estratégia de crescimento" do banco.

Oferta melhorada?

Certa é já a oposição da Santoro a esta contrapartida. Isabel dos Santos quer que um auditor independente defina o preço que o CaixaBank tem a pagar na OPA ao BPI. O representante da empresária angolana, segunda maior accionista do banco, diz que o preço de 1,113 euros oferecido pela instituição catalã "não é justo".

Os analistas do Haitong acreditam que o CaixaBank irá manter-se empenhado em resolver este impasse com a angolana Isabel dos Santos, nomeadamente em Angola. Para o banco de investimento os espanhóis, "podem continuar a negociar um acordo com Isabel dos Santos em relação à sua posição no BPI e ao controlo do BFA".

Comprar apenas as operações domésticas do BPI é uma possibilidade que os analistas admitem, sublinhando que isto "pode reduzir o capital necessário para a aquisição e vai simplificar a execução do negócio". Um cenário que poderia deixar espaço para o CaixaBank melhorar ligeiramente o preço oferecido pelo BPI. "De qualquer modo não esperaríamos uma melhoria significativa", remata o Haitong.

Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de "research" emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de "research" na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro.

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