Research Analistas: Preocupações da AdC sobre futebol colocam pressão sobre as operadoras

Analistas: Preocupações da AdC sobre futebol colocam pressão sobre as operadoras

A Autoridade da Concorrência adiantou em declarações à Reuters que está atenta aos acordos realizados entre as operadoras e os clubes de futebol. Para os analistas, as declarações do regulador colocam pressão no sector.
Analistas: Preocupações da AdC sobre futebol colocam pressão sobre as operadoras
Record
Patrícia Abreu 02 de fevereiro de 2016 às 11:33

A Autoridade da Concorrência está preocupada com os recentes acordos realizados entre os clubes de futebol e as operadoras. Preocupações que, alertam os analistas, deverão colocar pressão sobre as operadoras, ao dificultar acordos de exclusividade e aumentar os riscos de inflação dos conteúdos.


A Autoridade da Concorrência (AdC) pronunciou-se sobre os acordos assinados entre a Nos e Meo e os clubes de futebol nos últimos dois meses. O regulador, em declarações à Reuters, manifesta-se preocupado com os prazos dos contratos e com a exclusividade dos acordos.


A Nos foi a primeira operadora a fechar um destes contratos. A operadora anunciou no início de Dezembro um acordo em que garantiu os direitos televisivos do Benfica por 400 milhões de euros por 10 anos.


Seguiu-se o entendimento do FC Porto com a Meo, por 457,5 milhões de euros, e o Sporting com a Nos por 515 milhões de euros, bem como contratos com outros clubes da Pimeira Liga. Contratos milionários que estão a suscitar a atenção da AdC e que podem representar um "risco material para o sector" das telecomunicações, alerta o BPI.


Os analistas antecipavam que, para rentabilizar o valor destes contratos, as operadoras poderiam tentar garantir a exclusividade dos direitos. Mas, tendo em conta a posição da AdC, isso poderá agora ser difícil.


"As preocupações da AdC coloca pressão nos operadores de telecomunicações para alcançar um acordo insinuando que a sua visão sobre a utilização de conteúdo exclusivo não se alterou". Se for forçada a tomar uma decisão será no sentido de não permitir que uma operadora mantenha direitos exclusivos significativos, explicam os analistas do mesmo banco de investimento, num comentário às declarações da AdC.


Além da exclusividade, a AdC referiu ainda a longa duração dos acordos – à volta de uma década – , o que na opinião do BPI pode levar à antecipação da maturidade dos contratos e representar "um risco de inflação dos conteúdos e traduzindo-se em risco material para o sector".


Já o Haitong realça que estas declarações por parte da AdC mostram que o "regulador está vigilante em relação a este assunto e isto pode provavelmente ser um aviso que explorar os direitos numa base exclusiva não é provavelmente um resultado desejado para a AdC". 




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